Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Economista ouvido na Procuradoria por ter escrito carta aberta ao Presidente de Moçambique

Nuno Castel-Branco. Foto do Instituto de Estudos Sociais e Económicos  (IESE), do qual Castel-Branco foi presidente.

Nuno Castel-Branco. Foto do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), do qual Castel-Branco foi director.

Acusado de ter proferido insultos à figura do chefe de estado moçambicano após ter publicado uma carta aberta a expressar a sua opinião em relação à governação do Presidente Armando Guebuza, em Novembro de 2013, o economista e professor universitário Nuno Castel-Branco foi ouvido no dia 26 de Maio de 2014 na Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique. O mesmo não tinha comparecido numa chamada da PGR em Dezembro de 2013, alegadamente por não ter sido notificado, conforme o Global Voices reportou na altura dando mais detalhes sobre o caso.

Na referida carta, Castel-Branco teceu duras críticas a Armando Guebuza, tendo mesmo sugerido que o Presidente da República se demitisse por, entre outras razões, estar fora do controlo e estar a levar a cabo uma acção que está a perpetuar a pobreza e a arrastar Moçambique para o abismo.

Numa publicação sobre a notícia na página de Facebook do jornal Canal Moz, Lissay Zucula sugere que a procuradoria devia se preocupar com casos mais sérios de criminalidade em vez de violar a liberdade de expressão:

A PGR, é ”marionete” do governo (PR). Isto é uma campanha de intimidação,a ser assim,deviam prender todos Moçambicanos,porque o Povo está do lado do Dr Castelo Branco. Ele não disse nada que não se soubesse,apenas teve a coragem de fazê-lo,dirigido ao causador da desgraça nacional (Tio Patinhas). A procuradoria,devia se preocupar em investigar os casos ”quentes”,que pöem o estado de ”joelhos” perante o crime organizado,e não perturbar pessoas que falam e escrevem o que o Povo sente,mas que não tem oportunidade de exprimir. Moçambique não é e nunca será de quem está ou estará na ponta vermelha,este País,é de todos Moçambicanos,repito;todos…

Refira-se que, em Dezembro de 2013 os jornais Canal de Moçambique e MediaFax foram igualmente notificados por abuso de liberdade de imprensa por terem publicado a carta.

À saída da audiência, Nuno Castel-Branco referiu que não está arrependido de lutar porque o ‘post’ publicado no Facebook foi feito com a intenção de provocar debate sobre coisas que ele considera serem sérias para o país, e terminou dizendo que “a luta continua”, como se pode ouvir no seguinte vídeo à saída da PGR:

Uma petição em apoio à liberdade de expressão e académica, com particular apoio ao economista Nuno Castel-Branco, está desde o final de 2013 a circular na Internet.