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O blogger paquistanês que não podia andar, mas inspirou outras pessoas a correr

Screenshot of Sarmad Tariq during his speech at TEDxKarachi 2011

Imagem de Sarmad Tariq durante sua apresentação na TEDxKarachi em 2011.

[Todos os links levam à páginas em inglês, exceto quando indicado o contrário]

Um acidente de natação aos 15 anos de idade deixou Sarmad Tariq paralisado do ombro esquerdo para baixo e o forçou a usar uma cadeira de rodas. Mas, isto não impediu esse homem de Islamabad, Paquistão, de viajar o mundo como um palestrante motivacional e um atleta maratonista.

Tanto no seu país quanto no exterior, muitos foram inspirados por Tariq, que aceitou sua condição independente das dificuldades colocadas em seu caminho.

Tariq, que também foi um escritor de ficção, morreu na manhã de 30 de abril de 2014, em sua casa aos 38 anos.

Tinha um blog e um perfil do Facebook em que não escondia dos leitores sobre a saúde e a história dele, e deixava claro que não queria piedade. Em 16 de março de 2014, postou o que seria seu último acesso na sua página do Facebook e no blog, que retratou sua perseverança:

Dear God,

Quadriplegia, autonomic dysreflexia, sepsis, malaria, chronic bronchitis, bed sores and only you can tell how many more. You know that I currently suffer from more ailments that a common person can pronounce. Just during the past one month I have been rushed to the hospital twice in critical condition. […] My family members are on the verge of nervous breakdowns. I regularly lose consciousness, get breathless by the simple act of speaking, see my body temperature rise to extreme highs and drop to unbelievable lows. […]

And yet… yet I am not complaining. I live on, I keep smiling, my faith does not waver, I refuse to lose hope, I am a survivor. You know I am doing my best.

But… Dear God, I know you don't give anyone more than he can take, I know you wouldn't let me break, you wouldn't let my belief shake, but if it isn't too much to ask, I really really need a break!

Querido Deus,

Quadriplegia, disreflexia autonômica, sepse, malária, bronquite crônica, escara e só você pode dizer tantas mais. Você sabe que hoje em dia sofro de mais achaques que uma pessoa comum possa dizer. Só durante o mês passado tive de correr para o hospital duas vezes em estado crítico. […] Meus familiares estão à beira de um colapso nervoso. Frequentemente perco a consciência, tenho falta de ar em uma simples palestra, sinto a minha temperatura corporal subir ao extremo e cair de maneira inacreditável. […]

E mesmo assim… não estou reclamando. Vivo, continuo sorrindo, minha fé não vacila, recuso perder a esperança, sou um sobrevivente. Você sabe que estou fazendo o meu melhor.

Mas… Querido Deus, sei que você não dá para ninguém mais do que ele possa carregar, sei que você não me deixava quebrar, sei que você não deixava minha crença abalar, mas se não for pedir de mais, na verdade eu preciso de um descanso!

Após a notícia da sua morte, muitas mensagens lembraram de Tariq.

Awab Alvi, autor da Global Voices e colaborador sênior da TED do Paquistão, lembrou da presença de Tariq na TEDxKarachi em 2011 em uma publicação do Facebook:

In the run-up to the event, I had only “heard” about his story, I emailed him a couple of times, and talked to him over the phone to setup logistics and other details a few times prior to the event, but when he took to the stage, a quadriplegic in his wheelchair, wearing a Think Positive T-shirt, a bold white watch & a fumbling mineral water bottle – nothing prepared us for what he would say in the next 22 minutes – by the end of the speech, probably each of the 450 member audience had goosebumps and simply could not help giving this amazing man a long well deserved standing ovation.

No preparativo para o evento, só “escutava” sobre a sua história, mandei-lhe e-mail diversas vezes, e conversamos por telefone para organizar a logística e os outros detalhes algum tempo antes do evento, mas quando ele subiu ao palco, um quadriplégico em sua cadeira de rodas, vestindo uma camiseta da “Think Positive”, um ousado relógio branco e uma garrafa de água mineral que segurava desajeitadamente — nada nos preparou para o que ele falaria nos próximos 22 minutos — no fim da apresentação, provavelmente cada um dos 450 membros da plateia estava arrepiado e não tinha outro remédio senão dar uma longa e merecida ovação de pé para esse fantástico homem.

