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Palestino, defensor dos direitos humanos, preso por postagem no Facebook

Foto do defensor dos direitos humanos palestino Issa Amro. Fonte: Youth Against Settlement por sua conta no Twitter.

A Autoridade Palestina (AP) continua reprimindo a liberdade de expressão na Cisjordânia, desta vez prendendo o proeminente palestino e ativista dos direitos humanos Issa Amro, por criticar a prisão de um jornalista em uma postagem no Facebook.

Issa Amro mora na cidade de Hebrom, na Cisjordânia, e é coordenador e cofundador do movimento social Youth Against Settlements, que documenta as violações dos direitos humanos cometidos por militares e colonos israelitas. Amro é um reconhecido defensor dos direitos humanos pela União Europeia e pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Como um dos mais proeminentes defensores da resistência sem violência da Palestina, Amro também enfrenta desafios legais do governo de Israel. Em outro processo na corte militar israelense, ele responde por 18 acusações, como incitação à violência, decorrente de suas atividades de protestos políticos. Seu julgamento começou em 3 de setembro, mas logo foi adiado para 22 de outubro. Especialista em direitos humanos da ONU, a Anistia Internacional e vários legisladores dos EUA condenaram as acusações contra Amro.

Segundo o irmão de Amro, ele foi convocado pela Força de Segurança Preventiva Palestina na manhã de 4 de setembro, quando foi interrogado sobre uma postagem no Facebook, na qual criticava a Autoridade Palestina por prender o jornalista Ayman Qawasmi no dia anterior.

Qawasmi chefia uma rádio local chamada Manbar al-Hurriya, que foi invadida pelo exército israelense em 3 de setembro e obrigada a parar as atividades por seis meses sob a alegação de “incitamento”. Qawasmi depois foi preso pela força de segurança da AP por criticar abertamente a Palestina e pedir a renúncia do presidente palestino Mahmoud Abbas e do primeiro-ministro Rami Hamdallah.

A verdadeira postagem não pôde ser recuperada já que a conta de Amro no Facebook não está mais visível na plataforma, presumidamente devido a ter sido desativada ou apagada. Porém, uma captura de tela foi salva e publicada pelo Youth Against Settlement. Na postagem, Amro denuncia a prisão de Qawasmi e apela à AP para que respeite e proteja a liberdade de expressão e opinião, e suas obrigações internacionais.

Qawasmi foi libertado em 6 de setembro, mas Amro continua preso. Também no dia 6, a promotoria pública palestina estendeu a prisão de Amro por 24 horas e o acusou de causar tensões sectárias e insultar o presidente da AP ou “falar com insolência”.

Últimas notícias: promotor da AP estende detenção de defensor de direitos humanos @Issaamro 24 horas sob acusação de “causar tensões sectárias.” @hrw responde

Em uma declaração publicada pelo Youth Against Settlements, Amro disse antes de ser preso:

[…]

My arrest will not affect my defense of human rights and the rights of journalists to exercise their work freely and without pressure from the government.

On 6 September, Youth Against Settlement tweeted that Amro is going on a hunger strike to protest his unlawful arrest:

 

A minha prisão não afetará a minha defesa dos direitos humanos e dos direitos dos jornalistas para que exerçam seu trabalho com liberdade e sem a pressão do governo.

Em 6 de setembro, a Youth Against Settlement tuitou que Amro está fazendo greve de fome em protesto por sua prisão ilegal:

ATUALIZAÇÃO @Issaamro continua preso pela AP. A acusação é ‘falar demais e causar conflito’ ao insultar o presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina.

A Anistia Internacional condenou sua prisão, chamando de “ataque vergonhoso à liberdade de expressão” e apelando por sua imediata libertação. “A prisão de Amro é a mais recente prova de que as autoridades palestinas estão determinadas a continuar com a campanha de repressão à liberdade de expressão”, disse Magdalena Mughrabi, vice-diretora da Anistia para o Oriente Médio e Norte da África.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também publicou uma declaração na segunda-feira, expressando preocupação com a prisão de Amro e exortando sua libertação.

Nos últimos meses, a AP tem intensificado a repressão das liberdades da mídia e da imprensa, e também a liberdade de expressão on-line, prendendo jornalistas e ativistas, bloqueando sites de opositores e críticos e adotando uma lei de crime cibernético draconiana. O único crime de Amro é ter se manifestado contra a prisão de Qawasmi e violações contra a liberdade de expressão cometidas pela AP. Agora ele se tornou um alvo.

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