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Africanos se unem em solidariedade aos rohingyas perseguidos em Myanmar

Rohingyas deslocados, no estado de Rakhine, pelo Ministério das Relações Exteriores – Flickr, OGL

Era grande a expectativa por parte da comunidade internacional de que a perseguição ao povo rohingya cessaria quando a Liga Nacional pela Democracia (LND) chegou ao poder. Tratava-se de um partido que ganhou admiração por sua atitude não violenta em oposição à ditadura militar que governou a Birmânia durante décadas. A esperança era mais do que justificável pelo fato de a líder do partido, Daw Aung San Suu Kyi, ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz em 1991, além de ser homenageada por outros países e organizações internacionais. Infelizmente, a esperança foi substituída por uma enorme decepção, pois o sofrimento dos birmaneses apenas aumentou.

Além do compromisso pelo respeito aos direitos humanos, a situação na Birmânia causou repercussão entre os africanos na internet, particularmente na África Ocidental, onde a população muçulmana frequentemente ultrapassa 90%. Nessa região, pratica-se um Islã tolerante, apesar dos esforços dos jihadistas em impor sua ideologia e visão da religião. Os senegaleses, por exemplo, entre os quais 95% são muçulmanos, elegeram o candidato cristão Léopold Sédar Senghor como primeiro-ministro.

O site panafricano pressafrik.com publicou uma resenha feita pelo empresário do setor de comunicações Bougane Gueye Dany, de Senegal (Dakar), a respeito dos crimes cometidos contra rohingyas. No texto, ele denuncia a limpeza étnica em curso no país, bem como a apatia dos líderes políticos birmaneses e da comunidade internacional:

‘Rohingya tu n'existes pas’. Ce roman d’Yves Bourni est d'une actualité grave et brûlante. Au moment où l'un des drames les plus ignobles touche ces musulmans birmans, le monde affiche une indifférence coupable qui montre à suffisance une cruauté, illustration d'une indignation à géométrie variable…

Le leader birman, leur principal bourreau, Ashin Wirathu estime que ‘l'Islam est une religion de voleurs par qu'il permet d'épouser une femme de confession différente’. Il va même jusqu'à dire publiquement dans des videos qui circulent que les chiens, les alcooliques et les drogués valent mieux que les musulmans…

La communauté internationale a les yeux rivés ailleurs. Ce n’est pas non plus la tasse de thé de la presse africaine particulièrement sénégalaise…

Qui ne dit mot consent. Notre silence est troublant. Où est notre diplomatie ?…

Il faut en parler, il faut s'indigner, il faut les aider.

‘Rohingya, você não existe’. Este é o titulo do romance de Yves Bourni, de uma atualidade grave e ardente. Numa época em que os birmaneses muçulmanos sofrem as tragédias mais hediondas, o mundo tem demonstrado uma indiferença negligente que chega a ser cruel, e é um exemplo de indignação desigual em frente à tragédia…

Líder birmanês e principal executor do país, Ashin Wirathu, declarou que ‘o Islã é uma religião de ladrões, pois permite que homens se casem com mulheres de diferentes crenças’. Wirathu chega a ponto de afirmar publicamente em vídeos que circulam pela internet que os alcoólatras e viciados em drogas têm mais valor que os muçulmanos…

A comunidade internacional parece ser indiferente e a situação dos rohingyas na Birmânia já não é mais novidade na imprensa africana, principalmente nos jornais senegaleses…

Quem cala, consente. Nosso silêncio é preocupante. Onde está a nossa diplomacia?

Precisamos falar abertamente sobre isso, precisamos nos indignar, precisamos ajudá-los.

O site de notícias Africa News publicou as declarações do ganhador sul-africano do prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, que rompeu o silêncio e expressou profunda tristeza em relação à situação:

‘Je suis maintenant vieux, faible et officiellement à la retraite, mais je romps mon voeu de garder le silence en raison de ma profonde tristesse au sujet de la situation désespérée [des Rohingyas]’, a écrit Mgr Tutu dans une lettre adressée à la prix Nobel de la paix Aung San Suu Kyi.

‘Si le prix politique à payer pour votre ascension politique en Birmanie est votre silence, le prix est assurément trop élevé (…). Il est incongru pour un symbole de justice de diriger ainsi un pays’, a-t-il estimé…

Mercredi, cette dernière est sortie de son silence pour dénoncer un ‘iceberg de désinformation’ dans la crise dans son pays.

‘Já estou velho, fraco e oficialmente aposentado, mas estou quebrando o meu voto de silêncio pela grande tristeza que sinto em relação à trágica situação [dos rohingyas]’, declara Desmond Tutu em carta dirigida à ganhadora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

Ele prossegue: ‘Se o silêncio foi o preço politico que pagou para alcançar a ascensão política na Birmânia, então o preço foi alto demais […]  É incongruente para um símbolo da justiça governar o país dessa maneira’.

Na quarta-feira, Ang San Suu Kyi pronunciou-se para denunciar o que chamou de ‘iceberg de desinformação’ sobre as notícias da crise no país.

Ahmadou Mukhtar Kanté — imã, escritor e orador —, também de Dakar, apresentou um ponto de vista inspirado nos ensinamentos do Alcorão, que utilizou em discurso que fez há dois anos:

En 2015, sur invitation de l’ambassadeur du Rwanda au Sénégal, nous avons prononcé un discours lors de la 21ème Commémoration du Génocide (Kwibuka 21) célébrée à Dakar. Qui nous aurait dit qu’en 2017, face au drame qui est en cours en Birmanie, nous aurions recours au même discours assorti de quelques remaniements aux fins d’en faire une contribution adaptée au sujet ?…

C’est après avoir fait le récit de l’épisode fratricide entre les deux fils d’Adam, que le Coran a énoncé deux enseignements éthiques fondamentaux: le crime contre l’humanité et le devoir de la protéger : « (…) C’est pourquoi Nous avons prescrit aux enfants d’Israël que quiconque tuerait une personne non coupable d’un meurtre ou d’une corruption sur la terre, c’est comme s’il avait tué tous les hommes. Et quiconque sauve un seul homme, c’est comme s’il avait sauvé tous les hommes (…) » (Coran 5 : 32) Ces versets nous indiquent combien il est grave de refuser à l’autre la dignité d’humain et le droit à la vie.

Em 2015, a convite do embaixador de Ruanda no Senegal, discursamos sobre o 21° Aniversário do Genocídio (Kwibuka 21), celebrado em Dakar. Quem teria imaginado que em 2017, diante da tragédia em curso na Birmânia, teríamos que recorrer aos mesmos argumentos e retórica, com apenas alguns ajustes para contribuir adequadamente à discussão? […]

Após mencionar o fratricídio na história dos dois filhos de Adão, o Alcorão enuncia dois ensinamentos éticos fundamentais — o crime contra a humanidade e o dever de protegê-la: ‘(…) Aquele que salva um ser humano, é como se houvesse salvo a humanidade’. (Alcorão  5:32). Esses versos mostram a gravidade de se negar ao próximo a dignidade humana e o direito de viver pacificamente.

No site Justice.Info, o conselheiro especial senegalês da Organização das Nações Unidas Adama Dieng fez a seguinte declaração sobre a prevenção do genocídio:

Les Rohingyas vivant au Myanmar n’ont pas droit à une identité nationale. Ils ont été dépouillés de  leur citoyenneté. Ils sont apatrides. Pendant plusieurs années, ils ont souffert de pratiques et de politiques sévères de discriminations ainsi que de restrictions touchant à l’exercice de droits fondamentaux, y compris la liberté de mouvement, le droit de se marier et de fonder une famille. Des milliers de Rohingyas déplacés par les violences de 2012 vivent reclus dans des camps de déplacés, tandis que d’autres milliers n’ont eu d’autre choix que de fuir par terre ou mer. Beaucoup d’entre eux se sont retrouvés victimes des réseaux de trafic humain ou ont péri en voulant se rendre dans d’autres pays de la région. Au Myanmar, une campagne dangereuse conduite par des extrémistes proférant des discours de haine antimusulmans et anti-Rohingya pourrait conduire à davantage de violence.

Os rohingyas que vivem em Myanmar não têm direito a uma identidade nacional. São apátridas. Há anos, sofrem com práticas e políticas discriminatórias que violam direitos humanos básicos, tais como o direito de ir e vir, e de casar e constituir uma família. Milhares de rohingyas, deslocados devido à violência que sofreram em 2012, vivem isolados em acampamentos, enquanto outros milhares não têm escolha senão fugir por terra ou mar. Muitos são vítimas de tráfico de pessoas ou morrem rumo a outros países da região. Em Myanmar, uma campanha perigosa liderada por extremistas está difundindo um discurso tóxico, anti-muçulmano e anti-rohingya, que pode gerar ainda mais violência.

Em Burkina Faso, o blog Net Afrique foi um dos meios de comunicação que comentaram a situação:

Le gouvernement birman, au premier rang duquel l’ex-opposante Aung San Suu Kyi, rejette les accusations de l’ONU de possibles « crimes contre l’humanité » commis par l’armée depuis fin 2016 contre les Rohingyas. Traités comme des étrangers en Birmanie, ils y restent apatrides, privés de tout droit, même si certains vivent dans le pays depuis des générations.

O governo da Birmânia e, principalmente, Aung San Suu Kri, negam as acusações feitas pelas Nações Unidas de possíveis ‘crimes contra a humanidade’, cometidos pelo Exército no final de 2016 contra os rohingyas. Tratados como estrangeiros na Birmânia, eles permanecem apátridas e têm os seus direitos negados, mesmo tendo vivido no país há várias gerações.

O pesquisador nigeriano Labaran Yusuf, da cidade de Jos, ressaltou fatos históricos que enfatizam a injustiça e a ausência de qualquer justificativa para a perseguição aos rohingyas:

Les Rohingya, une minorité ethnique musulmane d'environ 1,3 million dans le Myanmar à prédominance bouddhique (anciennement la Birmanie), sont considérées comme la minorité la plus persécutée au monde.

Les Rohingyas, selon de nombreux historiens et associations Rohingya, sont probablement arrivés dans ce qui était alors le royaume indépendant d'Arakan (maintenant Rakhine) dès le 8ème siècle. Ils étaient des gens de mer et des commerçants du Moyen-Orient et ils ont été rejoints au XVIIe siècle par des dizaines de milliers de musulmans bengalis capturés par les raiders Arakanais…

Avec la conquête britannique d'Arakan en 1825, l'Arakan et la Birmanie ont été administrés dans l'ensemble indien britannique. Des milliers de travailleurs du Bengale et de l'Inde ont migré vers ce que l'on appelle maintenant Myanmar, et cette migration était considérée comme interne, selon Human Rights Watch (HRW). Cependant, cette migration des travailleurs a été considérée négativement par la majorité de la population autochtone.

Après l'indépendance d'avec la Grande-Bretagne en 1948, le gouvernement birman a refusé de reconnaître les Rohingya comme citoyens birmans.

Atacados impunemente, privados do direito ao voto e expulsos de suas casas, os rohingyas — minoria étnica muçulmana, de cerca de 1,3 milhão, em uma Myanmar (anteriormente Burma) de predominância budista — são considerados a minoria mais perseguida do mundo.

Os rohingyas, segundo muitos historiadores e grupos rohingyas, provavelmente chegaram no então reino independente de Arakan (atual estado de Rakhine) no século VIII. Eram pescadores e comerciantes do Oriente Médio que se juntaram, no século XVII, a dezenas de milhares de muçulmanos bengalis capturados pelos arakans. ‘Rohingya’ significa simplesmente ‘habitante de Rohang’, ou Arakan, termo muçulmano antigo. O reino de Arakan foi posteriormente conquistado pelo exército birmano em 1785.

Após a conquista britânica de Arakan em 1825, Arakan e Birmânia passaram a ser administradas como parte da Índia britânica. Milhares de trabalhadores de Bangladesh e da Índia migraram para a região hoje conhecida como Myanmar, e tal migração foi considerada interna, de acordo com a Human Rights Watch (HRW). No entanto, a migração de trabalhadores foi mal recebida pela maioria da população nativa.

Após a independência do Reino Unido em 1948, o governo da Birmânia se recusou a reconhecer os rohingyas como cidadãos birmanos. O governo considerou ‘ilegal’ a migração ocorrida durante o período colonial, o que levou muitos budistas a classificarem pejorativamente os rohingya de ‘Bengalis’, uma invenção recente criada por motivos políticos. Após o golpe militar de 1962, a situação piorou ainda mais para os rohingyas, principalmente pelo fato de possuírem apenas cédulas de identidade de estrangeiros, que limitavam as oportunidades de trabalho e educação.

Diallo Boubacar, da Guiné, reagiu a uma publicação no Facebook sobre a história da solidariedade africana com a luta de Aung San Suu Kyi pela liberdade:

On s'est battu a l'epoque pour Cette dame de Rangun, pour sa liberation de soi disant captivity de la junte birmane.
A present on est estomaque.

Na época, lutamos por essa senhora de Rangum [Aung San Suu Kyi], por sua liberdade do chamado cativeiro mantido pela ditadura birmanesa.

Mas agora estamos chocados.

Hocine Berkane, da capital argelina Argel, acredita que o que está acontecendo neste momento na Birmânia é uma vergonha para a humanidade:

C'est une honte pour toute l'humanité l'être humain a perdu toutes les valeurs qui font de nous des humains privilégiés par Dieu sur toutes ses créatures vivantes nous sommes devenus pire que les bêtes sauvages. On est entrain de revenir à l'âge de la pierre.

Isso é uma vergonha para a humanidade. Os seres humanos perderam os valores que Deus nos deu e fez de nós uma espécie privilegiada entre os demais seres vivos, mas acabamos nos tornando piores que feras selvagens. Estamos voltando à idade da pedra.

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