Aqui está sua apresentação da TEDxKarachi:

Shireen Naqvi, diretora da Escola de Liderança de Karachi, agradeceu Tariq:

Besides being grateful for the limitless times you have enriched our lives in personal and team gatherings, I thank you for standing by our side, amongst us, every time, to turn the youth of our country into leaders with compassion, resolve and foresight.[..] Your legacy shall live on!

Além de ser grata pelas infinitas vezes que você enriqueceu nossas vidas individualmente e em grupo, agradeço por estar sempre ao nosso lado, entre nós, para transformar os jovens do nosso país em líderes com compaixão, determinação e capacidade de ver o futuro. [..]. Seu legado viverá!

Isfandiyar Shaheen, um dos vizinhos de Tariq, recordou a chave para a felicidade dele:

Sarmad Tariq passed away. I knew him in the years prior to his accident. He was our neighbour, my earliest memory of him was fighting a bout of boxing in his own home and his love for Rocky 4. He said the key to happiness is I) absence of complaints, II) absence of regrets, III) absence of fear and IV) a constant source of self fulfillment. I asked him once how or why he didn't regret his accident. To which he replied that had not dived into that nehar, he would have probably joined the army and would have become a mediocre officer, but instead his handicap enabled him to actualise his potential.

Sarmad Tariq faleceu. Eu o conheci anos antes do seu acidente. Ele era nosso vizinho, minha lembrança mais recente dele foi boxeando em sua própria casa e seu amor pelo Rocky 4. Ele disse que a chave para a felicidade é I) ausência de reclamações, II) ausência de lamentações, III) ausência do medo e IV) uma fonte constante de autorrealização. Uma vez o perguntei como e por que ele não se lamentava do acidente. Para isso respondeu que caso não tivesse mergulhado naquele rio, ele provavelmente se alistaria às forças armadas e seria um oficial medíocre, mas sua deficiência física o permitiu atualizar seu potencial.

No Twitter, Jehan ara, presidente da Software Houses Association for IT & ITES do Paquistão, escreveu:

Tão triste em ouvir o falecimento de Sarmad Tariq que provou que se alguém realmente quiser alcançar algo na vida, não há limites.

Rai M Azlan, coeditor da Global Voices na língua urdu, elogiou Tariq:

Sarmad Tariq, o “Presidente”, faleceu. Ele foi um motivador, nunca deixou sua cadeira de rodas ser sua deficiência.

Ema Anis, editora de redes sociais do jornal “The Express Tribune”  confessou em uma coluna que não sabia quem era Tariq até a sua morte, quando uma grande quantidade de tweets publicaram notas do seu falecimento no Twitter. Com a curiosidade instigada, ela leu mais a respeito dele. O que ela aprendeu e a deixou comovida:

I had not seen any documentaries about him, had never heard him talk and yet, in a matter of minutes, he became the person I wanted to meet just once; someone to draw inspiration from, to find hope to go through this life and to learn to live it to the fullest.

To me, Sarmad seemed like a person who had ‘life’ figured out. He didn’t just know but was constantly aware of the fact that death is imminent. He was prepared for it and wanted to make the most of every single moment of his life.

And he succeeded.

Não tinha visto nenhum documentário sobre ele, nunca tinha ouvido falar dele e já, em questão de minutos, ele era a pessoa que eu queria encontrar ao menos uma vez; alguém para me inspirar, para encontrar a esperança para seguir essa vida e aprender a viver ao máximo.

Para mim, Sarmad me parecia uma pessoa que tinha planejado a “vida”. Ele só não sabia como estava sempre consciente do fato que a morte é iminente. Estava preparado para ela e queria fazer o melhor a todo momento da sua vida.

E ele conseguiu.

Algumas pessoas nas redes sociais estão cogitando de organizar no Paquistão leituras dos textos de Tariq em sua memória. Entretanto, aquele que quiser ler suas publicações, pode visitar a página no Facebook e blog de Tariq.