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Apelo para imaginar um mundo diferente um ano após assassinato em massa no Japão

Japan disability

Sachiko, papeleira e residente de um lar para pessoas com necessidades especiais, recorta uma carta escrita pelo suposto autor do maior assassinato em massa no Japão desde a Segunda Guerra Mundial, para fazer papel. Imagem capturada do YouTube.

O dia 26 de julho marcou um ano do assassinato de 19 pessoas portadoras de deficiências mentais em um lar assistencial na cidade de Sagamihara, cerca de 50 quilômetros a oeste de Tóquio. Embora o suspeito Uematsu Satoshi tenha admitido a matança de 19 residentes do asilo e ter ferido outros 26 em um ataque premeditado à faca realizado com uma precisão metódica, o caso ainda não foi levado a julgamento.

O Massacre de Sagamihara e o diálogo nacional – ou a falta dele – reflete a maneira como as pessoas portadoras de deficiências são frequentemente ignoradas no Japão. A polícia local inclusive implementou uma proibição de publicação dos nomes das vítimas, que eram todas portadoras de deficiência, tornando difícil a discussão acerca do fato.

Uematsu Satoshi, o suspeito que admitiu o crime, é ex-funcionário da instituição. A administração percebeu que Uematsu era uma ameaça aos residentes e o demitiu antes do ataque. Ele havia de fato declarado sua intenção de matar os residentes do asilo por meio de uma carta enviada a um político local. Na carta, que pode ser lida na íntegra nesse link, Uematsu cuidadosamente descrevia seu plano de matar os residentes da instituição e afirmava que “os deficientes só conseguem causar sofrimento” e por isso deveriam ser eliminados. A carta foi ignorada.

Em resposta à carta de Uematsu e para marcar o primeiro ano dos assassinatos de Sagamihara, a organização sem fins lucrativos L'Arche, que se dedica à promoção da qualidade de vida de pessoas portadoras de deficiências intelectuais, lançou um pequeno web vídeo chamado #As I Am: Nineteen Paper Cranes:

O vídeo foi produzido pela L'Ache do Japão, que administra uma comunidade para pessoas portadoras de deficiências intelectuais na província de Shizuoka, que é vizinha da província de Kanagawa, onde os assassinatos ocorreram. O vídeo de curta duração apresenta Sachiko, uma residente do lar, que fabrica o tradicional papel japonês.

Após o choque de descobrir sobre os homicídios em Sagamihara em 26 de julho de 2016 e o que motivou o suposto assassino Uematsu Satoshi, Sachiko e seus companheiros de residência reagiram ao incidente criando 19 aves de papel feitos com tradicional papel japonês – um pássaro para cada pessoa morta no lar assistencial de Sagamihara. Sachiko fez os pássaros com uma cópia idêntica do papel da carta que Uematsu havia enviado ao político da região, onde ele havia defendido a inutilidade das pessoas portadoras de deficiências.

O vídeo termina com as palavras: “imagine o mundo diferente” e também pede aos espectadores que questionem seus conceitos sobre as pessoas portadoras de deficiências.

O vídeo faz parte da web série #As I Am criada pela L'Arche com a intenção de chamar a atenção sobre as vidas das pessoas portadoras de deficiências intelectuais ao redor do mundo.

Em um comentário no YouTube, um representante da L'Arche americana disse: “Nós criamos essa web série porque acreditamos que as pessoas portadoras de deficiências intelectuais vivem na sombra de uma perspectiva permanente – e presente em todas as culturas – de que são indesejáveis. Essa é uma das graves injustiças do nosso mundo. E uma que nós podemos mudar.”

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