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Dirigente condenado por corrupção em Moçambique volta a ocupar antigo cargo após sair da prisão

Diodino Cambaza presidiu o conselho de administração da Aeroportos de Moçambique entre 2005 e 2008. Foto: Gustavo Sugahara/Flickr, CC BY 2.0

Moçambicanos reagiram com indignação a um caso de corrupção perpetrado por um dirigente público, que após cumprir metade da pena de prisão voltou a integrar o aparelho de Estado na mesma instituição onde cometeu tais actos.

Trata-se de Diodino Cambaza que foi detido em 2008 e condenado em 2010, junto a quatro outros réus, a 22 anos de prisão por desviar 54 milhões de meticais (880 mil dólares) de fundos públicos da empresa Aeroportos de Moçambique, cujo conselho de administração presidiu entre 2005 e 2008. Cambaza foi libertado em 2016 por bom comportamento e imediatamente solicitou sua reintegração à empresa, oficializada no último dia 19.

De acordo com um parecer da Procuradoria Geral da República, que avaliou a solicitação, não há impedimento para que Cambaza volte a ocupar seu antigo cargo porque a empresa não realizou um processo disciplinar após sua prisão. No entanto, vários cidadãos não encararam a açção com bons olhos.

O Centro de Integridade Pública, instituição local que actua em prol da transparência pública, condenou a decisão da empresa em reintegrar o governante em entrevista a Deutsche Welle:

[A reintegração de Diodino Cambaza] representa um revés nos esforços da luta contra corrupção, falta de transparência e até nos esforços da justiça, diz o CIP. O que notamos é que o que deveria ter sido feito era também a empresa proceder disciplinarmente contra o infractor. Mas quer nos parecer que a empresa refugiou-se no silêncio, não instruiu o competente procedimento disciplinar para a aplicação das devidas funções.
Egídio Vaz, um grande influenciador das redes sociais moçambicanas, também repudia esta atitude e considera o caso nojento:
Se Cambaza fosse um tipo competente, seria consultor, depois de ser condenado e cumprir metade da pena. Daria palestras pagas e discursos motivadores, faria consultoria e reformaria com imagem reservada. Mas porque é incompetente, aceitou ser reintegrado na empresa que ajudou a prejudicar. Portanto, está claro: Cambaza gosta mesmo é estar amarrado para comer. Nojento!
Bitone Viage, jovem moçambicano e estudante de Ciência Política no Brasil, refere que o governante não possui moral nenhuma:

Cambaza Premiado por um Estado por ele Ofendido

Não estou em crer que se tenha premiado desta forma, alguém que um dia ofendeu gravemente o Estado. Cambaza não tem a moral para voltar a servir o Estado,*já teve uma oportunidade ímpar de servi-lo, mas este por sua vez apenas serviu-se do Estado. Cambaza usou o Estado como se dum cofre inesgotável se tratasse, e o próprio Estado se cansou deste senhor, sendo este por sua vez, intimado, julgado e por fim condenado à uma pena de prisão maior. Sinceramente falando não sei porquê este senhor foi premiado desta forma.

Francey Zeúte prefere lembrar o primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, para realçar que o lugar de ladrão é na cadeia:

Lugar de ladrão é na cadeia

Samora Machel será eternamente lembrado pelos moçambicanos não apenas por ter sido o primeiro Presidente de Moçambique independente, mas também pelos seus discursos contundentes, incisivos e, diga-se de passagem, proféticos. Uma das suas mais célebres exposição oral foi quando afirmou peremptoriamente que “um ambicioso é capaz de tudo, de vender a Pátria só por causa da sua ambição, do seu interesse individual”. Samora disse ainda que “não sei se um ambicioso muda, mas a minha experiência prova que não, muda de táctica, mas não elimina a ambição. Um ambicioso é criminoso ao mesmo tempo”.

No twitter, as reacções foram também de repúdio:

Emildo Sambo, do jornal @Verdade, considera que o crime compensa em Moçambique:

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