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Se você passou 2017 no Caribe, este foi o ano que você teve

Um helicóptero Sea Hawk MH-60S, destacado do Esquadrão de Helicópteros de Combate Marítimo Sea Combat Squadron 22 (HSC-22), embarcado no navio de assalto anfíbio USS Wasp (LHD 1), atua em operações de ajuda humanitária na zona de conflito da ilha de Dominica após a chegada do furação Maria. Foto: Mass Communication Specialist 3rd Class Michael Molina/Released/U.S Navy 170924-N-VK310-0009. Por meio da página Flickr oficial da Marinha dos Estados Unidos, CC BY 2.0

Todo ano tem seus altos e baixos. No entanto, 2017 foi um pouco como uma montanha russa para o arquipélago caribenho, repleto de pontos incrivelmente altos e quedas de embrulhar o estômago. Aqui vai uma retrospectiva de alguns problemas com os quais a região lutou nesse ano e como ela, ao mesmo tempo, falhou e triunfou em meio às mudanças:

Os pontos altos

O meio ambiente

Iguana jamaicana em sério risco de extinção. Foto de Robin Moore, conservacionista e fotógrafo, usada sob permissão.

Enquanto o meio ambiente sofreu um grave golpe da severa temporada de furacões do Atlântico em 2017, que causou estragos em muitos territórios insulares, a natureza também teve um grande ganho graças aos esforços de ambientalistas dedicados.

Em primeiro lugar, o restante da região se uniu para ajudar as zonas que foram mais afetadas — uma tendência  que ficou evidente até mesmo quando catástrofes de menor escala, como as inundações, ocorreram de forma localizada antes do início da temporada de furacões.

Também reconfortante foi a forma como as boas notícias e as histórias de resiliência começaram a surgir após os furacões Irma e Maria devastarem a região, combatendo a narrativa “pervertida do desastre” que começava a tomar forma nos principais meios de comunicação internacionais. Também houve sinais de esperança: a fortemente atingida Dominica começou a ser reconstruída e as aves regionais, cujos habitats haviam sido destruídos, estavam retornando.

A cereja do bolo veio na forma de uma vitória marcante para os ambientalistas na Jamaica, que conseguiram, após uma longa campanha de intensa luta, convencer o governo a criar um santuário de vida selvagem na ilha Goat. A área, antes comprometida pelo desenvolvimento do carregamento portuário, hoje é um santuário para a gravemente ameaçada iguana jamaicana (Cyclura Collei), que no início pensava-se ter sido extinta, mas foi redescoberta em 1990 em Hellshire Hills, área protegida de Portland Bight .

Mulheres descobrindo seu poder

Um grupo em meio à multidão na marcha de empoderamento do Exército do Pandeiro contra a violência sexual. Foto de Storm Saulter, usada sob permissão.

Foi um ano difícil para as mulheres caribenhas, com frequentes incidentes fatais relacionados à violência de gênero dominando as manchetes. A tendência foi juntar insultos e lesões corporais na culpabilização da vítima, colocando nas mulheres a obrigação de se protegerem de possíveis predadores.

Porém, as vitórias também aconteceram. Na Jamaica, o movimento Exército do Pandeiro começou a “defender de forma diferente os direitos de mulheres e meninas”: sem se desculpar e colocando o problema da violência sexual como tema central. Enquanto uma das fundadoras do grupo enfrentou uma severa reação por causa disso (ela foi presa e recebeu três acusações pelo “uso de computadores para comunicação maliciosa”, de acordo com a Lei de Cybercrime do país, por citar e humilhar supostos agressores de maneira ostensiva), o grupo finalmente foi absolvido, com o procurador-geral de justiça afirmando que a “acusação não era viável”.

Proteção dos mais vulneráveis

Anel de casamento na areia. Foto de Derek Gavey, CC BY 2.0.

Talvez o momento mais brilhante de todos acerca dos direitos das mulheres foi a abolição do casamento infantil em Trinidad e Tobago, algo que até esse ano era legalizado.

A Jamaica também assumiu sua responsabilidade ao tomar medidas para aprimorar a prevenção ao desaparecimento infantil e seus esforços para a recuperação dessas crianças através de um sistema de alerta no Facebook. O país também criou um banco de dados para rastrear as violações dos direitos humanos nas comunidades mais vulneráveis da região.

