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Conflito no Iêmen afeta seriamente as crianças do país

Captura de tela do documentário de MSF USA 'War in Aden: Surviving the Everyday' mostrando uma criança desnutrida no Iêmen. Fonte: Youtube.

Screenshot from the MSF USA documentary ‘War in Aden: Surviving the Everyday’ showing a malnourished child in Yemen. Source: Youtube.

“A fome é o pensamento mais dominante nas mentes iemenitas durante este período”, escreveu recentemente Yasser Rayes, autor do Yemen Times.

Nos últimos meses, vários grupos humanitários lançaram apelos para combater a questão da fome no Iêmen, agravada em grande parte pelo bombardeio da coligação liderada pela Arábia Saudita no país. Como é frequente, as crianças são as mais afetadas pela crise.

Em agosto de 2016, a correspondente estrangeira da organização humanitária, Médicos Sem Fronteiras (MSF), Sophie McNeill, nomeou esse conflito como “guerra às crianças“. Essa guerra inclui muitos ataques relatados em hospitais pela coligação liderada pela Arábia Saudita, incluindo hospitais geridos pelo MSF, desde o início da guerra civil. Mais notavelmente o bombardeio de um hospital do MSF em Abs, Iêmen do Norte, em 15 de agosto de 2016, que deixou 11 mortos.

Em setembro de 2016, o MSF liberou os resultados de suas investigações sobre os ataques aéreos no hospital de Abs. E em dezembro de 2015, os resultados do ataque a uma clínica em Taiz, uma cidade no sudoeste do Iêmen. A investigação, segundo a CNN, revelou que:

The neutrality and impartiality of the facilities had not been compromised before the attacks and therefore there was no legitimate reason to attack them […] The details of the incidents documented in these two reports are unambiguous indicators of how war is being waged in Yemen, where there is an utter disregard for civilian life by all warring parties.

“A neutralidade e a imparcialidade das instalações médicas do MSF não estavam comprometidas antes dos ataques e, portanto, não havia razão legítima para os atacar. […]Os detalhes dos incidentes documentados nestes dois relatórios são indicadores inequívocos de como a guerra é travada no Iêmen, onde há um total desprezo das partes envolvidas pela vida civil. ”

Os ataques levaram à retirada do MSF da parte norte do país, tornando a situação mais desesperadora.

Os hospitais tornaram-se aparentemente um alvo, aprofundando a crise humanitária que já ocorria no país. De acordo com a Humanosphere:

Some 18 million people need assistance. When the government collapsed, basic services like trash pick-up stopped. And with food supplies cut off, millions are going hungry. The World Food Program projects that the number of food-insecure people could rise from 14 million to 21 million if the situation does not improve. Not only can hunger lead to death, but for those who survive, there are long-term consequences such as stunted growth and irreversible brain damage.

“Cerca de 18 milhões de pessoas necessitam de ajuda. Quando o governo entrou em colapso, serviços básicos como a coleta de lixo parou.  A distribuição de alimentos foi cortada e milhões estão passando fome. O Programa Mundial de Alimentos prevê que o número de pessoas com insegurança alimentar poderá aumentar de 14 para 21 milhões se a situação não melhorar. Não só a fome pode levar à morte, mas para aqueles que sobrevivem, há consequências a longo prazo, como o crescimento atrofiado e danos irreversíveis ao cérebro. ”

O departamento iemenita do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA sigla em inglês) informou que os casos de cólera aumentaram.

” 31 casos confirmados de #Colera no #Iêmen, principalmente em #Sanaa (12) e #Aden (9). Foram informados 644 casos suspeitos.  Organizações humanitárias. Acesse: https://t.co/Pd3iruTzvF

Segundo a UNICEF, pelo menos uma criança morre a cada 10 minutos no Iêmen por causa de doenças evitáveis, como a diarreia, a desnutrição e infecções respiratórias..

“Pelo menos uma criança morre a cada 10 minutos no #Yemen por causa de doenças evitáveis, como diarréia, desnutrição e infecções respiratórias. pic.twitter.com/k56a1SmVGd

Em um relatório, a Unicef no Iêmen declarou:

The conflict in Yemen has taken a devastating toll, particularly on the most vulnerable members of society: children.

Even before the outbreak of conflict in March 2015, Yemen faced challenges from widespread poverty, food insecurity and lack of health services. But now, with more than 3.2 million people displaced, food and fuel imports cut short and livelihoods destroyed, more than four in five Yemenis are in need of some kind of humanitarian assistance.

During the first year of the conflict, more than 900 children were killed, constituting one third of all civilian deaths. Thousands more are wasting away because of deprivations caused by the conflict. UNICEF estimates that 370,000 children in Yemen face severe malnutrition, while 2.2 million children need urgent humanitarian assistance to prevent a further deterioration in their nutritional status. Even after the conflict ends, the effects of malnutrition – stunted growth and delayed cognitive development – may linger. In the worst cases, it is fatal.

