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Um apanhado das ações da polícia contra o movimento #OcupeEscola

maria jose invasao

Policiais ameaçam estudante da escola Maria José, em São Paulo. Foto: O Mal Educado/Facebook

ATUALIZAÇÃO: Este post foi atualizado na manhã do dia 04/12 com novas informações sobre os protestos do dia 03/12.

Desde o início de novembro, centenas de estudantes secundaristas têm ocupado escolas públicas no estado de São Paulo, no Brasil, como protesto contra o projeto de reestruturação proposto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que pode fechar até 93 escolas. O número de escolas ocupadas chega próximo a 200.

A “reestruturação” proposta pelo governo fará com que escolas passem a atender a apenas um dos três ciclos do ensino secundário. No Brasil, o ensino secundário é dividido em três ciclos: 1º ao 5º ano, 6º ao 9º ano (ambos chamados de ensino fundamental) e o último, que reúne os três anos finais (chamado de ensino médio).

Atualmente, muitas escolas públicas em São Paulo oferecem vagas em mais de um ciclo. Cerca de mil estabelecimentos serão de alguma forma afetados pela medida e mais de 300 mil alunos deverão ser transferidos para outra escola.

As escolas ocupadas têm sido geridas pelos próprios alunos, em muitos casos com apoio de pais, professores e movimentos sociais. Nas escolas, os estudantes organizam horários e turmas para cuidar da limpeza, da comida, e da segurança.

Além disso, estudantes organizaram um esquema em que voluntários podem dar aulas nas ocupações. Um site colaborativo têm centralizado o endereço das escolas ocupadas, contendo uma tabela com as páginas do Facebook de cada escola e informações sobre itens de primeira necessidade que estas precisam.

O perfil “Não Feche Minha Escola” postou uma coleção de fotos que mostram alunos limpando e recuperando as escolas ocupadas.

Repressão

Mashup do perfil do Facebook "Não Fechem Minha Escola"mostrando a organização dos estudantes e o resultado da repressão policial que, segundo ativistas, serve aos propósitos da grande mídia que apoia o governador Geraldo Alckmin.

Mashup do perfil do Facebook “Não Fechem Minha Escola”, mostrando fotos da escola E.E. Coronel Sampaio sob o controle dos estudantes, e após a invasão da polícia e de elementos contrários ao movimento #OcupeEscola.

As ocupações são constantemente assediadas pela presença da Polícia Militar. Na escola Raul Fonseca, no dia 19 de novembro, um PM foi filmado roubando cadeados dos portões para evitar que os estudantes trancassem o portão da escola.

Em outras escolas, a PM chegou a entrar nos prédios. É o caso da escola Pedro Alexandrino, em São Paulo, em que policiais usaram gás de pimenta contra os estudantes no dia 15.

Nesta semana, na Escola Estadual Maria José, apelidada de Mazé, a polícia invadiu o prédio dando apoio a um grupo de pais que se posiciona contra as ocupações.

>> OCUPAÇÕES RESISTEM AOS ATAQUES DE ALCKMIN E SEUS CAPACHOS! NÃO TEM ARREGO!A ocupação Maria José foi invadida por…

Posted by O Mal Educado on Terça, 1 de dezembro de 2015

O perfil da ocupação da Mazé informou:

Os pais invadem a escola e quebram o patrimônio público!! A policia fica na frente na escola olhando a cena e esperando coisa pior acontecer. PAIS DE ALUNOS com martelos e barras de ferro invadem a escola!! POR ISSO AINDA LUTAMOS POR ELA! A policia não protege os estudantes e os pais depredam nossa escola. A hipocrisia grita!

