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Reflexões em meio ao caos dos protestos na Venezuela

Joven tratando de persuadir a la policía en Caracas el 12 de febrero. Foto de Carlos Becerra, copyright Demotix.

Jovem tentando persuadir a polícia em Caracas em 12 de fevereiro. Foto de Carlos Becerra, copyright Demotix.

[Todos os links levam a páginas em espanhol]

Confusão, discussões, cruzamento de informações e inúmeras fotos e vídeos inundam a blogosfera e redes sociais na Venezuela depois que os protestos estudantis, que começaram na região andina, se estenderam a outras cidades do país.

Foram publicados vários vídeos de policiais disparando contra estudantes, intervindo em protestos e centros médicos, assim como diversas fotografias de manifestantes e de jovens feridos

A resposta de parte do governo e de seus simpatizantes consistiu em demonstrar preocupação quanto a possíveis planos para desestabilizá-lo, e em utilizar, no Twitter, a hashtag #VzlaUnidaContraElFascismo para qualificar os manifestantes de agitadores contrários ao processo revolucionário.

Muitos dos que participaram ativamente online apontaram também o uso de fotografias e vídeos de datas que não correspondem às manifestações e informaram sobre o perigo dos rumores difundidos na rede. 

Do mesmo modo, acusam os líderes da oposição de semear o caos nas ruas e exigem a atuação dos órgãos do Estado para deter aqueles que eles consideram os culpados pelos enfrentamentos na ruas.

Enrique Rojas diz:

Eles continuam nas ruas provocando o governo, continuemos trabalhando, construindo esta pátria.

Caiza Candanga vai no mesmo sentido:

O chamado é para os pais dos estudantes NÃO PERMITAM QUE SEUS FILH@S SEJAM USADOS COMO CARNE PARA CANHÃO

SClaudia, por sua vez, questiona os manifestantes:

Venezuela: Protesto ou vandalismo? Ataque à Brigada de Infantaria do estado Lara no dia 12 de fevereiro

No entanto, apesar dos questionamentos daqueles que apoiam o governo, a profusão de imagens está em alta nos últimos dias com a multiplicação dos protestos em várias cidades do país.

Miguel Zambrano compartilhou uma imagem do fotojornalista Jorge Silva:

uma foto impecável de uma realidade tão sórdida, por @jgesilva 

Entre numerosos hashtags, tweets e blogs, difundiram-se informações contraditórias, opiniões radicais e medos de ambos os lados.

As fotografias e os ‘trending topics’ mostram uma grande participação nas novas mídias. Contudo, também se lê nas entrelinhas uma imensa confusão sobre as limitações políticas dos meios de comunicação, a participação de criminosos comuns em meio aos conflitos nas ruas e as falhas do serviço elétrico que deixaram várias cidades sem luz (como informado através da hashtag #sinluz).

Para entender a origem dos protestos, o portal de opinião ProDavinci publicou um texto:

1. Protestas estudiantiles por la inseguridad: Durante la última semana del mes de enero fueron denunciados diversos episodios de inseguridad en distintas universidades del país.  […]

2. La protesta en Táchira: El martes 04 de febrero, una estudiante del núcleo de la Universidad de Los Andes en Táchira se encontraba en el Jardín Botánico de la universidad y fue víctima de un intento de violación.[…] Para este momento, ya se habían presentado varias protestas en otras ciudades de Venezuela, pero la única protesta reprimida fue la de Táchira.

3. La represión de las protestas: Desde ese martes se registraron distintas protestas en el estado Táchira. Miembros de la Guardia Nacional, la Policía Nacional Bolivariana y la policía regional reprimieron la manifestación apresando a varios estudiantes. […]Horas después, algunos de estos estudiantes dieron declaraciones a medios internacionales para denunciar los sucesos y lo que denominaron un bloqueo informativo de los medios audiovisuales con señal abierta en Venezuela.

1. Protestos de estudantes contra a insegurança: Durante a última semana de janeiro, foram denunciados diversos episódios relativos à falta de segurança em diferentes universidades do país.  […]

2. O protesto em Táchira: Na terça-feira 04 de fevereiro, uma estudante do núcleo da Universidade dos Andes, em Táchira, estava no Jardim Botânico da universidade quando foi vítima de uma tentativa de estupro. […] Até esse momento, vários protestos já haviam ocorrido em outras cidades da Venezuela, mas o único protesto reprimido foi o de Táchira.

3. A repressão dos protestos: Desde o dia 4, registraram-se diferentes protestos no estado de Táchira. Membros da Guarda Nacional, da Polícia Nacional Bolivariana e da polícia regional reprimiram a manifestação prendendo vários estudantes. […] Horas depois, alguns estudantes deram declarações a meios de comunicação internacionais para denunciar os acontecimentos e o que denominaram um bloqueio informativo dos meios audiovisuais de sinal aberto na Venezuela.

O post continua com mais dois aspectos que incluem as prisões e transferências dos estudantes à cidade de Coro e a união de outras universidades ao protesto. 

A autora do blog Cuando era Feliz e Indocumentada comenta, por sua vez, o aumento da violência nos discursos dos diferentes grupos:

La semana pasada fui a un foro académico sobre economía. El chiste en la puerta de entrada, cuando le entregaban un panfleto a todos los asistentes era, “a la salida reclama un fusil”. Me dejó de sonar a broma cuando hubo oportunidad de hacer preguntas a los panelistas y un señor dijo que era necesario hacer una nueva revolución armada. Y en vez de chiflarlo, muchos en el recinto lo aplaudieron.