The number of out-of-school children – already high before the conflict – has ballooned to 2 million as more than 350,000 additional children have been unable to attend school because of closures. Education for these children cannot wait.

The country’s water and sanitation infrastructure has also been ravaged, posing serious health risks. Restrictions on the importation of fuel have disrupted the delivery of water to millions of people in one of the most water-scarce countries on Earth. Fuel shortages have also curtailed access to health care, as hospitals are unable to power the generators they need to function.

On 6 October 2016, health authorities in Yemen confirmed a cholera outbreak, posing an increased health risk to the population – especially children – given the crumbling health system in the country.

“O conflito no Iêmen tem um preço devastador, particularmente para os membros mais vulneráveis da sociedade: as crianças.

Antes do início do conflito em março de 2015, o Iêmen já enfrentava desafios decorrentes da pobreza generalizada, da insegurança alimentar e com a falta de serviços de saúde. Mas agora, com mais de 3,2 milhões de pessoas desalojadas, as importações de alimentos e combustíveis cortadas e os meios de subsistência destruídos, mais de quatro em cada cinco iemenitas precisam de algum tipo de ajuda humanitária.

Durante o primeiro ano do conflito, mais de 900 crianças foram mortas, constituindo um terço de todas as mortes de civis. Milhares estão sofrendo e passando fome devido às privações causadas pelo conflito. A UNICEF estima que 370.000 crianças no Iêmen enfrentam desnutrição grave, enquanto 2,2 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária urgente para evitar uma maior deterioração do seu estado nutricional. Mesmo após o conflito terminar, os efeitos da desnutrição – crescimento atrofiado e atraso no desenvolvimento cognitivo – irão continuar. Nos piores casos, será fatal.

O número de crianças fora da escola – era alto antes do conflito – e saltou para 2 milhões, as escolas estavam fechadas e mais de 350 mil crianças não puderam ir as aulas. A educação para essas crianças não pode esperar.

A infraestrutura de água e saneamento do país também foram devastadas, o que representa sérios riscos à saúde. As restrições à importação de combustível interromperam a entrega de água a milhões de pessoas em um dos países mais escassos de água da Terra. A escassez de combustível também reduziu o acesso aos cuidados de saúde, já que os hospitais são incapazes de gerar energia necessária para funcionar.

Em 6 de outubro de 2016, as autoridades sanitárias do Iêmen confirmaram um surto de cólera, o que representa um risco maior para a saúde da população – especialmente das crianças – devido ao sistema de saúde que está deteriorado no país.”

Para enfrentar o problema, o UNICEF no Iêmen está solicitando US $ 235.248.126 para 2017.

Captura de tela do relatório que mostra a escala da crise humanitária. Fonte: UNICEF no Iêmen.

Screenshot of the report showing the scale of the humanitarian crisis. Source: UNICEF Yemen.

Em resposta ao apelo da UNICEF, vários grupos humanitários lançaram os seus próprios apelos.

O Programa Mundial de Alimentos presta assistência alimentar de emergência e pediu apoio urgente para ajudar na resposta humanitária, enfatizando as crianças iemenitas:

Save the Children enviou um “alerta de emergência” sobre a situação no Iêmen, dizendo:

War has ripped through what was already the poorest country in the Arab world. A staggering 18 million people are now in dire need of aid. One in three of Yemen’s young children are severely malnourished. And a staggering 7 million children go to bed hungry every night.

“A guerra destruiu o país que já era o mais pobre do mundo árabe. Por volta de 18 milhões de pessoas estão agora em extrema necessidade de ajuda. Uma em cada três crianças pequenas do Iêmen está gravemente desnutrida. E 7 milhões de crianças vão para a cama com fome todas as noites.”

Erin Hutchinson, diretora do Iêmen para a agência de ajuda Action Against Hunger, afirmou: “Estamos vendo uma situação cada vez mais aguda à medida que o conflito continua e não se estabiliza. As necessidades só estão se aprofundando no momento. “

Relief International tem vários programas no Iêmen. A CARE, por sua vez, se concentra em “Serviços de água, saneamento e higiene e serviços de saúde reprodutiva para as populações carentes do Iêmen”.

Nos últimos dias, os usuários de mídia social têm tentado chamar a atenção do mundo para combater a fome infantil usando a hashtag #SOS_YemenGenocide no Twitter.

Dr. RS Karim, co-fundador da ONG ‘Mona Relief Yemen’, twittou:

#Iêmen Crianças famintas por causa do  bloqueio pela coalizão #Saudi