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Morre esfaqueado o blogueiro e ativista maldivano Yameen Rasheed

Uma captura de tela da entrevista com Yameen Rasheed, transmitida no YouTube pelo jornalista e blogueiro nepalês Ujjwal Acharya.

O blogueiro e ativista maldivano Yameen Rasheed, 29, foi morto for esfaqueamento em Malé, capital de Maldivas, na madrugada do dia 23 de abril de 2017.

Rasheed ficou conhecido pelas suas críticas contra o governo e o islamismo radical em seu blog, The Daily Panic, e através da sua conta no Twitter (@Yaamyn). A morte dele espantou seus seguidores maldivanos, que lamentaram a perda e expressaram suas preocupações nas redes sociais. Alguns até exigiram a realização de um inquérito internacional.

Rasheed foi encontrado as 3h00 da manhã, na escadaria do seu apartamento, com múltiplas punhaladas em seu corpo. Ele morreu logo depois que chegou ao hospital. Rasheed foi esfaqueado em 16 locais diferentes: foram encontradas 14 punhaladas em seu peito, uma no pescoço e uma na cabeça. Antes de ser morto, ele tinha recebido várias ameaças por SMS e nas redes sociais, que foram denunciadas a polícia.

Além de suas publicações online, Rasheed também era ativista. No dia 1º de maio de 2015, ele foi preso durante um protesto contra o governo, junto com dezenas de outros manifestantes, ficando detido por 21 dias.

Rasheed trabalhava como profissional de TI para a bolsa de valores de Maldivas. Em honra dele, a sede do mercado financeiro fechou suas portas, em luto, no dia 23 de Abril.

O porta-voz do Presidente Abdulla Yameen tuitou que o governo “proverá a justiça”. O público também está sendo incentivado a fornecer informações que podem ser úteis na resolução desse caso.

#PresidenteYameen manda mensagem de pêsames para a família de Yameen Rasheed

Esse tweet do ex-presidente maldivano Maumoon Abdul Gayoom reflete os sentimentos de muitos internautas:

Extremamente chocado com a morte do ativista das redes sociais Yameen Rasheed. Que Allah abençoe sua alma! Os assassinos precisam ser condenados.

Outro ex-presidente, Mohamed Nasheed, exigiu a realização de um inquérito:

Uma voz corajosa foi brutalmente silenciada. Somente uma investigação imparcial, livre, e com participação internacional proverá justiça para @yaamyn.

Amigos de Rasheed, inclusive membros da sociedade civil, também lamentaram sua morte:

Yameen Rasheed foi um defensor dos direitos humanos corajoso e um blogueiro eloquente. A comunidade protetora dos direitos humanos não deixará esse assassínio brutal passar despercebido. Descanse em paz.

Que dia triste! Perdemos nosso querido amigo e irmão @yaamyn

Nunca te esqueceremos. Que Allah te entregue ao Jannatul Firdous [o Jardim do Paraíso na crença islâmica]… amém.

Entre eles está o ativista e cidadão maldivano Muju Nasim, que escreveu sobre a série de vídeos que ele produziu em colaboração com seu amigo Rasheed:

Anyone who would like to know more about Yameen Rasheed and the kind of human being that he was, you can watch the web video series (This week in Maldives) we were doing together.

We were only able to record a few episodes when we were forced to stop the series fearing for his safety as I have been based overseas for the last 5 years.

Qualquer pessoa que quiser saber mais sobre Yameen Rasheed, e o tipo de pessoa que ele era, deve assistir a web série que nós estávamos fazendo juntos, chamada This week in Maldives [Essa semana em Maldivas]

Só conseguimos gravar alguns episódios antes de sermos forçados a interromper a série, já que temíamos pela segurança dele, e eu vivo fora do país há mais de cinco anos.

Maldivas tem um histórico preocupante de matanças extrajudiciais, dirigidas a jornalistas, ativistas e blogueiros.

O blogueiro, ativista LGBT e jornalista Ismail Khilath Rasheed, também conhecido como Hilath, foi esfaqueado em Junho de 2012 por islamitas radicais.

Semelhante ao assassinato de Rasheed, Dr Afrasheem Ali, membro do parlamento que representava o Partido Progressivo das Maldivas (PPM), foi brutalmente apunhalado fora de sua casa em outubro de 2012.

Rasheed era amigo próximo de Ahmed Rilwan Abdulla, outro jornalista, blogueiro e ativista de direitos humanos bem conhecido que desapareceu em 2014 (veja a reportagem do Global Voices). Desde então, Rasheed continuou a buscar justiça para Rilwan e, recentemente, estava auxiliando a família dele a fazer uma denúncia contra a polícia maldivana, relacionada a investigação da morte de Rilwan.

O blogueiro Amira opina que a morte de Rasheed não fora um caso isolado:

This cannot be an isolated incident of a lunatic running around killing people. I feel very strongly that this had been planned and executed.

Isso não pode ter sido um caso isolado, de um louco percorrendo e matando outras pessoas. Creio fortemente que o ataque foi bem planejado antes de sua execução.

Em um post no Facebook, Mickail Naseem criticou a polícia por não ter tomado providências contra as ameaças de morte denunciadas por Rasheed:

Cannot trust people at Maldives Police Service who turned a blind eye to death threats against Yameen Rasheed to conduct an impartial investigation into his death.

Não acredito que os oficiais do Serviço Policial de Maldivas, que fecharam os olhos para as ameaças de mortes recebidas por Yameen Rasheed, serão capazes de conduzir uma investigação imparcial sobre o assassínio.

Também no Facebook, Naafiz Abdulla demonstrou sua preocupação sobre os assassinatos direcionados aos cidadãos comuns:

“So called” Paradise on Earth has no public safety for it's citizens. Tomorrow, it could be me, you, or any of us.

Nosso suposto “Paraíso na Terra” não contém segurança pública. Amanhã pode ser eu, você, or qualquer um de nós.

Abaixo, algumas reações a morte de Rasheed, publicadas no Twitter:

Para aqueles que massacraram Afrasheem, abduziram Rilwan e assassinaram Yameen: saibam que suas tentativas de nos silenciar e amedrontar só irão aumentar nossas vozes.

Você matou Rilwan, ele voltou como Yameen, e agora que você se livrou dele outro se revelará. Ninguém consegue matar a verdade.

Quantos Rilwans e Yameens têm que morrer antes que você comece a lutar por uma vida digna?

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