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Subiu para 100 o número de vítimas mortais da explosão de tanque de combustível no centro de Moçambique

Camião-cisterna explode após roubo de combustível, causando vítimas. Foto a partir do Twiter

Camião-cisterna explode após roubo de combustível, causando vítimas. Foto a partir do Twiter

Subiu para 100 o número de mortos na sequência da explosão de um camião-cisterna em Caphiridzange, na província de Tete, centro de Moçambique, informaram as autoridades locais. O incidente aconteceu no dia 17 de novembro quando um grupo de cidadãos tentou roubar o combustível de um camião-tanque que pegou fogo tendo originado a morte instantânea de 43 pessoas e queimaduras em outras 110, entre adultos e crianças.

O Governo veio ontem (29.11) dizer que está a trabalhar afincadamente com o intuito de evitar mais mortes. Mas, mesmo com os esforços, tendo em conta a gravidade dos ferimentos contraídos, o número de mortes não para de subir.

Sobre a última atualização dos acontecimentos, Rafael Machalela escreveu na sua conta de Facebook que:

O número oficial de vítimas mortais na tragédia de Capirizhange já contabiliza uma centena. Esses são números oficiais, mas existe a possibilidade de alguns terem perecido nas suas casas por não dar crédito às unidades sanitárias, confiando sua saúde aos curandeiros.

Em reação à publicação, Gulumba Mutenda concorda que:

(…) para além dos que morreram em casa, alguns números são mesmo ocultados no próprio hospital, para diminuir a pouca vergonha por causa da fraqueza das nossas unidades sanitárias.

É a segunda vez que Tete regista casos de mortes em massa, no ano que decorre. No mês de janeiro, pelo menos 75 pessoas morreram intoxicadas após o consumo de uma bebida conhecida localmente por “Pombe” na localidade de Chitima.

Ainda em reação ao comentário no Facebook de Rafael Machalela, Maria João Marques lamenta a falta de um debate profundo, sobre o caso:

É triste que uma tragédia destas não leve a uma reflexão crítica sobre os acontecimentos! Mas enfim!

No Twitter, José Guerra, chamou “camião da desgraça”, ao veículo pesado que supostamente transportava combustível do porto da Beira para o Malawi:

O Governo de Moçambique diz não saber quais foram as causas da explosão tendo por isso criado uma Comissão de Inquérito com vista ao esclarecimento do caso. O relatório deverá ser apresentado na próxima semana.

Entretanto, alguns relatos de cidadãos locais indicam que o incidente foi antecedido de um primeiro incêndio que atingiu o camião pesado, no dia anterior, na sequência de um curto-circuito da moto-bomba que puxava o combustível da cisterna. As imagens publicadas no Twitter mostram o momento em que as pessoas estão a retirar o combustível:

Já com o primeiro incêndio dado como extinto e sem a presença do motorista, a população começou a “retirar” com contentores o combustível que restava numa segunda secção do camião-cisterna que havia ficado intacto após o incêndio. Foi precisamente esta secção do tanque que acabou por explodir, matando de imediato 43 pessoas e ferindo 110.

No momento, encontram-se internados 44 doentes, dos quais sete em estado ainda considerado grave. Das vítimas que estão internadas, oito são crianças e uma mulher que está grávida.

Na sequência da tragédia, o Governo decretou três dias de luto nacional.