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Um sírio no Brasil: entrevista com o colaborador do Global Voices Rami Alhames

The Young Syro-Brasilian Hames family. Photo used with Rami permission

 Hames, a jovem família de sírios-brasileiros. Foto usada com permissão de Rami.

Esta matéria contém links que levam à páginas em português e em outros idiomas, caso você queira se aprofundar no assunto

Os autores e tradutores voluntários do Global Voices trazem até você histórias e retratos de todas as partes do mundo. Interessantemente, porém, cada um desses voluntários tem uma história própria que vale a pena ser contada.

Rami Alhames é um desses voluntários. Eles se auto-descreve no perfil do Global Voices como sendo um sírio no Brasil, mas ainda existem mais coisas a respeito desse colaborador prolífico. Ele é um poliglota e escreve e traduz para o Árabe, Inglês, e Português. Ele também tem um blog próprio e é bastante ativo no Twitter. Rami é engenheiro e pai de duas crianças pequenas.

 Eu conversei com ele no verão, durante aquele período de excitação que ocorria na época da Copa do Mundo no Brasil. 

Global Voices (GV):  Conte-nos um pouco sobre você e como se envolveu com o GV. 

Rami Alhames (RA): I'm a Syrian mechanical engineer who lived and worked in four middle east countries before losing the job in Bahrain in 2011 and forced to cross oceans with a 5 months pregnant Brazilian/Syrian wife to far south America largest country. I came to know GV when I googled Amira's name (MENA editor) who is a friend of mine. However, in Brazil and during my unemployment period I joined GV em Portugues to enrich Brazilian vocabulary, then I found myself an author, translator and co-editor in GVinArabic.

Sou um engenheiro mecânico sírio que viveu e trabalhou em quatro países do Oriente Médio antes de perder o emprego em Barein, em 2011, sendo forçado a cruzar os mares e ir para o longínquo e maior país da América do Sul com minha esposa que possui cidadanias brasileira e síria, e grávida de cinco meses. Eu conheci o GV quando eu pesquisei no Google o nome da Amira, editora para o Oriente Médio e Norte da África, que é uma amiga minha. Porém, quando fui para o Brasil e estava desempregado, eu me envolvi com o GV em Português para enriquecer o meu vocabulário e aí então me tornei autor, tradutor e co-editor do GV na língua árabe.

GV: Sabemos que os sírios se estabeleceram no Brasil há centenas de anos atrás, e que durante as últimas décadas do século XX o fluxo imigratório sofreu desaceleração. O que você pode nos contar acerca da sua experiência? Quais são as similaridades e as diferenças entre o Brasil e a Síria?

RA: The first Syrians immigrants arrived Brazil and South America in the early 19th century and there was a second wave after the WWI. They were called Turks because they were holding Turkish passports. As a new arrival, I met the third generation of these immigrants; the young Arabs are proud of their roots, though they don't know Arabic but its food names. In Syria you can find a stone from 3000 A.D, while Brazil is considered a “country of the future” where you won't find this ancient history. Brazil is very liberated country in human rights, politics and democracy. Syria is closer with its oriental culture and family bonds where forbidden slogans chase you all the time. 

R.A: Os primeiros imigrantes sírios chegaram ao Brasil e à América do Sul no início do século XIX e uma outra leva deles chegou após a Primeira Guerra Mundial.  Eles eram chamados de turcos porque tinham passaportes da Turquia. Como imigrante recém chegado, eu conheci a terceira geração desses imigrantes; eles têm orgulho de suas raízes muito embora não saibam a língua árabe, apenas os nomes das comidas. Na Síria você pode encontrar uma pedra do ano 3000 A.C, enquanto que no Brasil, considerado o “país do futuro”, você não irá encontrar essa história tão antiga. O Brasil é um país bastante liberal com relação aos direitos humanos, à política e à democracia. A Síria é mais fechada na sua cultura oriental e nos vínculos familiares onde as frases proibidas perseguem você o tempo todo. 

GV: Enquanto o Brasil é um pioneiro na liberdade e nos direitos da Internet, a Síria é infamemente conhecida por ser uma das piores inimigas da Internet. O que você acha que os ativistas sírios podem ou precisam fazer para obterem progressos?

