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O primeiro satélite angolano perdeu sinal após lançamento — e a internet não perdoou

Categorias: África Subsaariana, Angola, Ciência, Desenvolvimento, Mídia Cidadã, Relações Internacionais, Tecnologia
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O lançamento do Angosat-1 foi transmitido ao vivo pela Televisão Pública de Angola. Imagem: captura de tela, Clubk Clubk/Youtube.

Entrou em órbita [2] no dia 25 de dezembro o primeiro satélite angolano, cujo lançamento foi comemorado em Luanda com tela gigante com transmissão ao vivo e fogos de artifício.

Chamado de Anglosat-1, o satélite é de fabrico russo, fruto de um consórcio russo-angolano iniciado em 2009, e deve levar internet de alta-velocidade e transmissão de rádio e televisão a diversos países da África e parte da Europa.

Porém, horas após o lançamento — feito a partir do Cazaquistão –, o satélite perdeu comunicação com a plataforma terrestre e permaneceu algumas horas desaparecido, o que provocou risos nas redes sociais.

Mas alguns criticaram tanta atenção dada à falha do satélite — que terminou por reestabelecer contato dois dias depois, segundo [8] o fabricante russo RSC Energia.

Angola tornou-se o sétimo país africano, ao lado da Argélia, África do Sul, Egipto, Marrocos, Nigéria e Tunísia, a ter um satélite de comunicações em órbita.

O governo angolano refere ter investido 320 milhões de dólares americanos no projeto, quantia que prevê recuperar em dois anos. Segundo [10] o ministro de estado Carvalho da Rocha, as operadoras de telecomunicações de Angola gastam, juntas, entre 15 e 20 milhões de dólares por mês alugando espaços em outros satélites da região.

Ainda segundo o ministro, quarenta por cento da capacidade do satélite já está vendida. utilizada por operadoras de telecomunicações nacionais, enquanto o restante deverá ser alugado por outras operadoras da África e partes da Europa. O Angosat-1 deve permanecer em órbita por 15 anos.

Porém, surgiram questões de inquietação, como foi o caso do activista Pedrowski Teca [13]:

Angola gastou 320 milhões de dólares americanos, pagando os russos para fabricarem o nosso primeiro satélite 🛰 – AngoSat-1.

Pergunto:
1 – O que é que a bandeira russa 🇷🇺 está a fazer no nosso satélite?
2 – Por que que a bandeira da Rússia 🇷🇺 está em primeiro plano e a de Angola 🇦🇴 em segundo lugar?
3 – Por que que as escritas no satélite 🛰 estão em língua estranha (parecendo russo)?

Para Raúl Danda, [14] o satélite não é sua prioridade como cidadão angolano:

(…) Se é um motivo de orgulho, porque não é qualquer país que leva um satélite próprio ao espaço, o episódio lembra-me o CAN 2010: muita banga para nada ou quase nada. Muitos dos estádios que custaram milhões e milhões de dólares (de custo “custado” e de custo roubado) andam aí com o capim a crescer para pasto de cabritos. Naquele momento, o Executivo do Presidente Eduardo dos Santos (agora “ex”) pretendia apenas mostrar que “nós também podemos”! Desta vez a coisa repete-se. Lançar um satélite é uma coisa boa, super boa até. Mas é preciso primeiro fazer outras realizações. Comprar um BMW quando, em casa, os filhos não têm pão, mais do que absurdo é irracional. Lançar satélite no espaço quando no chão não há medicamentos, comida, educação de qualidade, saúde digna desse nome, saneamento básico…. e outras coisas realmente básicas, parece-me ser de uma irracionalidade terrível…

Outro activista angolano questionou o facto do governo ter levado religiosos para assistir a cerimónia de lançamento: