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Um casal de transgêneros indianos recebe ameaças de morte depois de anunciar planos de casamento e adoção

Sukanyeah Krishna e Aarav Appukuttan. Crédito de Imagem: Sukanyeah Krishna. Usado com permissão.

Aarav Appukuttan e Sukanyeah Krishna estão apaixonados. O casal transgênero, Appukuttan nasceu mulher e Krishna nasceu homem, se conheceram enquanto aguardavam o processo de cirurgia de mudança de gênero na Capital Financeira da Índia, Mumbai, três anos atrás. O romance, baseado em uma paixão compartilhada por direitos e lutas com identidade de gênero, floresceu tanto que decidiram se casar.

Seus planos para o casamento e, eventualmente, a adoção de crianças fez manchetes em todo o mundo, mas a alegria pela solidariedade internacional tornou-se ansiedade depois de receberem ameaças de morte nas mídias sociais. Após apresentar reclamações oficiais na polícia, o casal tentou seguir em frente com sua defesa. Eles também buscaram ajuda através de crowdfunding para suas cirurgias, mas receberam mais comentários negativos e piadas. Isso veio através de vários canais, incluindo o Facebook, onde são proibidas ameaças de violência e discurso de ódio, mas nem sempre são removidas pela empresa.

O casal decidiu então acabar com sua campanha de crowdfunding. Sukanyeah escreveu no Facebook sobre as ameaças de morte:

I'm sharing a screenshot of a video Published in ScoopWhoop News. Below that video there is a comment published by a person named “Mayank”, and he is calling out to “Kill us Both.” Certainly! It's from a Fake Profile.

Now my reply to Mayank:
Man, we both might be ‘Gays’ for your eyes! But we've shown enough guts to come out in the public and reveal who we are, what we are planning… Do you have enough guts to use your own name and picture in a facebook profile and make such a comment? If you have enough “Mardangi” (manhood), do that! We're waiting…

I know there many psychos and phobics out there in the middle, but why are you targeting us? Just because, we live a REAL Life? without hiding ourselves? We too have the same rights to live in this world, as you all are having… We aren't disturbing anyone else. In fact, we've to fight a lot to survive itself. We don't enjoy any privileges to make it easier So Please… Live and Let live!

Estou compartilhando uma captura de tela de um vídeo publicado no ScoopWhoop News. Abaixo desse vídeo, há um comentário publicado por uma pessoa chamada ‘Mayank’, e ele está gritando para ‘Matar a nós dois’. Certamente! É de um perfil falso.

Agora, minha resposta a Mayank:
Cara, nós dois podemos ser ‘Gays’ aos seus olhos! Mas nós mostramos coragem suficiente para sair em público e revelar quem somos, o que estamos planejando… Você tem coragem suficiente para usar seu próprio nome e imagem em um perfil do Facebook e fazer esse comentário? Se você é macho o suficiente, faça isso! Nós estamos esperando…

Conheço muitos psicóticos e fóbicos lá fora, mas por que você está focando em nós? Só porque vivemos uma vida REAL? Sem nos escondermos? Nós, também, temos os mesmos direitos de viver neste mundo, como todos vocês… Não estamos perturbando ninguém. Na verdade, temos que lutar muito para sobreviver. Nós não desfrutamos de privilégios para tornar a vida mais fácil. Então, por favor… Viva e deixe viver!

Em 2014, o Supremo Tribunal da Índia declarou os transexuais um “terceiro gênero”, uma decisão que protege seu acesso à educação e ao emprego. No entanto, o estigma permanece, e os transgêneros são muitas vezes alvos de assédio e ataques, ou mesmo forçados a implorar ou se prostituir para sobreviverem. De acordo com uma pesquisa feita com 2.169 transgêneros pelo Swasti Health Resource Center, na Índia, quatro em cada 10 indivíduos sofreram abuso sexual quando atingiram a puberdade.

Esta realidade levou pessoas como Aarav e Sukanyeah a lutar. O Global Voices falou com o casal em uma entrevista telefônica. Abaixo está uma breve transcrição.

Global Voices (GV): Vocês receberam ameaças de morte em mídias sociais. Como isto afetou vocês?

Sukanyeah: We've received varied responses from people. While some are super appreciative others have issued threats saying, “Kill the LGBT dogs” on Facebook. I don't now why we are being targeted but it's very similar to the transphobia and homophobia that triggered the Orlando massacre [in the United States in 2016]. People think we are outcasts or aliens but we are not the ones creating problems. We just keep to ourselves and still face attacks. They don't know anything about us, gender identity disorder yet they read headlines and abuse us. It hurts us and demeans our struggle to a greater extent.

In fact, now, we are even scared to publish our wedding dates and our security will get compromised. We are poor and we don't know how to handle goons if they threaten us so our best chance is to get a private wedding ceremony done.

This negative feedback is forcing us to hide. It takes a lot of courage to come out in the first place and accept your identity.

Sukanyeah: Recebemos respostas variadas das pessoas. Enquanto alguns são super positivos, outros nos ameaçaram dizendo no Facebook: “Mate os cachorros LGBT” . Eu não entendo porque estamos sendo alvo, mas é muito semelhante à transfobia e à homofobia que desencadeou o massacre de Orlando [nos Estados Unidos em 2016]. As pessoas pensam que somos marginais ou alienígenas, mas não somos aqueles que criam problemas. Nós simplesmente nos mantemos e ainda enfrentamos ataques. Eles não sabem nada sobre nós, de desordem de identidade de gênero, mas eles leem as manchetes e abusam de nós. Dói e degrada nossa luta demais.

