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Onda de Xenofobia na África do Sul preocupa Moçambique

Captura de tela

Televisão mostra a tensão entre residentes e emigrantes em Durban. Foto: Captura de tela/Dércio Tsandzana

Dois cidadãos moçambicanos a residir na África do Sul foram mortos e centenas fugiram com medo aos ataques xenófobos que se têm registado, na última semana, na cidade de Durban, na província de KwaZulu-Natal.

Segundo a DW-África “A onda de violência começou dias depois de o rei zulu Goodwill Zwelithini, o líder tradicional mais importante na província de KwaZulu-Natal, ter dito que os estrangeiros devem ´fazer as malas e deixar` a África do Sul.”

Após o discurso xenófobo, efectuado pelo rei, a população local começou a atacar os cidadãos estrangeiros e a “saquear os seus estabelecimentos comerciais”. A onda de violência já se arrasta desde meados de Março e está a preocupar muitos africanos, em particular os moçambicanos.

Dias depois do discurso, o rei zulu salienta a sua autoridade, como ilustra a jornalista moçambicana da BBC, Zenaida Machado:

O rei Zulu, Goodwill Zwelithin, diz que tem autoridade para criticar o nível de imigração na África do Sul, porque ele e o seu povo contribuíram para a libertação de África. No discurso – que terá alegadamente dado início aos ataques xenófobos de Durban – o rei começa por reconhecer que o seu povo é preguiçoso e não ouve. É por isso, segundo ele, que os imigrantes ganham espaço para se instalarem no país.

Um dos maiores jornais de circulação no país deu destaque à morte dos moçambicanos que foram vítimas de xenofobia no país vizinho da África do Sul:

Xenofobia na África do Sul – Dois moçambicanos mortos e dezenas de desaparecidos (‪#‎canalmoz)

Moçambicanos vítimas de xenofobia instalados em centros de acomodação na África do Sul – Cem moçambicanos querem voltar a Moçambique.

Maputo (Canalmoz) – Cerca de 270 cidadãos moçambicanos vítimas da xenofobia na cidade sul-africana de Durban foram instalados em centros de acomodação de estrangeiros, anunciou o Alto Comissariado de Moçambique em Pretória. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Balói, deste número, mais de cem manifestaram interesse em abandonar a África do Sul e regressar a Moçambique.
“Mobilizámos o Alto Comissariado em Pretória e o nosso Consulado em Durban para fazer a avaliação no local e começar a preparar as condições de evacuação dos nossos cidadãos”, disse Fernando Manhiça, director de Assuntos Jurídicos e Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em entrevista à Rádio Moçambique (…)

Analecto Machava relembra o tempo de Apartheid e compara com a situação actual:

Durante o tempo do “Apartheid” nós abrimos as nossas portas (e janelas) para vocês entrarem e cá encontrarem refúgio de um dos mais opressores regimes que alguma vez o mundo viu! Por causa disso fomos vezes sem conta atacados e a nossa vida até regrediu! Hoje, depois de combatido o vosso opressor é assim que nos agradecem?

Shafee Sidat, presidenta da Federação Moçambicana de Atletismo fala da necessidade de união dos moçambicanos:

XENOFOBIA – ACORDA MOÇAMBIQUE

Recentemente assistimos [a] várias manifestações populares de repúdio, por exemplo, ao assassinato de Gilles Cistak, aos raptos, às regalias dos deputados… Pessoalmente não estou contra este tipo de práticas.

Mas a pergunta que não se cala, dentro deste meu coração que chora, é: onde andam, por estas alturas, essas manifestações? Onde anda a Sociedade Civil e as organizações e activistas sociais para se pronunciar e organizar uma manifestação neste período em que há relatos de moçambicanos e outros queimados vivos na vizinha África do Sul?

Nego-me a chegar à triste conclusão de que as recentes manifestações tiveram como mote o uso das pessoas para se atingir fins políticos e se alimentarem interesses individuais. Somos todos a favor da justiça e de toda a movimentação que visa o bem comum e o direito de toda a dignidade.  Reconhecemos o direito à liberdade como o maior direito do cidadão. Mas também não temos o direito de usar o povo para fins individuais. Vamos acordar e exigir o direito dos nossos imigrantes Moçambicanos

Sergio Faife, apresentador de televisão e locutor de rádio, mostra-se ultrajado com esta situação e apoia a união de todos:

É com sentimento de dor e pesar que temos estado a acompanhar os casos de Xenofobia na vizinha ÁFRICA do Sul contra cidadãos estrangeiros no geral, e moçambicanos em particular.

É deplorável viver numa sociedade onde alguns podem ter o direito e poder de tirar a vida a um ser semelhante a si. É ainda preocupante quando dentro da nossa ÁFRICA não conseguimos ser tolerantes para com o nosso próximo. Basta a onda de todo tipo de violência no país, na região, no continente e no mundo. Devemos saber conviver na diversidade na base do respeito e irmandade colectiva.

STOP XENOFOBIA! @SergioFaife

Imtiaz Valá fala da necessidade dos estados membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) [in] pressionar o governo sul-africano para este caso:

A Humanidade não pode continuar a desumanizar-se!

Esta na hora dos países membros da SADC pressionarem,exigirem as Autoridades Sul-Africanas responsabilidades,Justiça e resposta dura por parte das Forças de Defesa e Segurança Sul-Africana contra os fomentadores e praticantes da violência,discriminação,xenofobia contra os nativos descendentes e estrangeiros.O Estado Sul-Africano possui meios repressivos e legitimidade para estancar com esta onda de desumanidade.  A Humanidade não pode continuar a fracassar!

