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“Contra o roubo legalizado”: regalias dos governantes moçambicanos levam cidadãos às ruas

Marcha contra o "roubo legalziado""

Marcha contra o “roubo legalizado”

Realizou-se no dia 16 de Maio de 2014 uma marcha “contra o roubo legalizado” em Moçambique. Nas ruas de Maputo, cerca de cinco centenas de pessoas mostraram o seu repúdio à aprovação recente de um conjunto de benesses para o chefe de estado e deputados da Assembleia da República.

A marcha tinha sido anunciada através do grupo Deputados de Luxo no Facebook, sobre o qual o Global Voices reportou na véspera da manifestação. Em causa está a aprovação do novo Estatuto do Deputado que estende regalias aos governantes moçambicanos mesmo após o término dos seus mandatos. A medida acontece a poucos meses das eleições gerais, marcadas para Outubro de 2014, nas quais serão eleitos os próximos deputados e presidente do país.

Foto de Jornal @Verdade: "centenas cidadão marcham em #Maputo contra salários milionários de deputados e Chefes de Estado vão gritando "Presidente [Armando Guebuza] vem comigo no 'My love'." (usada com permissão)

Foto de Jornal @Verdade: “centenas cidadão marcham em #Maputo contra salários milionários de deputados e Chefes de Estado vão gritando “Presidente [Armando Guebuza] vem comigo no ‘My love’.” (usada com permissão)

Nas ruas levantaram-se faixas com palavras de indignação contra as regalias e mordomias dos deputados, em face das dificuldades que o povo vive. Muitos fizeram menção ao precário sistema de transportes públicos, apontando o dedo à frota de viaturas de luxo distribuída pelos governantes com dinheiros públicos. 

A acompanhar a marcha, uma composição musical intitulada “Vamos levantar a voz”, acentuava o tom de indignação dos manifestantes. A música foi composta sob a alçada da Liga dos Direitos Humanos por vários artistas moçambicanos, dentre os quais se destaca o jovem rapper Azagaia, nome artístico de Edson da Luz, um dos mais brilhantes músicos de hip hop moçambicanos – e o mais polémico [en].

Vários blogues e redes sociais partilharam o link para download da música, incluindo a página de Facebook Deputados de Luxo que disponibiliza também a respectiva letra. No fecho, ouvem-se palavras do herói da independência Samora Machel (1933-1986), primeiro presidente de Moçambique:

Só deverão ser trabalhadores do Estado aqueles que reunirem as condições necessárias. Ser servidor do Estado, antes de tudo, é ser servidor do Povo. O Estado não pode ser o asilo dos inúteis e dos incompetentes. O Estado não pode ser o refúgio dos indisciplinados e dos corruptos.

Marcha contra as regalias de ex-governantes

Marcha contra as regalias de ex-governantes

O Jornal @Verdade gravou um vídeo da marcha. Nas redes sociais surgiram várias reacções. 

Dudu Tumbo, numa publicação do Jornal @Verdade no Facebook, comentou:

Os partidos políticos [com representação na Assembleia da República] são a face visível da falta de carácter, da ganância, da ambição sem limites neste país. Eu sugeria um partido/candidato ligado a causa do trabalhador ou sociedade civil comprometida com o povo para enfrentar e afastar os abutres do círculo da governação do país. Yes we can.

Ainda na mesma publicação, Hercio Naife fala da face oculta dos deputados, criticando a busca pelos ganhos individuais no lugar de servir o povo:

A verdade é que nem mesmo os deputados do MDM e da Renamo (Concorrentes notáveis) servem… Estão a provar que o estar na assembleia tem outros fins, fins esses que não são de defender e tomar decisões que ajudem ao Povo! Vejo que o ser deputado está a ser tornado uma profissão em que todos vão querer exerce-la não para defender ao Povo mas sim pelos interesses de ser bem sucedido. A mim isso me choca, pergunto ate onde iremos?

Maeck José fez referência num comentário na publicação do Jornal CanalMoz sobre a Marcha, referindo que esta atitude deveria ser de todos quadrantes da sociedade:

Espero que essa greve traga frutos e não deveria ser [apenas] a sociedade civil [a aderir a] essa greve. Os professores, os enfermeiros, polícias, funcionários públicos deveriam paralisar todas [as] atividades e juntos combatemos os roubos.