De fato, agora, estamos com medo de publicar a data de nosso casamento e colocar a nossa segurança em risco. Nós somos pobres e não sabemos como lidar com esses bandidos caso façam algo contra nós, então, nossa melhor opção, é ter uma cerimônia privada.

Esse retorno negativo está nos forçando a nos esconder. É preciso muita coragem para aparecer e aceitar sua identidade.

Aarav: We have filed complaints against a few accounts on social media for issuing death threats against us. Most of them are fake and based out of Kerala. We try and be as polite as possible in our responses but sometimes, it's just hard to be kinder when they want to end our lives and it is disturbing

Aarav: Nós apresentamos queixas contra algumas contas nas mídias sociais por causa de ameaças de morte contra nós. A maioria delas é falsa e baseada fora de Kerala. Nós tentamos ser tão educados quanto possível em nossas respostas, mas, às vezes, é difícil ser gentil quando querem acabar com nossas vidas e isso é perturbador.

GV: E as respostas positivas?

Aarav: We are happy, we have received a positive response from everyone across the world except some miscreants locally. We are happy people are trying to understand our situation and it gives out a bigger and much significant message of acceptance of the gender-identity disorders.

Aarav: Estamos felizes. Recebemos respostas positivas de toda a parte do mundo, exceto de algumas pessoas mal-intencionadas. Estamos felizes porque as pessoas estão tentando entender nossa situação e isso nos transmite uma mensagem importante sobre a aceitação em relação aos distúrbios de identidade de gênero.

GV: E quais são os planos para o casamento? Vocês esperam ter algum problema legal?

Aarav: We don't expect any legal hassles from our marriage under India's article 377 as we both are legally male and female now. Officially, we have received our government documents as well and are waiting for more documents before we can solemnize our marriage.

Aarav: Não esperamos ter nenhum problemas legais em nosso casamento, que está validado sob a cláusula 377, na Índia, e porque somos homem e mulher agora. Já recebemos nossos documentos oficiais e estamos aguardando mais alguns documentos necessários para que possamos celebrar nosso casamento.

GV: Como vocês se conheceram?

Aarav: We met three years ago outside at a doctors clinic where Sukanyeah had come for her treatment. I heard her talking in Malayalam and that's how we started talking. My family is supportive of our union.

Aarav: Nos conhecemos três anos atrás na clínica onde Sukanyeah iniciou seu tratamento. Eu a ouvi falando em malaiala e foi assim que começamos a conversar. Minha família apoia a nossa união.

GV: Quais são os planos para o futuro?

Aarav: We want to start a non-governmental organization for members of the transgender community and want to create awareness among parents. They should not ignore their children dealing with gender dysphoria or gender identity disorder. They should instead support them and we hope we can set some example. We are hopeful parents will reach out to us and seek our counseling.

Aarav: Queremos criar uma organização não governamental para membros da comunidade de transgêneros e queremos criar consciência nos pais dessas pessoas. Eles não devem ignorar seus filhos quando estes precisarem lidar com disforia de gênero ou transtorno de identidade de gênero. Ao contrário, eles devem dar suporte e esperamos que possamos ser um exemplo para isso. Esperamos alcançar os pais e que eles nos procurem para aconselhamento.

Sukanyeah: My family disowned me when I was young and let me down because I was a transgender. I faced many troubles and left home at 18 to work in Bangalore and save money for my surgeries. I worked in call centers, worked as a freelance in Information Technology sector and started my hormonal treatment to transition into a woman. That's when my relationship with Aarav blossomed and I don't think seeking support from my family will yield anything positive. I was heartbroken at their rejection but now plan to focus all my energies on starting a non-governmental organization by December to aid other trans individuals.

SukanyeahMinha família me desprezou quando eu era jovem e me decepcionou porque eu era transgênero. Eu enfrentei muitos problemas e saí de casa aos 18 para trabalhar em Bangalore e economizar dinheiro para minhas cirurgias. Trabalhei em Call Centers, trabalhei como freelance no setor de tecnologia da informação e comecei meu tratamento hormonal para a transição para me tornar uma mulher. Foi quando meu relacionamento com Aarav aconteceu e eu não acho que buscar apoio da minha família produzirá algo positivo. Fiquei com o coração partido pela rejeição deles, mas agora planejo concentrar todas as minhas energias em iniciar uma organização não governamental em dezembro para ajudar outros indivíduos trans.

GV: Como vocês resumem sua trajetória?

Aarav: After 45 years of hiding behind a woman's mask, I am finally free to live my life as a man and don't take those seriously who want to insult or mock me. Also, I would want to advise those opting for surgeries to go to a renowned doctor instead of falling for botched surgeries which are more dangerous.

Aarav: Depois de 45 anos escondido atrás de uma máscara feminina, estou livre para viver minha vida como homem e não levar tão a sério aqueles que querem me insultar ou zombar de mim. Além disso, eu gostaria de aconselhar aqueles que optam por cirurgias para ir a um médico de renome em vez de cair em cirurgias malfeitas que são mais perigosas.

GV: E sobre começar uma família?

Both Aarav and Sukanyeah: We want a child to complete our family and inspire us to do good for the world and I am sure we will make wonderful parents.

Aarav e Sukanyeah: Queremos um filho para completar nossa família e nos inspirar a fazer algo de bom para o mundo. Tenho certeza de que seremos pais maravilhosos.

O Global Voices usa o GLAAD Media Reference Guide para garantir que nossos relatórios sobre pessoas transgênero sejam respeitosos e eficazes. Nós encorajamos qualquer pessoa que deseje compartilhar ou comentar esta história fazer o mesmo.

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