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Experiências e momentos surpreendentes no Japão: discussão no Twitter viraliza

Smoking Room in Japan

Sala de fumantes no Japão. Foto de Nevin Thompson.

Quando Marcin Wichary, o conhecido ex-desenhista-chefe e tipógrafo da plataforma de blogues Medium, visitou o Japão durante algumas semanas, logo percebeu a interação entre homem e máquina ou “interface do usuário”, usada no dia a dia do país. As placas, botões e o modo de fazer as coisas, tais como formar fila para o trem ou comprar uma refeição, podem ser situações normais para o povo japonês, mas para pessoas de outras partes do mundo são surpreendentes.

Durante a viagem de duas semanas pelo Japão, ele começou a usar o Twitter para documentar suas observações com relação à abordagem japonesa. Isso incluiu desde placas de sinalização até latas de lixo. O resultado gerou uma grande discussão com 300 tuítes individuais, que rapidamente viralizaram:

A discussão épica do @mwichary, sobre suas observações e momentos surpreendentes no Japão, com ênfase na interação homem-máquina do dia a dia, é sensacional. Queria que fosse um blogue.

Essa foi a primeira viagem de Wichary ao Japão e logo ele notou as diferenças entre o sistema do metrô de Tóquio e a linha de transporte rápido (Bay Area Rapid Transit, BART), de São Francisco, onde ele trabalha.

11. A catraca fechou de um jeito bem suave quando eu tentei passar sem inserir o tíquete.

(Contraste: a catraca do BART, de São Francisco, bateu na minha coxa e me deixou com um hematoma *depois* de eu ter pagado a tarifa).

Conforme ele atualizava seu Twitter, sempre pedia comentários sobre as várias curiosidades que encontrava, como estas placas que informavam aos usuários do metrô a distância da entrada em relação ao nível do mar. (Estas placas são usadas em caso de tsunami — ondas de tsunami formaram-se após o terremoto de Tohoku, em 2011, e atingiram 30 metros acima do nível do mar em alguns locais da costa nordeste do Japão):

Alguém sabe por que isso está escrito na entrada do metrô?

Além disso, durante a viagem, ele se deparou com este estilo de relógio analógico, que pode ser encontrado com frequência nas estações de trem. Isso trouxe algumas memórias nostálgicas:

150. (150!) Este é um mistério especial para o Marcin. Lembro deste relógio da minha infância na Polônia.

Eu o recriei no Java Script. Escrevi sobre ele (https://t.co/4swcDxsmPQ). Então, por que isso está em todos os lugares agora!?

Wichary constatou que as placas nas estações de trens e do metrô tinham o objetivo de melhorar o comportamento e promover a harmonia social:

60. Manspreading: uma epidemia global. :·/

147. O tipo de abordagem deste anúncio é incrível.

Em outros momentos, ele analisou a interação homem-máquina em experiências mundanas do cotidiano em uma grande cidade do Japão. Comprou tíquetes em um balcão de almoço de serviço rápido:

17. Sistema interessante: você compra um tíquete de um restaurante na frente dele. Em seguida, entra e o entrega a um atendente. Nada de gorjetas e, ao terminar, é só levantar e ir embora?

Por ser desenhista, Wichary também se interessou pela estética das moedas japonesas:

23. Todas as moedas de iene têm numerais arábicos… exceto uma (5).

Em geral, só as de 50 e 100 parecem ter uma conformidade no desenho.

25. Fui informado pelo @txsector que a moeda de um iene boia na água. E eu posso confirmar isso.

(Como podem ver, levou um tempo até eu conseguir).

Assim como para muitos que visitam o Japão, as máquinas automáticas de vendas são um mistério a ser decifrado:

21. Esta máquina automática tinha uma tampa cobrindo a abertura onde se coloca as cédulas. Não entendi qual é o sentido.

63. Eu não sabia que me importava tanto com as máquinas automáticas até começar a ver dezenas delas, ao ar livre, expostas às intempéries.

(Isso explica a tampa acima).

E também, as máquinas automáticas não parecem ser sujas por aqui! Isso acaba sendo um padrão geral.

Wichary também percebeu algumas diferenças sutis entre o Japão e os Estados Unidos onde, devido à superstição, os prédios geralmente não têm o 13.º andar:

7. Meu quarto no hotel é no 13.º andar, eu acho incrível.

O quarto de hotel também foi motivo de comentários peculiares:

20. A lanterna no hotel é muito interessante. Não há botão de ligar/desligar. O dispositivo que o prende na parede também separa as duas pilhas e corta a energia.

Mas por que eu preciso disso?

Foi mencionado nas respostas a esse tuíte que a lanterna seria útil em caso de terremoto ou de outro evento que cortasse a energia e, consequentemente, a luz.

Wichary, que está escrevendo um livro sobre a história do teclado, ficou fascinado com a abordagem japonesa para os teclados:

O primeiro teclado que eu testei no Japão foi muito legal. Um teclado mecânico numérico em um caixa automático!

Mistério do teclado: hoje vi vários teclados antigos Mac (incluindo o famoso MacBook preto) em que a tecla Control tem o ícone de uma caneta. Por que colocaram isso? É a primeira vez que vejo.

Mistério solucionado! A caneta serve para chamar a atenção para o menu que permite a troca entre os vários modos de digitar em japonês. Ou então, usa-se ^ ou Ctrl.

Os atalhos ainda funcionam, mas o ícone especial e a tecla não existem mais. Eu não sei por que colocaram e retiraram.

Leia os outros tuítes na discussão sobre os teclados japoneses aqui.

Wichary também percebeu que, no Japão, as placas podem ser extremamente complexas com uma alta densidade de  informações.

46. Existe um nome para este tipo de estética? O texto ocidental está esticado aqui (algo que vejo com frequência) só para fazer com que a pouca densidade de informação fique ligeiramente menos intolerável?

Assim como outros turistas, Wichary ficou impressionado com o cuidado que se tem para evitar perturbar outras pessoas. Por exemplo, ele observou que os locais de construção disponibilizam um cronograma para alertar os moradores sobre quando haverá trabalho:

Parece que os locais de construção têm que nos avisar com antecedência sobre seu cronograma para a semana? Algumas telas são até eletrônicas!

(Eu desenhei uma bem complicada no meu trackpad. Diz o seguinte 解体工事: trabalho de demolição. 4 de fevereiro é domingo, quer dizer que eles não vão trabalhar).

Ao final da viagem, Wichary ficou impressionado não só pela civilidade, mas também pela gentileza dos japoneses.

Você talvez tenha notado vários padrões. Aqui está mais um. Muitas descobertas que fiz no Japão seguiram esta rotina:

1. Encontrar algo extraordinário.
2. Perceber que essa coisa extraordinária era um padrão EM TODOS OS LUGARES.
3. Encontrar uma versão ainda mais extraordinária dessa coisa em alguns outros lugares.

A discussão original de Wichary no Twitter pode ser encontrada aqui. Ele também acaba de publicar um blogue sobre sua viagem ao Japão:

Parece que é um rito de passagem escrever um guia para visitar o Japão, depois de visitar o Japão.

Aqui está o meu, com links para outros bem legais. Se assim como eu, você pretende visitar o país, espero que seja útil: https://t.co/BgrTp9UK7W

Este artigo foi atualizado para esclarecer que Marcin Wichary não trabalha mais para a Medium.

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