Nesse sentido, o primeiro-ministro jamaicano Andrew Holness fez um histórico pedido de desculpas pela “grave injustiça” de um ataque feito contra rastafáris em 1963. Oito jamaicanos foram mortos no que veio a ser chamado de “Bad Friday” (sexta-feira ruim), e cerca de 150 rastafáris foram detidos, presos, maltratados e tiveram seus dreadlocks cortados como parte de uma atmosfera de opressão sistemática, discriminação e hostilidade declarada que havia começado antes da independência.

No entanto, as comunidades indígenas ainda enfrentam uma crescente batalha quando se trata de obter direitos e reconhecimento no país.

Os pontos negativos

A falta de confiança nos órgãos estatais

Detalhe do uniforme da Força Policial Jamaicana durante o estado de emergência na Jamaica em 2010. Foto de BBC World Service, CC BY-NC 2.0.

A corrupção — ou ao menos a percepção dela — ainda permaneceu alta no radar dos internautas nesse ano, com ministros de vários países lucrando às custas do bolso do contribuinte.

O presidente de Trinidad e Tobago esteve envolvido em um escândalo de corrupção que implicava o recebimento de aluguel imobiliário enquanto ocupava um imóvel estatal. Apesar da polícia ter divulgado a investigação do caso, nada foi feito até o momento.

O Poder Judiciário também perdeu credibilidade perante a opinião pública depois que a Ordem dos Advogados do país aprovou um voto simbólico não confidencial contra o presidente do Supremo Tribunal. A controvérsia decorrente desse episódio foi bastante complicada e ainda segue em curso. Para complementar os infortúnios do Judiciário, o ex-procurador geral foi preso sob acusação de obstrução de justiça e por má conduta no exercício de cargo público.

Em uma decepcionante série de acontecimentos na Jamaica, uma avaliação feita pela Força Policial Jamaicana absolveu os oficiais envolvidos no que ficou conhecido como a Incursão de Tivoli Gardens, onde, sob um estado de emergência em 2010, forças de segurança entraram na perigosa comunidade de West Kingston em busca do suposto traficante procurado Christopher “Dudus” Coke, cuja extradição foi concedida aos Estados Unidos. Durante as operações de segurança — que gerou grande preocupação entre os grupos de direitos humanos — ao menos 72 jamaicos perderam a vida e cerca de 35 foram feridos.

A perda de alguns homens bons

Derek Walcott no VIII Festival de Poesia em Granada, Nicarágua, em fevereiro de 2012. Foto de Stanislav Lvovsky, CC BY-NC-ND 2.0.

Por fim, a região esteve em luto pela morte de várias figuras importantes: o historiador “virtual” Angelo Bissessarsingh, de Trinidad e Tobago; o promissor cantor do gênero musical soca, Devon Matthews; o ícone da mídia jamaicana, Ian Boyne; e o ganhador do Nobel de Literatura, nascido em Santa Lúcia, mas aclamado no país, Sir Derek Walcott.

Ainda em queda livre

Questões migratórias

Imagem do vídeo no YouTube do Human Rights Law Clinic Schools Tour (Tour dos Escritórios Modelos de Direitos Humanos) de 2017/2018.

Quando se trata de certas questões urgentes, a jornada com certeza não acabou. A região continua a lutar com questões como migração, por exemplo, contra o panorama de profunda crise política e econômica na vizinha Venezuela e a recente condição de um grupo de migrantes cubanos que, em protesto, moram na rua em frente ao escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHRC), em Trinidad e Tobago.

A legalização da maconha

Sativa. Foto de Dank Depot, CC BY-NC 2.0.

Por conta de sua localização geográfica — exatamente entre a América do Norte e do Sul — o Caribe tem sido afetado pelas políticas de “guerra às drogas” dos Estados Unidos. Por isso, enquanto o resto do mundo começa a legalizar a maconha e lucrar de forma primorosa com sua venda legal, em particular no mercado em que é usada para fins medicinais, a região que é talvez a mais associada ao cultivo da cannabis agora fica para trás tanto na parte legislativa quanto na econômica. Se por um lado existe um surpreendente progresso nesse sentido, em especial na Jamaica (que descriminalizou o porte de pequenas quantidades), outros países continuam para trás.

Revisado por Izabella Sepulveda 

 

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