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Como moradores das Ilhas do Pacífico estão combatendo as mudanças climáticas com canoas

Canoe building in Pohnpei, the Federated States of Micronesia, where the warriors are learning the canoe building process from local elders. Photo credit:

Anciãos de Pohnpei, nos Estados Federados da Micronésia, ensinam os Guerreiros do Pacífico a construirem suas canoas. Crédito da imagem: 350.org

Este artigo foi escrito por Fenton Lutunatabua para 350.org, e republicado no Global Voices através de um acordo de compartilhamento de conteúdo.

As mudanças climáticas estão atingindo fortemente as ilhas do Pacífico. Os níveis do mar estão subindo, as temperaturas estão aumentando, assim como a intensidade das tempestades e das inundações que contaminaram os suprimentos de água doce e arruinaram as colheitas e fizeram com que moradores de uma das ilhas decidissem abandonar o lugar.

Apesar disso, a Austrália renovou o seu comprometimento com o uso de combustíveis fósseis.

Mas os moradores das ilhas do Pacífico estão contra atacando — com canoas. Pessoas de 16 países diferentes irão viajar por mar até a Austrália, como parte da campanha Guerreiro do Pacífico 350.org, e entregar canoas tradicionais aos grandes defensores da indústria de combustíveis fósseis, para mostrar-lhes que os moradores das ilhas do Pacífico irão trabalhar pacificamente para proteger sua cultura, terras e oceanos.

No início deste ano, os guerreiros do clima de toda a região iniciaram a construção de canoas. Em Vanuatu, uma árvore especialmente escolhida foi doada para a equipe iniciar o processo. O vídeo abaixo traz uma entrevista com o mestre construtor de canoas Walter Namua, que explica o significado da árvore.

Normalmente, nós não somos partidários do corte de árvores. Na verdade, ao longo dos últimos cinco anos, os nossos organizadores do Pacífico têm plantado milhares de árvores, mas para este projeto as nossas equipes estão cortando uma única árvore de cada ilha. Muitas delas foram doadas à causa. As equipes estão trabalhando com os mestres construtores e anciãos para conceder bênçãos a cada árvore antes de iniciar a construção da canoa.

A tradição de construção de canoas desapareceu lentamente ao longo dos anos entre as comunidades do Pacífico, em nome do progresso e avanços tecnológicos. Os barcos passaram a ser utilizados na vida cotidiana. Na maioria dos casos, a construção de uma canoa envolvia toda a comunidade. Apesar de ter havido segregação de funções (homens fizeram os cascos e plataformas e mulheres fizeram as velas), toda a comunidade – homens, mulheres, jovens e idosos – se uniram para fazer a corda e o cabo que uniram o trabalho.

As árvores que crescem em áreas de condições precárias ou inférteis foram selecionadas para se tornarem canoas. Foi importante que as árvores utilizadas pudessem suportar a força do oceano, uma vez que as canoas foram utilizadas no comércio para viajens entre as ilhas.

A campanha está tentando recuperar a arte da construção de canoas e da navegação tradicional para transmitir mensagens sobre mudanças climática à Austrália.

Em Pohnpei, Estados Federados da Micronésia, os guerreiros já estão em andamento na construção de canoas, apoiados pela aldeia de Enipein, Kitti, para aprender com os moradores antigos o processo de construção tradicional canoas. Guerreiros em Tonga, por sua vez, realizaram a Tonga Sipi Tau (dança de guerra) e trabalharam com escultores de madeira para começar sua construção 12 de abril, Dia de Ação.

Em Tokelau, estão solicitando o apoio do povo de Atafu, que são famosos pela construção de canoas para iniciar a construção das suas. E, em Papua Nova Guiné, os guerreiros do clima atravessaram Port Moresby e sensibilizaram o público sobre as mudanças climáticas, o papel dos Guerreiros Climáticos do Pacífico na região e como os cidadãos podem apoiar o movimento.