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Uma análise da burocracia da propaganda da China

Last October, Xinhua released an English catchy song to explain to foreigner China's 13th five year plan. Image from the video.

O Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China tem produzido canções de rap para promover as políticas do presidente Xi Jinping. Captura de tela do Youtube.

No 19º Congresso do Partido Comunista da China, o presidente Xi Jinping consolidou seu poder no país. Suas ideias estão agora representadas na Constituição chinesa.

Wang Huning, membro recém-selecionado do Comitê Permanente do Politburo, acadêmico que se tornou político, liderará o Departamento de Propaganda do Partido Comunista, com o objetivo de melhor divulgar e teorizar o “Sonho da China” de Xi, de renovar o país por dentro e por fora.

Para Xi, a ideologia é uma importante arma para manter a legitimidade do partido. Ele alavancou a esfera pública on-line do país como um espaço para demonstrar e promover os princípios e ideais do partido. Todos os veículos de comunicação devem prometer lealdade ao Partido Comunista e, mais recentemente, até empresas de internet foram incentivadas a promover a participação partidária entre seus funcionários.

O Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China tem papel central nessa “frente ideológica,” uma vez que gerencia a gigantesca máquina de propaganda do país determinando as políticas nacionais de cultura, arte e educação.

A maioria dos veículos de mídia ocidentais refere-se à batalha ideológica chinesa como “propaganda”, mas não explica a complexa burocracia que compõe e mantém essa frente ideológica. O jornal investigativo com sede em Hong Kong, The Initium, publicou recentemente um importante artigo sobre a transformação do Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China. Segue abaixo uma tradução parcial da reportagem chinesa.

Uma breve história do Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China

Em 1924, quando a China foi dividida entre os antigos grupos militares do Exército de Beiyang, Kuomintang e outras facções regionais, o Partido Comunista Chinês formou uma aliança política para acabar com a era do caudilhismo. Isso levou à fundação do Departamento de Propaganda do Partido, cuja função era publicar declarações, propor slogans, fazer panfletos e explicar as ideias do comunismo chinês dentro do Exército Nacional Revolucionário e para as pessoas comuns durante a Expedição do Norte pela unificação da China.

Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, de 1937 a 1945, quando o Exército da Libertação do Partido Comunista Chinês estabeleceu sua base comunista em Yan'an, o antigo líder do partido Mao Tsé-Tung (que ocupou o posto de 1943 a 1976) fez uso do primeiro movimento ideológico de massa, o Movimento de Retificação, para reestruturar o jornal e as revistas e garantir que toda propaganda servisse ao interesse do partido.

Com isso, Mao estabeleceu o princípio da política antes do jornalismo, o que agora os historiadores referem-se como “jornalismo maoísta”.

Para controlar quais notícias o público podia saber, o Departamento de Propaganda passou a emitir publicações internas para oficiais do partido.

Além de explicar e promover a ideologia do comunismo chinês, o departamento também monitorava as opiniões sobre as notícias, censurava publicações e monitorava a criação de arte.

A “Equipe Central de Cultura e Educação,” estabelecida em 1958 durante a luta ideológica da Campanha Antidireitista, foi liderada pelo chefe do Departamento de Propaganda chinês. Além do sistema educacional, durante a era de Mao Tsé-Tung, o departamento foi chefiado pelo Secretariado do Comitê Central, um corpo de trabalho que tomava e implementava decisões, e também era responsável pelos setores de esportes, saúde e outros não políticos.

Durante a época da reforma de Deng Xiaoping (1979 a1987), o poder do Departamento de Propaganda foi reduzido, pois Deng incentivou um certo grau de comercialização na mídia.

Mas, nos anos 1990, após o Protesto na Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989, o Departamento de Propaganda retornou ao centro político. Seu líder foi um membro do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista da China.

Departamento de propaganda hoje

Hoje, o Departamento de Propaganda controla quatro áreas principais:

1. Ideologia. O departamento é responsável pelos Escritórios de Teoria e de Educação. Ambos publicam artigos com frequência sobre teoria e políticas do Partido Comunista.

2. Cultura e artes. O Departamento de Propaganda tornou-se curador da cultura e da produção de arte, e controla o Ministério da Cultura, a Administração Estatal de Imprensa, Publicação, Rádio, Filme e Televisão (SARFT), além de outras organizações oficiais relacionadas à arte, tais como, Federação de Literatura e Arte da China e Associação de Escritores Chineses.

3. Educação e pesquisa. O Departamento de Propaganda é responsável pelo currículo nacional de educação ideológico e político. Além disso, controla pesquisas nas áreas de humanas e ciências sociais no país, liderando a equipe de planejamento de filosofia nacional e ciências sociais, e alocando bilhões de yuans para pesquisas em ciências sociais no país. Apenas em 2017, foram realizadas mais de 10 pesquisas com temas que começavam com “Pensamentos do Presidente Xi Jinping com relação a …”

4. Propaganda internacional. O departamento lidera um Escritório Internacional de Comunicação, responsável por interagir com as mídias internacionais e divulgar notícias e políticas chinesas ao mundo.

O Departamento de Propaganda também investe em “mídia estrangeira”, tais como: Nouvelles d'Europe (欧洲时报) e China Times (旺报) para transmitir mensagens positivas sobre a China às comunidades chinesas em outros países.

Na China, todos os jornais, revistas e editoras nacionais são controlados pelo governo ou afiliados ao partido, e o Departamento de Propaganda tem poder de supervisão direta.

As últimas notícias dão conta de que o novo diretor da SARFT, Nie Chenxi é também o vice-ministro do Departamento de Propaganda. Nie também chefia o Escritório de Administração do Ciberespaço da China e o Grupo Central de Liderança para assuntos do ciberespaço. Isso significa que a administração das mídias convencionais e novas respondem ao Departamento de Propaganda.

Controle de novas mídias

O rápido crescimento da internet móvel e das redes sociais nos anos recentes fez com que os usuários chineses expressassem suas opiniões de maneira mais aberta. Como o Departamento de Propaganda enfrentou esse novo desafio?

Desde 2012, a repressão da mídia on-line tornou-se o “novo normal”. O recém-criado Escritório para Administração do Ciberespaço utilizou seu poder de censura para garantir que o Estado e os veículos afiliados do partido restabeleçam seu papel de liderança para influenciar a opinião pública on-line.

Em junho de 2017, um grande número de sites de entretenimento em várias plataformas sociais foram banidos do dia para noite por violarem valores socialistas. Alguns têm milhões de seguidores no WeChat.

O Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China tem o controle da censura e pode usar recursos do partido para investir em veículos de mídia nacionais e internacionais. Sua tática evoluiu ao longo do tempo e novas tecnologias foram adotadas, o que tornou a censura e a interferência política mais eficiente e menos transparente.

Parece que a expressão “quem controla o presente, controla o futuro”, não é mais uma distopia de Orwell.

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