O coletivo de mídia Jornalistas Livres gravou vídeo e tirou fotos da ação da PM na Mazé:

PM age com truculência na EE Maria JoséESCOLAS EM LUTANa manhã desta terça-feira (1/12), o chefe de gabinete da Secretaria de Educação de SP, Fernando Padula, esteve na Escola Estadual Maria José, na Bela Vista. Na sequência, a Polícia Militar invadiu a escola e expulsou os jornalistas presentes. A PM foi truculenta e usou spray de pimenta na tentativa de desocupar o estabelecimento de ensino. Os alunos resistiram, sentados no pátio, e a escola segue ocupada.#NaoFecheMinhaEscola#OcupaEscola #OcupaMaze #ResisteMazeVídeo: Henrique Cartaxo e Katia Passos, especial para Jornalistas LivresABAIXO A REPRESSÃO!

Posted by Jornalistas Livres on Terça, 1 de dezembro de 2015

Já no Colégio Estadual Doutor Octávio Mendes, estudantes denunciaram a tentativa de invasão por parte da direção da escola com apoio de militantes do PSDB (partido do governo estadual de São Paulo), 3 uma escola na cidade de Sorocaba chegou a ser assaltada por um grupo armado, o que estudantes classificaram como um caso de sabotagem da polícia.

A Escola Estadual Coronel Sampaio, em Osasco, foi também invadida e destruída:

Logo após o Governo declarar que iniciaria uma “guerra” contra o movimento dos estudantes, começam ataques violentos contra as ocupações mais afastadas das câmeras da grande mídia. Em Osasco, a E.E. Coronel Sampaio foi invadida e destruída por pessoas estranhas. A Polícia Militar estava no local e jogou bombas nos estudantes, mas não impediu que os invasores ateassem fogo no colégio.

Além de ocupar os prédios, os estudantes também protestam nas ruas em torno de suas escolas e principais avenidas de suas cidades. O perfil “O Mal Educado”, que têm acompanhado as ocupações, escreveu:

ALUNOS DA EE SILVIO XAVIER OCUPAM A MARGINAL TIETÊ! Após três semanas de ocupações de escolas sem qualquer resposta do…
Posted by O Mal Educado on Segunda, 30 de novembro de 2015

 

Na noite de 1º de dezembro, a polícia reprimiu violentamente um protesto de estudantes no centro de São Paulo como mostra vídeo do Centro de Mídia Independente:

Estudantes que protestavam na região sul de São Paulo foram agredidos pela PM na manhã do dia 1º de dezembro e ao menos 3 estudantes acabaram presos. No dia anterior, na zona oeste de São Paulo, policiais tentaram roubar as cadeiras que eles usaram para fechar a Avenida Rebouças.

Na tarde do dia 2 de dezembro, estudantes novamente saíram às ruas na Zona Oeste de São Paulo e, mais uma vez, foram recebidos com violência pela Polícia Militar por fecharem as ruas.

Bombas sobre estudantes.ESCOLAS EM LUTAACONTECE AGORAREPRESSÃO POLICIALVídeo mostra a indisposição da Polícia Militar para o diálogo e mostra o momento em que o ataque com bombas de gás lacrimogênio contra os estudantes começou.Estudantes secundaristas da Zona Oeste de São Paulo fechavam há poucos minutos o cruzamento das ruas Henrique Schaumann e Teodoro Sampaio em protesto contra a “reorganização” escolar do governo Alckmin.#NaoFecheMinhaEscola #OcupaEscola #OcupaAvenidaJornalistas Livres em defesa da educação.

Posted by Jornalistas Livres on Quarta, 2 de dezembro de 2015

Táticas de guerra

O perfil Não Fechem Minha Escola, principal canal de comunicação das ocupações com o restante da população, denunciou o uso de táticas sujas por parte do governo contra as ocupações:

Hoje o governo iniciou uma operação de se utilizar de táticas sujas e boatos para tentar desmoralizar o movimento contra a “reorganização”. Em algumas escolas grupos suspeitos entraram nas ocupações para cometer atos de vandalismo sem qualquer sentido, apenas para incriminar o movimento. Algumas escolas receberam policiais que alegaram denúncia anônima para entrar na escola e em outras escolas pequenos grupos de puxa-sacos estão forçando a desocupação (provavelmente com policiais infiltrados).

