Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Memórias de uma época em que a economia peruana enlouqueceu

Cédula de mil intis. Imagem do Flickr do usuário A.Davey (CC BY-NC-ND 2.0).

Um peruano com mais de 35 anos de idade deve se lembrar dos tempos em que a economia peruana enloqueceu, principalmente na segunda metade da década de 1980. Durante alguns anos as palavras inflação –com sua superlativa hiperinflação–, desabastecimento, escassez e “maquinita” dominavam a linguagem cotidiana (a maquinita era uma forma coloquial de se referir à emissão inorgânica de cédulas, sem respaldo do Banco Central de Reserva, entidade emissora peruana).

Durante esse período a inflação acumulada alcançou 2.178,49%, índice astronômico, se comparado à inflação de 3,23% em 2016.

Uma das muitas causas dessa inflação foi a política econômica do primeiro governo de Alan Garcia (1985-1990), que, segundo a Wikipedia:

  • Ese gobierno siempre recurrió a los recursos del Estado para impulsar un funcionamiento privado a corto plazo compatible con una baja inflación aparente. Después de 2 años de experimento de una política económica improvisada, el gobierno aprista de Alan García fue autodestruyéndose. […].
  • A partir del tercer año de ese gobierno o desgobierno vinieron las reacciones de la población frente a los ajustes de los llamados “paquetazos”, seguido de las colas que tenían que hacer todos para conseguir una cierta cantidad de productos de primera necesidad como son leche, pan, arroz, azúcar.
  • Esse governo sempre recorreu aos recursos do Estado para impulsionar um funcionamebto privado a curto prazo compatível com uma baixa inflação aparente. Após 2 anos experimentando uma política econômica improvisada, o governo de Alan Garcia começou a se autodestruir. […].
  • A partir do terceiro ano desse governo, ou desgoverno, começaram a surgir reações da população diante dos ajustes dos chamados “paquetazos”, além das longas filas que todos deveriam enfrentar para conseguir certa quantidade de produtos de primeira necessidade como leite, pão, arroz, açúcar.

O fantasma do desabastecimento e as longas filas para conseguir produtos básicos são grande parte das memórias dessa época. Alguns não perdem a oportunidade de lembrar o próprio ex-presidente Garcia até hoje em dia:

Entre na fila, senhor.

Deve-se considerar também, como parte do contexto, os constantes golpes que o terrorismo aplicava no país nessa mesma época.

Agora que a mídia vem utilizando as mesmas palavras como hiperinflação, filas e desabastecimento para se referir à situação de outros países, não falta quem se lembre do inti (sol em quechua), essa moeda que circulou brevemente entre 1985 e 1991, ano em que, devido à forte desvalorização, fui substituída pelo novo sol (hoje chamado simplesmente sol). Os números não mentem, pois, em 1985, um inti equivalia a mil soles de oro, mas em 1991 o novo sol equivalia a um milhão de intis.

O blogue Ratapelada relata como foi a rápida mudança de denominações nas cédulas e como os peruanos somente pagavam com cédulas, já que as moedas deixaram de circular.

La galopante hiperinflación aprista acabo con su existencia [del inti] de la manera más rápida posible. Una imagen recurrente de esta moneda se asocia con enormes fajos de billetes que, debido al fenómeno inflacionario, perdían su valor adquisitivo en cuestión de meses o semanas. Si bien los primeros billetes fueron los de 10, 50, 100 y 500 intis. Ya en 1986 se introdujo un billete de 1.000 intis. […] En 1988 fueron introducidos billetes de 5.000 y 10.000 intis. En 1989, fueron introducidos los billetes de 50.000 y 100.000 intis. A inicios de 1990 fue introducido un billete de 500.000 intis, y en el segundo semestre de ese mismo año empezaron a circular los billetes de 1 y 5 millones de intis.

A galopante hiperinflação acabou com a sua existência [do inti] do modo mais rápido possível. Uma imagem recorrente dessa moeda é associada a enormes maços de cédulas que, devido ao fenômeno inflacionário, perdia seu poder aquisitivo em questão de meses ou semanas. As primeiras cédulas eram de 10, 50, 100 e 500 intis. Já em 1986 a cédula de 1.000 intis foi introduzida. […] Em 1988 foram introduzidas as cédulas de 5.000 e 10.000 intis. Em 1989 foram introduzidas as cédulas de 50.000 e 100.000 intis. No começo de 1990 foi introduzida uma cédula de 500.000 intis, e no segundo semestre desse mesmo ano começaram a circular as cédulas de 1 a 5 milhões de intis.

No Twitter, alguns usuários publicaram exemplos de cédulas com valores nominais muito altos:

Com um milhão de intis era possível comprar um frasco de leite. Voaram todos, mais de um milhão.

Você se lembra dessa célula, Alan? Sim, são 5 “milhões” de intis e daria hoje para um pequeno café da manhã com 6 pães, manteiga e presunto!

O percentual de 5% se refere ao resultado eleitoral que Alan Garcia obteve nas eleições presidenciais de 2016.

Cédulas no Peru: assim eram os intis nos anos 1980.

 

Os intis atualmente: o que poderia ser comprado com essas notas?

Em alguns sites de compras eles são oferecidos como artigos de coleção.

Inicie uma conversa

Colaboradores, favor realizar Entrar »

Por uma boa conversa...

  • Por favor, trate as outras pessoas com respeito. Trate como deseja ser tratado. Comentários que contenham mensagens de ódio, linguagem inadequada ou ataques pessoais não serão aprovados. Seja razoável.