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Cidade de Arbin, na Síria, se recupera após ser vítima de um trágico ataque aéreo durante cessar-fogo

Dois pacientes de um hospital em Arbin, que foram feridos durante o ataque mais recente. Imagem de Qusay Noor. Reproduzida com permissão.

Advertência: este post contém imagens fortes. 

Apesar de um período de trégua, aviões de combate atacaram a cidade síria de Arbin, no interior de Damasco, no dia 24 de julho de 2017, matando 11 cidadãos e ferindo pelo menos outros 30.

A cidade apoia a revolução da Síria, que começou há seis anos, e está fora do controle das forças armadas do presidente Bashar al-Assad e de grupos militantes como o Estado Islâmico. Arbin, que fica a sete quilômetros a nordeste de Damasco, é a primeira cidade da região leste de Ghouta, adjacente do bairro damasceno de al-Qaboun em um lado e próximo das cidades de Zamalka, Harasta, Madyara e Hamoriah no outro.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os aviões pertenciam ou ao governo Assad, ou a seu aliado, a Rússia. Contudo, um oficial militar russo declarou que os relatos sobre os ataques aéreos são “uma grande mentira”.

Global Voices entrevistou Qusay Noor, jornalista cidadão e fotógrafo em Arbin que entrou em contato conosco logo depois do bombardeamento. Ele disse que os ataques atingiram a cidade logo depois do pôr do sol, por volta das 19h30, deixando muitos em pânico antes de ocorrer pela segunda vez, às 23h30. Outros habitantes deram depoimentos semelhantes à agência de notícias AFP.

Abaixo, algumas imagens capturadas por Noor, reproduzidas com permissão do autor. Global Voices recebeu mais de 100 fotos, mas decidiu não publicar as mais fortes delas, pois podem ser acessadas no Twitter de Noor. As imagens mostram tanto a destruição das infraestruturas civis quanto os cidadãos feridos e mortos durante o ataque.

Arbin após o bombardeamento. Imagem de Qusay Noor. Reproduzida com permissão.

Arbin após o bombardeamento. Imagem de Qusay Noor. Reproduzida com permissão.

Arbin após o bombardeamento. Imagem de Qusay Noor. Reproduzida com permissão.

A reportagem da AFP adiciona que:

Um correspondente da AFP que visitou o hospital da cidade na terça-feira encontrou no mínimo cinco pequenos cadáveres, posicionados no chão e embrulhados em sudários brancos. Dois deles eram menores de dois anos.

A agência de notícias Qasioun e a rede Aldorar Alshamia relatam que, de acordo com a prefeitura de Arbin, oito mísseis a vácuo foram utilizados em um dos ataques aéreos.

Uma declaração, em árabe, da prefeitura de Arbin, publicada no Facebook. Clique no link para ampliar a imagem.

O ataque ocorreu logo depois que a Rússia anunciou um acordo de cessar-fogo no dia 22, entre o governo de Assad e a prefeitura do leste de Ghouta, que também inclui a prefeitura de Arbin (prefeituras como essas foram criadas em áreas controladas por militantes rebeldes para preencher a lacuna criada pela ausência do governo). No dia 23 de julho de 2017, a região de Ghouta era descrita como “tranquila” em grande parte, apesar de dois casos de ataques cometidos pelo regime sírio.

Em uma declaração pública, a prefeitura de Arbin disse que:

Nós condenamos o silêncio internacional diante dos massacres cometidos pelas milícias de Assad e pelos governos que colaboram com o presidente na parte leste de Ghouta, inclusive o mais recente do dia 24 de julho de 2017.

E também destacou dois pontos:

1- Não existe presença militar em Arbin.

2- Este ato foi uma violação das leis e normas internacionais, uma transgressão do acordo de cessar-fogo.

A prefeitura também organizou uma coletiva de imprensa no dia 25 de julho de 2017, denunciando o “massacre” e solicitando que a comunidade internacional tome providências para mediar o acordo de cessar-fogo, destacando o seu dever de proteger os cidadãos do mundo.

Não é a primeira vez que as forças de Assad atacam a cidade. De fato, Arbin foi alvo do regime e seus aliados várias vezes nos últimos seis anos, e também sofreu violações de direitos humanos cometidas por insurgentes rebeldes. 

O projeto “Creative Memory of the Syrian Revolution” (Memória Criativa da Revolução Síria), é uma das iniciativas que destaca os vários atos contra Arbin desde 2011, inclusive os bombardeamentos que ocorrem desde 2012. Seguem aqui alguns exemplos:

De acordo com o Centro de Documentação das Violações na Síria, 1.139 pessoas foram mortas em Arbin desde o dia 1º de março de 2015.

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