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Juntos pela libertação dos presos políticos em Angola

Activistas e artistas, internacionais e angolanos, juntam-se pela libertação dos presos políticos em Angola. Manifestações previstas, em várias cidades, procuram demonstrar ao Governo Angolano que deve libertar todos os activistas presos arbitrariamente e alertar a comunidade internacional para a crescente opressão que se vive no país.

Em Junho (20.06), noticias vindas de Luanda dão conta de um grupo de 15 jovens activistas detidos pela polícia angolana sob o pretexto de estarem a preparar um atentado contra o Presidente José Eduardo dos Santos (JES). Mais tarde, a policia voltava a deter arbitrariamente mais um jovem:

Sabe-se hoje que estes jovens estavam efectivamente a preparar algo mas não contra o Presidente. Os activistas preparavam-se para um protesto simbólico e pacífico chamado “buzina só” tal como descreve o escritor José Eduardo Agualusa à Deutsche Welle – África.

Varias organizações de direitos humanos e liberdade de expressão demonstraram preocupação por este e por outros casos de privação da liberdade a cidadãos angolanos. Dois vídeos com vários activistas e artistas a pedir a libertação dos presos políticos em Angola (#‎ProcessoDos16), está a tornar-se viral nas redes sociais:

Liberdade Já | Freedom Now | Liberté immédiate

A Amnistia Internacional pede para que se escrevam cartas às autoridades angolanas a pedir a libertação dos activistas. É preciso, igualmente, não deixar cair no esquecimento outros activistas que foram presos meses antes, no enclave de Cabinda.

As autoridades angolanas apertam o cerco a tudo e a todos que se manifestem contra o Presidente. Vive-se um clima de opressão, sobretudo entre os jovens que tentam demonstrar o seu descontentamento com a desigualdade, corrupção e injustiça que se vive no país, através de manifestações pacíficas. Na passada semana (22.07), um grupo de activistas acompanhado de um jornalista, ficou retido na prisão onde se encontram sete dos 16 jovens que estão em prisão preventiva. Os visitantes permaneceram no estabelecimento prisional de Calomboloca cerca de 9 horas e os seus pertences como telemóveis e máquinas fotográficas foram apreendidos.

Os protestos começam a aumentar de tom e graças às redes sociais, tem sido possível alguma mobilização de apoio a nível internacional.

Liberdade Já | Freedom Now | Liberté immédiate 2

Angola diz-se um país democrático mas estes últimos acontecimentos têm atentado contra todos os valores que caracterizam as sociedades livres de expressão e de pensamento crítico. Muitos acusam JES, que ocupa a cadeira de chefe estado há 36 anos, de ser um ditador. Recentemente, um jornal em Portugal apelidou o líder angolano de o “Rei Sol Angolano”. Mas é precisamente de Portugal que se regista um silêncio quase ensurdecedor por parte do Governo.

Nos EUA, um cidadão angolano manifestou-se em frente à embaixada de Angola em Washington a pedir a libertação dos activistas:

No dia 29 de Julho espera-se que dezenas de pessoas se juntem em Luanda, Uíge e em várias cidades da Europa (Berlin, Bruxelas e Lisboa) para exigir a libertação de todos os presos políticos em Angola.