A “guerra” foi anunciada pelo chefe de gabinete da Secretaria de Educação de São Paulo Fernando Padula Novaes, em uma reunião secreta realizada com dirigentes de ensino no domingo, dia 29 de novembro. O áudio da reunião foi vazado na internet pelo coletivo Jornalistas Livres. O jornal El País descreve o teor da reunião:

“Temos que ganhar a guerra final. E vamos ganhar”, disse Fernando Padula Novaes, chefe de gabinete da Secretaria de Educação do Estado, em uma reunião neste domingo com diretores de ensino. No encontro, convocado para debater as próximas estratégias para lidar com as ocupações de ao menos 190 escolas em todo o Estado, de alunos contrários à reorganização escolar, Padula fala em “desqualificar o movimento” por meio de uma estratégia que inclui convencer pais e professores de que as ocupações nas escolas estão prejudicando os alunos, isolar os colégios onde a ocupação está fortalecida e, o mais importante: baixar o decreto regulamentando a reorganização escolar.

Estudante é agredido com soco no rosto por policia. Foto do Coletivo Molotov, uso livre.

Estudante é agredido com soco no rosto por policia. Foto do Coletivo Molotov, uso livre.

Mais abusos da polícia no dia 03/12

No dia 3 de dezembro, a violência da polícia contra os estudantes continuou com toda força.  A página do coletivo Juntos no Facebook escreveu sobre um protesto no centro de São Paulo.

[…] um operativo militar de gigantesca proporção cercou a manifestação, como nas piores cenas que se viam nos tempos da ditadura. Cerca de 20 estudantes estão neste momento presos, incluindo menores de idade e dois militantes do Juntos: Raíssa e Raphael. Nenhum desses estudantes está sozinho. Toda nossa solidariedade e eles e repúdio ao governador.

A página O Mal Educado postou fotos da repressão no local e informa que 14 estudantes foram presos ou passaram mal com o gás lacrimogênico nesta manifestação. A página enquanto o Juventude às ruas postou um vídeo do local.

Repressão agora na Av. Tiradentes contra estudantes da ETESP e outras escolas.

Posted by Juventude ÀS RUAS on Quinta, 3 de dezembro de 2015

 

No bairro de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, um estudante foi algemado e carregado com violência por meia dúzia de policiais. Há fotos e vídeos que mostram esta e outras prisões:

REPRESSÃO BRUTAL NA ZO!!Cenas que lembram as épocas mais obscuras da ditadura onde um estudante é levado pela polícia como se estivesse em um pau de arara. Esse é o “diálogo” do governador. Os presos estão agora na 14 DP na Rua Deputado Lacerda Franco. Venham todos dar apoio! A luta segue forte!ACABOU O AMORISSO AQUI VAI VIRAR O CHILE

Posted by Juventude ÀS RUAS on Quinta, 3 de dezembro de 2015

 

A página Território Livre postou vídeo em que cerca de 10 estudantes, de punhos erguidos, cantam enquanto são cercados pela polícia, logo antes de serem presos.

POLICIA PRENDE ESTUDANTES!Policia acaba de prender cerca de 10 estudantes que estao sendo encaminhados para o 8º DP, no Brás!Os estudantes, guerreiros, gritam:RESISTIR!O ESTADO VEIO QUENTE, MAS NOIS JA TA FERVENDO!

Posted by território livre on Quinta, 3 de dezembro de 2015

 

O Ministério Público e a Defensoria Pública de São Paulo entraram com processo contra o governo de São Paulo pedindo a suspesão da reoganização escolar.

Até a torcida organizada do clube de futebol Corinthians publicou nota declarando seu apoio aos estudantes, assim como várias personalidades da música e TV. No fim do dia, outra torcida organizada, a Dragões da Real, do São Paulo Futebol Clube, anunciou seu apoio aos estudantes.