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No Telegram, política russa e memes rendem muito dinheiro

Os “canais” mais populares do Telegram têm milhares de seguidores. Foto capturada por Alexey Kovalev

Com mais de 90 mil seguidores, o canal do Telegram MDK não é apenas um dos balcões únicos de memes russos mais populares do aplicativo de mensagens, mas também um negócio lucrativo.

O administrador do MDK contou ao RuNet Echo que cobra 25 mil rublos (US$ 420) por um único anúncio no seu canal, uma plataforma de blogs da natureza do Facebook e Twitter. Ele não quis dizer o quanto o canal estava faturando ao todo, mas fontes da mídia russa alegam que canais populares do Telegram, como o MDK, podem arrecadar até 1 milhão de rublos (US$ 17 mil) por mês. Mesmo esse valor pode parecer fichinha se comparado a outros canais mais políticos.

A ascensão dos canais do Telegram é uma das consequências da popularidade crescente do aplicativo de mensagens criado por Pavel Durov, o empreendedor de tecnologia por trás do Vkontakte, uma cópia do Facebook que domina o cenário das redes sociais na Rússia.

Os aplicativos de bate-papo mais populares da Rússia, gráfico feito por @thebell_io pic.twitter.com/X2uHDQfj1o

Esses canais possuem uma característica distinta, que permite que o aplicativo de mensagens seja usado como plataforma de blog: qualquer um pode seguir um canal, mas apenas o criador pode postar mensagens. Nos últimos dois anos, os canais cresceram muito, tanto em tamanho quanto em número. E, em alguns casos, tornaram-se operações de negócios significativas. Um dos canais mais populares do Telegram virou notícia na imprensa russa em setembro de 2017, quando foi vendido por 5,5 milhões de rublos (US$ 95 mil), apenas duas semanas depois de seu criador tê-lo vendido por 1,2 milhão de rublos (US$ 20 mil).

No entanto, o lado comercial dos canais pode se tornar nebuloso. Isso ocorre porque se mostraram atrativos não só para os sites de notícias e agregadores de memes, mas também para todo um novo tipo de blogueiros de política anônimos, que se especializa em revelar o que alega serem “informações privilegiadas” sobre a política do Kremlin.

Em 27 de setembro, o jornal de negócios Vedomosti relatou que os canais do Telegram haviam se tornado um novo mercado para “anúncios de política”, alegando que personagens do mundo político e dos negócios estariam dispostos a pagar mais de 450 mil rublos (U$ 7.500) para obter informações publicadas nesses canais. Um administrador do canal de política Karaulny, que possui 26 mil seguidores, contou ao RuNet Echo que ofertas de informações publicadas em seu canal giravam em torno de 50 mil e 150 mil rublos. As informações eram, basicamente, sobre “conflitos corporativos”, mas ele não quis revelar se as propostas foram ou não aceitas.

O artigo do Vedomosti não diz que tipo de informação está sendo publicada por essa quantia, embora cite uma fonte que afirma que a publicação de “informação negativa” (também conhecida como má publicidade) pode custar de duas a três vezes mais do que anúncios positivos.

Esses preços podem provir da noção de que esses canais ganharam leitores fiéis nos setores mais altos do aparato do estado da Rússia. Em janeiro de 2017, o site de notícias local Ura.ru afirmou que os canais do Telegram russos eram lidos diariamente durante informes matinais e encontros dos deputados de Duma e em vários gabinetes do ministérios. Em setembro, o Vedomosti também revelou que os canais estavam sendo monitorados pelo Serviço de Segurança Federal da Rússia, bem como os Ministérios de Defesa e Interior.

No último ano, graças a uma enxurrada de informações e alguns furos de reportagem, canais de política anônimos se tornaram uma grande – embora controversa – fonte de conhecimento sobre a política russa. Nezygar, o mais popular desses canais, cresceu de 16 mil seguidores no começo de 2017 para mais de 72 mil em setembro.

A popularidade crescente também tem atraído críticas em relação à falta de transparência na maneira como esses canais prosperaram. Oleg Kashin, jornalista russo e ávido usuário do Telegram, disse ao canal Rain TV, em janeiro, que “se a Rússia tivesse bons cientistas políticos, um jornalismo político ativo e uma mídia independente forte, o fenômeno do Nezygar não existiria”.

Dado que não apenas os canais, mas também os oficiais de alto escalão que supostamente os leem são, na maior parte dos casos, anônimos, fica a dúvida sobre o poder real da sua influência, enquanto sobram teorias em torno de sua procedência. Se eles são, porém, de acordo com uma fonte citada pelo Vedomosti, um “brinquedinho” do departamento de política interno do Kremlin ou uma nova mídia para especialistas em política, uma coisa é clara: é um negócio promissor.

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