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Em informe à nação, Presidente da República reconhece que as coisas não vão bem em Moçambique

Presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi discursa no parlamento. Foto: Presidência da República

Presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi discursa no parlamento. Foto: Presidência da República

Em discurso no parlamento realizado no dia 16 de Dezembro, o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, prometeu aos moçambicanos devolver a paz e a estabilidade ao país, em uma sessão em que, como de costume, deputados opositores da RENAMO se retiraram da sala.

O informe acontece numa altura em que Moçambique atravessa uma instabilidade económica que vem desvalorizando a moeda local, além de uma crise político-militar entre o governo e a RENAMO, ex-facção armada convertida em partido de oposição desde 1992.

A rejeição pelo governo de uma proposta da RENAMO de criar autarquias provinciais no país, bem como uma emboscada sofrida pelo seu líder Afonso Dhlakama em Setembro, vêm deteriorando as relações entre governo e oposição, que assinaram um acordo de paz após o fim da guerra civil em 1992. A RENAMO respondeu à rejeição da proposta com a criação de polícias e quartéis-militares em algumas províncias.

No seu informe, o Presidente da República assumiu que foi um ano atípico e que não se orgulhava da sua governação:

A árvore que plantamos hoje, leva o seu tempo a produzir frutos. Mas esta é a nossa escolha. Esta escolha exige coragem, exige verdade. Temos a coragem de informar que ainda não estamos satisfeitos com o estado da nossa Nação.

Queremos afirmar que foi um ano de arranque, um ano de trabalho. Ao Povo moçambicano, pedimos que continue a dar o melhor de si para que Moçambique continue no trilho do desenvolvimento, não obstante as circunstâncias adversas que enfrentamos, continue a nos dar o apoio que carinhosamente temos recebido.

E pediu confiança aos moçambicanos para que o ajudem a ultrapassar todos os obstáculos nos próximos anos:

Estamos prontos para dar a nossa modesta contribuição ao País. Não pedimos muito, porque ainda não estamos satisfeitos com o Estado da Nação, pedimos harmonia, sinceridade, coesão e mais confiança entre os moçambicanos e não perturbações porque queremos trabalhar. Os moçambicanos devem acreditar nas suas próprias capacidades.

Horas depois do informe de Nyusi, o líder da RENAMO Alfonso Dhlakama, que não é visto em público desde Setembro e se encontra em parte incerta, fez um discurso via teleconferência no qual prometeu ocupar “política e democraticamente” seis províncias do centro e norte do país a partir de Março de 2016. Segundo a agência Lusa:

Não iremos disparar nenhum tiro, mas quero deixar claro que, se os da [Unidade] de Intervenção Rápida ou as ‘fademos’ [Forças Armadas], em cumprimento das ordens de Nyusi, tentarem fazer brincadeira, vamos destruir. Repito, vamos destruir e não iremos encontrar nenhuma resistência”

No dia do informe, usando a Hashtag #InformeMoz, vários foram aqueles que deram o seu contributo e visão sobre o que aconteceu no país em 2015.

Crespim Mabuluko, estudante e locutor, fez referência ao facto do Presidente da República só vir dar o informe na Assembleia da República e não ser questionado pelos deputados:

#‎Informemoz

Pelo que acompanhamos até agora fica mais uma vez provado que o PR devia ser questionado pelos parlamentares.

A manifestação de vontade de se sentar com o líder da Renamo já não constitui nenhuma novidade. (Esperava um discurso de acção tipo liguei marquei vamos sentar na casa da tia Joana etc)”

No Twitter, Alexandre Zerinho deu eco à sinceridade do presidente:

Um caso insólito, mas que não é novo, foi o abandono da Bancada da RENAMO durante a sessão do Informe:

O jornal electrónico Confidencial cita o deputado oposicionista da Assembleia da República Venâncio Mondlane, que se mostrou insatisfeito com o discurso.

“O discurso do presidente foi decepcionante. Se fosse para dar uma nota de 0 a 10 eu daria 2 valores. Ele só veio ao parlamento apenas para exibir a retórica.”