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O que vai pesar mais para os torcedores da Copa do Mundo de 2018: o moderno logo do turismo russo ou as advertências dos governos?

A legenda do logo explica que o bloco retangular vermelho da esquerda é a Crimeia, um território anexado que é fonte de muitos dos problemas recentes da Rússia //russia-brand.com

A Copa do Mundo Fifa 2018 começa em poucos dias e a Agência Federal de Turismo da Rússia (Rosturizm) está tentando transmitir uma nova imagem do país. Os jogos acontecerão em 11 cidades.

Recentemente, em antecipação aos jogos, a Rosturizm apresentou a nova “marca” do país: “O mundo inteiro na Rússia” – o slogan remete ao caldeirão de culturas e povos do país.

Resultado de um concurso que durou dois anos e que teve mais de 500 trabalhos apresentados, a campanha vencedora tem inspiração no Suprematismo, um movimento artístico de vanguarda, criado no início do século XX por artistas como El Lissitzky, Kazimir Malevich e Ivan Kliun.

O logo principal lembra o mapa da Federação Russa, desde a anexada Crimeia, passando pelos Montes Urais no extremo oriente do país e mais além. Com mais de 170 grupos étnicos reconhecidos e 100 línguas minoritárias, o logotipo procura transmitir a imensidão étnica, linguística e cultural do país na atualidade. Os outros desenhos da coleção sobrepõem imagens de artistas, comidas, atletas, paisagens e estilos artísticos russos à imagem principal.

Vários estilos artísticos tradicionais russos foram integrados ao desenho suprematista principal da campanha  //ryssua-brand.com

O desenho ganhador foi apresentado em um momento de grande expectativa para indústria turística russa. Tanto o estado quanto os líderes do setor esperam que o número de turistas continue a crescer, atraídos pelo interesse na Copa.

De acordo com a Rosturizm, o turismo estrangeiro teve aumento de 14% entre 2016 e 2017. A Fifa anunciou que mais de 3 milhões de ingressos foram solicitados para os jogos da Copa do Mundo. Em um evento em que a demanda supera a oferta, um sistema de loteria foi desenvolvido para determinar quem vai poder adquirir os ingressos para os jogos.

A informação de que 38% dos pedidos de ingressos vêm de outros países fez com que o governo e a Fifa desenvolvessem uma política “viaje sem visto” durante a realização dos jogos. O “passaporte do torcedor” substitui o visto e dá direito a transporte entre as cidades-sede. Em razão das grandes distâncias dentro da Rússia, esses esforços visam a facilitar o turismo durante os jogos.

Especialistas em turismo contam com a Copa para fomentar a atividade, mesmo depois do final da competição. Entretanto, as expectativas têm sido refreadas pela experiência vivida pelo país durante a Copa das Confederações em 2017. Assim foi explicado em um comunicado de imprensa à publicação de negócios russa Vedomosti.

…не оправдал ожидания туристического бизнес-сообщества, – гостей оказалось явно меньше, чем планировалось организаторами, жить они предпочитали в частном секторе, бронируя размещение через онлайн-сервисы в обход туроператоров, готовых предоставить им экскурсионные программы и удобную логистику.

…(A Copa das Confederações) não atendeu às expectativas da indústria do turismo. O número de visitantes foi evidentemente menor do que a previsão dos organizadores, uma vez que esses turistas preferiram se hospedar em casas particulares, fizeram reservas on-line e não utilizaram os operadores de turismo, que se preparam para oferecer excursões e logística adequadas.

Por essa razão, a projeção do número de visitantes estrangeiros para a Copa do mundo foi revista, baixando de dois milhões para um milhão após o final da Copa da Confederações.

Estados Unidos alertam turistas sobre “terrorismo e ataques”

Com o sorteio para venda dos ingressos, o Departamento de Estado dos Estados Unidos atualizou suas recomendações de viagem para a Rússia e citou o terrorismo e os ataques a cidadãos norte-americanos pelas autoridades policiais como motivos para se “reconsiderar a viagem”.

A atitude foi duramente rechaçada pelas autoridades russas:

A recomendação de viagem do Departamento de Estado dos Estados Unidos eleva a Rússia da categoria 3 para 4: “reconsidere a viagem” em teoria, devido ao “terrorismo e ataques”. Isso é absolutamente ridículo. Seja motivação política ou estupidez, é realmente ridículo.

* não discordamos da recomendação para evitar viajar para o norte de Caucasus e Crimeia – essa é prudente.

A recomendação foi imediatamente rebatida pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Sua porta-voz, Maria Zakharova, questionou o risco para aos turistas norte-americanos.

Os Estados Unidos, entretanto, não foram os únicos a fazer recomendações. O governo francês também divulgou um documento no ano passado, que, conforme assinalado em um comentário, veio acompanhado de um gráfico que foi útil para contextualizar um pouco mais a recomendação:

Após a controversa recomendação de viagem para Rússia divulgada pelo Departamento de Estado, aqui está a mesma recomendação do Ministério das Relações Exteriores da França: segurança total, exceto no sul do Caucasus. Parece um pouco mais legítimo.

Com a expectativa de que os Estados Unidos e os países europeus enviem um grande número de turistas para a Copa do Mundo, resta saber o efeito que estas recomendações terão sobre os visitantes.

De qualquer maneira, os especialistas em turismo russo estão dando atenção aos torcedores da América Latina, visto que eles têm um potencial imenso para viagem. Ao contrário dos torcedores europeus, que podem facilmente viajar para Rússia e passar apenas alguns dias, os torcedores da América Latina podem acabar ficando algumas semanas para valer a pena a longa viagem. Sem importar de onde vêm os turistas, durante um mês este ano, vai existir um verdadeiro “mundo inteiro na   Rússia”.

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