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No Twitter, mexicanos dizem #noalacensura do filme “A ditadura perfeita”

Imagen compartida por la producción del film "La dictadura perfecta" http://www.ladictaduraperfecta.com/galeria.html

Imagem divulgada pela produção do filme A ditadura perfeita”

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Mexicanos estão reunidos no Twitter sob a hashtag #NoALaCensura (não à censura) em apoio ao filme “A ditadura perfeita”, do diretor Luis Estrada, por medo de que o lançamento da sátira mordaz da política do México poderia encontrar resistência por parte das autoridades.

O longa-metragem centra-se no abuso de poder na gestão dos meios de comunicação e do uso de escândalos de vídeo (como o caso de um vídeo mostrando os políticos mexicanos com dançarinas exóticas) por políticos do México para bater em seus rivais. Estrelado por Damián Alcázar e Joaquín Cossío, que conta a história de um governador mexicano que não medirá esforços para ganhar a presidência e o pacto que ele faz com a rede de televisão mais poderosa do país para chegar lá.

Este enredo imita a vida real: os críticos da atual administração do México acusam o presidente Enrique Peña Nieto de ter sido colocado no poder pelos verdadeiros poderes constituídos, entre elas a empresa de televisão mais importante do país.

Luis Estrada é conhecido por criticar o sistema político do país através da sátira. Seu último filme, “El Infierno”, sobre a guerra das autoridades mexicanas sobre os cartéis de drogas, foi classificada de “C” (somente para adultos), o que limita o número de espectadores que pudesse vê-lo nos cinemas. Em um país democrático nascente como o México, qualquer expressão que é crítica da classe dominante é recebida com uma certa quantidade de resistência e, por vezes, a censura.

Pijamasurf, portal de notícias alternativa citou “A Ditadura perfeita” como algo “em movimento e engraçado”. O filme foi lançado em 16 de Outubro como divulgado pela Revolução Três Ponto Zero. O site de notícias alternativas também traçou paralelos entre os escândalos mostrados no filme e escândalos políticos reais, como a afirmação de Vicente Fox que “os mexicanos faria o trabalho que os negros não querem fazer”, ou o “caso Bejarano.”

O caso Bejarano refere-se ao vídeo amplamente compartilhada em que René Bejarano, do Partido da Revolução Democrática (grupo político na maioria da capital mexicana), aparece para receber maços de notas, provavelmente parte de um ato de corrupção.

No Twitter, usuários defenderam o filme. Alfredo Vera escreveu:

A ditadura perfeita! #NoALaCensura Esperamos que o filme sai no intervalo de tempo que eles têm planejado.

Mrs Grey mencionou as contas do twitter de alguns dos atores que fazem parte do elenco:

Por um cinema que converse com a verdade. #NoAlaCensura #LaDictaduraPerfecta @DamianAlcazar @Daltontony @ponchohd @silvnavarro

Usuário Bartola previu sucesso do filme:

Sinto muito pelos críticos de cinema, sinto muito pelos defensores do sistema, mas #LaDictaduraPerfecta parece que será um grande sucesso. #NoALaCensura

Mauricio Yoav RR pediu ao presidente Peña Nieto para não censurar o filme:

“Qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência”  #LaDictaduraPerfecta Sr Presidente @EPN #NoALaCensura  pic.twitter.com/L1BdgXVDdQ

“A ditadura perfeita” é uma produção de Bandidos Films. O título, de acordo com as notas de produção, é tirado de uma citação do peruano Mario Vargas Llosa, escrito em 1990:

La dictadura perfecta… es México. Porque es una dictadura de tal modo camuflada que llega a parecer que no lo es, pero que de hecho tiene, si uno escarba, todas las características de una dictadura.

A ditadura perfeita … é o México. Porque é uma ditadura camuflada de tal modo a parecer que não é, mas na verdade é, se você cavar em volta você encontra todas as características de uma ditadura.

Esta é uma versão modificada de um post publicado originalmente no Global Voices em espanhol.
Tradução editada por Davi Padilha Bonela como parte do projeto Global Voices Lingua.