RA: Yes, Brazil is ahead of many first world nations who establish good rules of Internet freedom which didn't come from vacuum. Syrian activists revealed their creativity during the Syrian revolution but they can still learn more from Brazilians rights defenders how to use their intelligence in fighting against the surveillance by the Syrian regime which used the Internet as device to gag and detain the peaceful protests. I'm a supporter of peaceful online anti-government tactics that won't risk lives of people. GV has written a bunch of articles and mentioned many good practices in this regard.

R.A: Sim, o Brasil está à frente das muitas nações do primeiro mundo que estabeleceram as boas regras de liberdade na Internet, as quais não surgiram sem motivo. Os ativistas sírios revelaram sua criatividade durante a revolução síria mas eles podem aprender mais ainda com os defensores dos direitos brasileiros sobre como usar a inteligência na luta contra a vigilância pelo regime sírio, que usou a Internet como um mecanismo para censurar e deter os protestos pacíficos. Eu sou um defensor das táticas pacíficas online que não arriscam a vida das pessoas. O GV tem escrito muitos artigos e mencionado muitas práticas boas com respeito a isso. 

GV: Quais são as opiniões dos sírios que vivem no Brasil sobre o que está acontecendo na Síria? Eles estão divididos da mesma  forma que os sírios estão internamente? Existe algum movimento organizado, especialmente na canalização da assistência e da ajuda humanitária?

 

RA: Actually, Syrians in Brazil are well divided between anti- and pro-Assad government. While you find people who are defending the bombarding of the government in name of “war against terrorists,” very limited offers went public due to lack of media coverage that plays a significant role to bring the public awareness. Moreover, majority of Brazilians think of “Middle East” conflicts as a source of problems that never end, therefore, they're careless.

R.A: Na verdade, os sírios no Brasil estão bastante divididos entre os pró-governo de Assad e os contra. Enquanto você encontra pessoas defendendo os bombardeios do governo em nome da “guerra contra os terroristas”, muito poucas ofertas se tornam públicas devido a falta de cobertura pela mídia, que exerce um papel significativo ao trazer a conscientização pública. Além disso, a maioria dos brasileiros acha que os conflitos do “Oriente Médio” são uma fonte de problemas que nunca terminam, portanto, eles não se importam. 

GV: Nesse ano, todos os olhares parecem estar voltados para o Brasil porque ele sediou a Copa do Mundo e a NetMundial, o encontro sobre a governança na Internet. Na sua opinião, o que isso significa para o país?

RA: While NetMundial is considered a gain and pride on international levels toward human rights and technology, the World Cup didn't go as smooth as the Brazilian government wanted it to be. From projects delays, collapsed constructions, and protests in the streets where people wanted to express their objection to the corruption that the government and FIFA want to hide beyond the popular game, almost a religion in Brazil. Not all Brazilians are blind football fanatics who forgive and forget the white elephants brought by the greedy politicians.

Rami speaking during the Cumbre Mundial de Indignados in Mexico in December 2012 an event focusing on popular uprising around the globe

Rami falando durante o Cumbre Mundial de Indignados no México, em dezenbro de 2012. Um evento focado nas insurreições populares em todo mundo.

R.A: Embora a NetMundial seja considerada no plano internacional uma conquista e um orgulho para os direitos humanos e a tecnologia, a Copa do Mundo não foi tão tranquila como o governo brasileiro gostaria que fosse. Desde os atrasos dos projetos, os desabamentos de construções, e os protestos nas ruas onde as pessoas queriam expressar objeção contra a corrupção que o governo  e a FIFA queriam ocultar com o esporte popular, quase considerado como uma religião no Brasil. Nem todos os brasileiros são fanáticos ferrenhos por futebol, a ponto de perdoar e esquecer os elefantes brancos que os políticos gananciosos construíram. 

 

GV: Conte algumas de suas preferências?

 

RA: I love Gabriel Garcia Marquez and his “One Hundred Years of Solitude.” Muhammad Al Maghut is also among my favorite authors. I listen to Fairouz and admire the oriental music as much as I love the jazz of Frank Sinatra. Pizza is my favorite and its country Italy is my World Cup team that I support. I find myself traveling through the Lord of the Rings world and enjoy every movie comes through.

 R.A: Eu adoro o Gabriel Garcia Marques e o seu livro “Cem Anos de Solidão”. Muhammad Al Maghut também é um dos meus autores favoritos. Eu escuto Fairouz e admiro a música oriental tanto quanto eu amo o jazz de Frank Sinatra. Pizza é a minha comida favorita e a Itália é o time da Copa do Mundo para o qual eu torci.