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Revista Caros Amigos é condenada a indenizar repórter demitida em 2013

Em março de 2013, o Global Voices foi um dos veículos a noticiar e debater a demissão arbitrária de jornalistas da redação da revista independente Caros Amigos após a realização de uma greve contra o corte de salários e de pessoal da redação. Esta semana, Débora Prado de Oliveira, que trabalhou como repórter da revista entre 2010 e 2013, conseguiu uma importante vitória na Justiça: a Editora Casa Amarela foi condenada a pagar uma indenização de R$ 60 mil reais à jornalista.

Hamilton Octávio de Souza, ex-editor da Caros Amigos, contou o que se passou na audiência:

Nos depoimentos da empresa, o proprietário Wagner Nabuco e duas funcionárias administrativas declararam que a jornalista não passava de simples free-lancer, não tinha vínculo empregatício com a empresa, ganhava R$190,00 por página de matéria, não tinha horário fixo de trabalho e comparecia à Redação apenas “dois dias por mês”. Tais mentiras, contraditadas pela própria Débora Prado e pelos depoimentos dos jornalistas Hamilton Octavio de Souza e Cecília Luedemann, provocaram uma situação rara no Fórum.

O juiz, visivelmente irritado com as mentiras patronais, interrompeu a sessão e chamou as quatro testemunhas para uma conversa reservada em outra sala: ele insistiu que havia contradição evidente, chegou a oferecer uma oportunidade de retratação a quem estava mentindo, mas acabou por determinar que as testemunhas da empresa e as testemunhas da jornalista fossem encaminhados à Polícia Federal para abertura de inquérito com o objetivo de apurar a verdade dos fatos.

Pelo menos mais três ex-funcionários estão processando a Editora Casa Amarela por conta das demissões de 2013.

Hamilton completa:

Tão vergonhoso como mentir, querer enganar a Justiça do Trabalho e levar vantagem com a exploração de trabalhadores, é o fato do empresário, que vive do lucro, tentar justificar seus desmandos e truculências com a desculpa de que se trata de um projeto empresarial de “esquerda”. Mais vergonhoso ainda é ver jornalistas e intelectuais que se dizem de esquerda dar apoio para uma editora privada que não é entidade coletiva e nem é vinculada a nenhuma cooperativa de trabalhadores ou movimento social, sem o devido questionamento dessa atuação típica da direita, que fere os mais elementares valores da ética e dos direitos humanos.