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Redes sociais, protagonistas nas eleiçoes parlamentares da Venezuela

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Com 11 milhões de usuário no Facebook e 4 milhões no Twitter, as redes sociais na Venezuela tem conseguido preencher um vazio deixado pela imprensa tradicional pressionada pela censura, a autocencura e a falta de acesso a fontes oficiais. Foto extraída do Flickr de Janson Howie sob licença Creative Commons. (CC BY 2.0)

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Nossos autores Luis Carlos Díaz e Marianne Díaz colaboraram com este post.

As redes sociais tem se convertido na principal fonte de informação para muitos venezuelanos, que conscientes de seu papel como infoativistas tem lançado várias campanhas para desmontar rumores e mitos, especialmente durante as eleições parlamentares de 6 de dezembro.

De acordo com Luis Carlos Díaz, em artigo publicado para Univision, a principal rede de televisão latino-americana nos EUA. Por falta de notícias, Venezuela se informa por tweets, atualmente no país “um cidadão minimamente informado necessita seguir muitos meios digitais, juntar pedaços, complementar com algumas emissoras e viver a tensão a conta-gotas dos 140 caracteres”.

As redes como guias em espaços de desinformação

É precisamente nesta rede, fértil para espalhar rumores, que várias organizações e cidadãos tem impulsionado hashtags como #MitosElectorales para desmistificar em um universo aproximado de quatro milhões de usuários no país informações falsas sobre o processo eleitoral que busca renovar a Assembleia Nacional.

#MitosElectorales: O voto sai em branco. Realidade: Se você pressionar duas vezes, desmarque a opção. Se marca errado o candidato, não é selecionado.

#MitosElectorales: Pode-se saber por quem votou. Realidade: Isto é totalmente falto. É impossível comprovar que opção escolheu.

A ONG Acesso Livre, que defende a liberdade de expressão, tem criado uma série de infografias com base na etiqueta:

Mais #MitosElectorares. “Mitos versos Realidades”, #5, com informação de @CronicaUno e @LuisCarlos pic.twitter.com/QfduPEuyXR — Acesso Livre (@AccesoLibreRed) 4 de dezembro de 2015

Mitos versos Realidades, #2: Não se deixes enganar! (com informação de @EfectoCocuyo e @AngelOropeza182) #MitosElectorales pic.twitter.com/jzkBQ7fPsj — Acesso Livre (@AccessoLivreRed) 29 de novembro de 2015

Também circulam manuais de verificação de informação, já que os usuários podem ser repórteres ou difusores de conteúdos em qualquer momento.

@medianalisis @reporteya #ReporteUCABG manual de verificação de conteúdos. https://t.co/NQNyBicRL3 pic.twitter.com/Vcfc5KAdi6 — Com. Social UcabG (@ECSUcabG) November 25, 2015

Marianne Díaz, advogada e ativista de direitos digitais, expõe em vídeo conselhos para utilizar o Twitter durante a cobertura da jornada eleitoral.

As oficinas de formação lideradas por Díaz fazem ênfases em verificar e corroborar a informação, mesmo que seja um retweet.

O Estudio 2014: Censura e Autocensura em jornalistas e mídias da Venezuela, que desenvolveu o Institituo Prensa y Sociedad da Venezuela (IPYS Venezuela), revela que no país “são frequentes as ordens expressas por parte dos poderes estatais, mas que também se exercem pressões por parte dos próprios meios de comunicação – entendidos como industrias – e de grupos econômicos privados, políticos e do crime organizados, entre outros”.

O portal Alternos faz referencia a campanha para incentivar o voto realizado pelo Centro de Estudos Políticos da Universidade Católica Andrés Bello e que foi censurada pelo Conselho Nacional Eleitoral.

A mensagem #ElVotoEsSecreto, que o juiz eleitoral “espalhou com videos institucionais em outras eleições, mas esteve ausente nestas eleições” foi o foco da campanha televisiva. Porém, esta decisão fez com que o número de visitas aos videos na rede YouTube aumentariam consideravelmente.

A participação vai além do voto

Em artigo publicado para Univison, Luis Carlos expõe que “não é a primeira vez que os venezuelanos usaram meios digitais para narrar seus votos. Ao menos desde 2004 existem blogs ativos e desde então tem sido quase uma eleição por ano para ensaiar e incorporar novas plataformas a massa crítica de usuários que faz da internet sua casa”.

Não é possível então, construir uma cobertura sem tomar em conta a cidadania como parte do processo e como audiência ativa, é por isso que para essas eleições tem estreada também iniciativas utilizando o crowdsourcing para monitorar o processo eleitoral.

O blog Jornalismo nas Américas expõe as experiências do portal Vigia Eleitoral que recolhe denuncias “relacionadas com violações ao direito do voto ou as leis eleitorais” através de mensagem de texto, Twitter, WhatsApp, correio eletrônico, correio de voz ou mesmo pelo portal.

Além de sua cobertura nas eleições, o site de notícias Efeito Cocuyo também está recebendo denuncias sobre irregularidades no processo eleitoral através do WhatsApp.

Ambos projetos coincidem que esta é uma via a mais para chegar aos cidadãos e para “promover uma maior responsabilidade no processo eleitoral”.