‪#‎BASTA,‪#‎CHEGA DE ‪#‎VIOLÊNCIA!
‪#‎ABAIXO ‪#‎DISCRIMINAÇÃO!
#ABAIXO ‪#‎XENOFOBIA!
‪#‎VIVA A ‪#‎DIGNIDADE E O ‪#‎SER ‪#‎HUMANO!

Zee Mavye critica a forma como os cidadãos têm estado a partilhar diversas fotos sobre os actos de xenofobia na África do Sul:

Não sinto nenhuma solidariedade nas pessoas que postam imagens chocantes de estrangeiros vitimas de [xenofobia] na RSA. Por favor, essas imagens são chocantes e arrepiantes que me pergunto de onde tiram vocês a Forças de irem buscar tais imagens e fazerem uma publicação. É certo que cada um tem a sua forma de se manifestar perante um determinado fenómeno, mas não me cabe ver essas imagens como gesto de solidariedade.
É brutal e duplo o sentimento de quem tem familia nessa terra é a ver imagens expliscitas.
Poupem-nos, por favor.  Apelo de uma irmã, ex-esposa, Tia é cunhada de vitimas de [xenofobia].

Jorge Matine questiona a postura do governo e a ajuda que se está a dar aos moçambicanos na África do Sul:

Senhores postar Não a xenofobia é um bom gesto mas não basta. Alguém pode dizer se existe um centro de trânsito aberto no nosso território nacional? Alguém sabe dizer se a cruz vermelha está com equipe e centro de operações activado? Alguém sabe dizer se existe um número do consulado de Moçambique disponível para informações adicionais e ajuda? Alguém sabe dizer se na fronteira de Ressano Garcia temos equipes conjuntas de guarda fronteira, alfândegas, polícia e migração reforçadas e informadas sobre assistência a dar? Os governos de Gaza e Inhambane tem algum plano para orientar as pessoas que serão repatriados de ressano Garcia para as províncias de origem?

Na sequência destes ataques, surgiram reacções de países onde são provenientes algumas das vítimas. Da Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram ameaça executar todos os Sul-africanos residentes naquele país se estes actos xenófobos não cessarem em 24 horas:

Boko Haram lança uma fita afirmando que dá 24 horas ao governo sul-africano para por fim aos ataques xenófobos. E mais, caso o Governo sul-africano não contenha a situação, aquele movimento promete executar todos sul-africanos residentes na Nigéria, Chad e outros países vizinhos

Trabalhadora da empresa SASOL onde os sul-africanos foram expulsos,  na província de Inhambane, Foto: captura de tela/Dércio Tsandzana

Trabalhadora da empresa SASOL onde os sul-africanos foram expulsos, na província de Inhambane,
Foto: captura de tela/Dércio Tsandzana

Em Moçambique, sul-africanos foram expulsos de algumas empresas onde trabalhavam, diz o blog Macua:

(…) um número significativo de cidadãos de nacionalidade Sul Africana que trabalhavam na Sasol, isto no distrito de Temane, província de Inhambane, sendo expulsos por moçambicanos naquela empresa. Não houve registro de agressões, foi uma expulsão pacífica (…)

A notícia tem sido igualmente tema de conversa no #twitter:

A xenofobia pode ser definida como o medo, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.

  • Danial Abdula

    É. É lamentável o que está a acontecer. O pior é que os iluminados dos
    dirigentes de todos os países a volta conseguem não dar
    importância e ficar minimizando o impacto. Nunca são proactivos são sempre
    reactivos e muitas vezes da pior maneira. No meu entender já devia ter sido
    convocada uma reunião de emergência do orgão que congrea os países da região
    para instar o governo sul africano a ir realizar comícios de impugnação dos
    actos de xenofobia. O nada fazer da parte do governo sul africano pode, justa
    ou injustamente, ser interpretado como aprovação. De facto já se esqueceram do
    que o povo moçambicano sofreu ajudando-lhes a se tornarem um povo livre do
    ediondo sistema governamental que tinham. Alguém tem que lhes fazer lembrar o
    que foi a Linha da Frente liderada por Samora Machel. Agora chegam notícias de
    que a fronteira de Ressano Garcia está fechada desde as 9:30 impedindo a
    transposição por viaturas de parte a parte. A que descalabro se chegou com a
    insensibilidade, inoperância e ineficiência dos iluminados. Valha-nos Deus.

  • Pedro

    O povo Sul-africano
    tem razão, eles estão fartos da ocupação de elevado número de estrangeiros no
    pais de forma anormal.

    Os principais culpados
    deste problema são os governos dos países
    da proveniência desses estrangeiros.

    O governo de Moçambique
    é um dos principais culpados.

    Há mais de 40 anos
    que a Frelimo transformou Moçambique num permanente campo de batalha.

    O que a Frelimo
    sabe é só guerra.

    Neste momento Há
    guerra em Gaza e o povo de Gaza está a implorar a Frelimo para parar com a Guerra, Este povo de Gaza tem
    fugido para Africa do Sul, agora está desesperado.

    Aqui em Moçambique
    só é cidadão aquele que é membro da Frelimo e mesmo assim vive em constante
    medo e obrigado a ser falso.

    O resto da
    população vive na absoluta exclusão
    social, na condição de estrangeiros no próprio pais.

    Não há liberdade de
    expressão, e ao nível da base o povo moçambicano não se encontra organizado,
    não tem estruturas pagas pelo Estado.

    A Frelimo é
    desumano.

    Depois da
    Independencia,devia-se preocupar pelo desenvolvimento, económico, social, cultural
    e académico e, não permanente guerra, na defesa da egimonia do puder de forma imoral.

  • Luana Carolina Coutinho

    mas essa gente só esperou Mandela falecer pra começar a fazer merda é?