Na semana passada, fui a um fórum acadêmico sobre economia. A piada na porta de entrada, enquanto entregavam um panfleto a todos os participantes era: “na saída, peça um fuzil”. Deixou de parecer uma piada quando tive a oportunidade de fazer perguntas aos palestrantes e um senhor disse que era necessário fazer uma nova revolução armada. E, ao invés de vaiá-lo, muitos no recinto o aplaudiram.

E ela vai além, com uma crítica às limitações de acesso à informação:

Al interior de ambos bandos hay divisiones y pareciera que, tanto entre chavistas como entre opositores, las que están haciendo más ruido últimamente son las de los radicales. No hay cómo saber hasta qué punto estas fracturas pueden terminar atentando contra el gobierno. No hay información y no hay como acceder a ella. Intentamos interpretar correctamente las declaraciones, tratamos de buscar otras apreciaciones. Pero cada vez hay menos periodismo, menos reportería, menos datos. Y cada vez hay más propaganda, más opinión, más especulación. Quizás son los ingredientes perfectos para que ahora sí “pase algo”.

No interior de ambos os lados, há divisões e parece que tanto entre chavistas como entre opositores, as que estão fazendo mais barulho ultimamente são as dos radicais. Não há como saber até que ponto estas fraturas podem terminar atentando contra o governo. Não há informação e não há como chegar a ela. Tentamos interpretar corretamente as declarações, tratamos de buscar outras avaliações. Mas cada vez há menos jornalismo, menos reportagem, menos dados. E cada vez há mais propaganda, mais opinião, mais especulação. Talvez sejam os ingredientes perfeitos para que, agora sim, “algo aconteça”.

Las protestas del 12 de febrero comenzaron de forma pacífica. Foto de Carlos Becerra, copyright Demotix.

Os protestos de 12 de fevereiro começaram de forma pacífica. Foto de Carlos Becerra, copyright Demotix.

Da mesma forma, John Manuel Silva, do coletivo de opinião Panfleto Negro, faz uma reflexão crítica e ampla dos aspectos que estão por trás dos protestos, das respostas do governo e das estratégias dos grupos de oposição:

Hablemos claro: el gobierno ha hecho lo que ha querido y lo hubiese hecho independientemente de la actitud opositora. El apropiamiento de PDVSA, las expropiaciones, las leyes que han minado nuestros derechos civiles, la represión, los abusos y la instauración paulatina de una economía socialista ocurrieron porque eran parte del plan del gobierno […]

Hablemos de las calles: si algo quedó claro ayer con esa insólita y despreciable arremetida de los “colectivos” oficialistas, es que la represión de las protestas no se dará por vía tradicional, con la G.N. o la Policía, sino que serán estos grupos paramilitares y parapoliciales quienes harán el trabajo sucio. […]

El gran problema del chavismo no es la forma en que han administrado al Estado; ese es un problema. Pero lo realmente preocupante es como han creado un Para-Estado, tanto a nivel administrativo […] como también a nivel policial y militar

Sejamos claros: o governo fez o que queria e o teria feito independente da atitude da oposição. A apropriação da PDVSA (Petróleos de Venezuela), as expropriações, as leis que minaram nossos direitos civis, a repressão, os abusos e a instauração paulatina de uma economia socialista ocorreram porque eram parte do plano do governo […]

Falemos das ruas: se algo ficou claro ontem com esse insólito e desprezível ataque dos “coletivos” oficiais, é que a repressão dos protestos não se dará por via tradicional, com a Guarda Nacional ou a polícia. Serão estes grupos paramilitares e parapoliciais que farão o trabalho sujo. […]

O grande problema do chavismo não é a forma como administrou o Estado; este é um problema. Mas o que é realmente preocupante é como criaram um Para-Estado, tanto a nível administrativo […] como a nível policial e militar

Do mesmo modo, o autor convida os opositores do governo a refletir sobre a divisão política:

¿Alguna vez te has preguntado cómo es posible que exista escasez, desempleo, pobreza y una delincuencia desatada y aún así haya gente que apoye al gobierno? ¿Has escuchado la consigna “con hambre y desempleo con Chávez me resteo”? Bueno, si no entiendes ese nivel de indignidad, tal vez debas pensar que negar la existencia de esa otra mitad del país sólo puede llevar a que esas actitudes se extiendan más y más.

Você já se perguntou como é possível que exista escassez, desemprego, pobreza e uma delinquência desenfreada e, ainda assim, haja gente que apoie o governo? Já escutou o lema “com fome e desemprego o que tenho a perder com Chávez”? Bom, se não entende esse nível de indignidade, talvez deva pensar que negar a existência desta outra metade do país só pode levar à proliferação dessas atitudes.

E, finalmente, com relação aos estudantes tanto de oposição como do governo que morreram assassinados nos protestos, o autor conclui:

…los venezolanos no se impactarán por una o dos muertes producto de la represión policial. Más bien hoy, el presidente se encadenará, dirá que los muertos son culpa de la oposición, se victimizará, etc. Y en unos días, todo será olvidado. Los únicos que recordarán siempre a ese estudiante muerto hoy serán sus familiares, mientras que el “miembro del colectivo” también muerto hoy, será exaltado a la condición de héroe y servirá para seguir justificando peores actos de represión.

…os venezuelanos não ficarão chocados com uma ou duas mortes produto da repressão policial. Pelo contrário, o presidente dirá que os mortos são culpa da oposição, se vitimizará etc. E, em alguns dias, tudo será esquecido. Os únicos que se lembrarão sempre desse estudante morto hoje serão seus familiares, enquanto o “membro do coletivo”, também morto hoje, será elevado à condição de herói e servirá para continuar justificando piores atos de repressão.

Tradução editada por Débora Medeiros como parte do projeto Global Voices Lingua