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Protestos da oposição e aglomerações públicas são proibidas no Camboja

Civilians wearing red arm bands joined the police in dispersing the crowd gathered inside the Phnom Penh Freedom Park. Photo from Licadho.

Civis usando faixas vermelhas no braço se juntam à polícia para dispersar a multidão aglomerada dentro do Parque da Liberdade de Phnom Pehn. Foto do Licadho.

[Todos os links levam a páginas em inglês exceto quando especificado o contrário]

Após a dispersão violenta dos trabalhadores do setor de vestuário em greve, o governo do Camboja proibiu os grupos de oposição de realizar novos protestos em Phnom Pehn, capital do país. Até mesmo a reunião de duas pessoas na rua é agora proibida.

Quatro pessoas morreram ontem e dezenas foram feridas após a polícia abrir fogo contra trabalhadores do setor vestuário, que vêm demandando um salário mínimo mensal de $160 (cerca de R$380). Atualmente, trabalhadores do setor recebem $80 (cerca de R$190) por mês.

Os trabalhadores ganharam o apoio do partido de oposição Cambodia National Rescue Party (Partido do Resgate Nacional do Camboja), que prometeu aumentar os salários se assumisse o poder no país. A oposição vem promovendo protestos diários no Parque da Liberdade de Phnom Penh, também conhecido como Praça da Liberdade, para pressionar pela queda do governo do Primeiro Ministro Hun Sen que tem sido acusado de manipular os resultados das últimas eleições. A oposição tem boicotado as sessões parlamentares, apesar de ter 55 cadeiras.

A oposição conseguiu reunir dezenas de milhares de pessoas nas ruas desde dezembro do ano passado. Os protestos foram a maior demonstração contra o governo no Camboja dos últimos anos.

Hoje, o acampamento do protesto foi violentamente removido pelas forças do governo. O governo local disse que a permissão da oposição para protestar foi cancelada por uma questão de segurança.

Licadho, um grupo de direitos humanos, descreveu como os manifestantes foram dispersados do Parque da Liberdade:

The violence began at around 11.00 this morning when hundreds of police and military police blocked roads surrounding Freedom Park and rapidly and without warning moved in to clear the park of protesters. As they approached, the residing protesters, many of whom were monks or women with their children fled in fear leaving behind their belongings. The forces were accompanied by hundreds of thuggish civilians wearing red arm bands who used metre-long steel poles to beat and intimidate the peaceful protesters

A violência começou em torno das 11h esta manhã, quando centenas de policiais e policiais militares bloquearam ruas ao redor do Parque da Liberdade e rapidamente e sem aviso entraram para expulsar os manifestantes do parque. Quando se aproximaram, os manifestantes presentes, muitos deles monges ou mulheres e suas crianças, fugiram com medo, deixando para trás seus pertences. As forças estavam acompanhadas por centenas de civis violentos usando faixas vermelhas no braço, que usaram barras de aço de um metro para bater e intimidar os manifestantes pacíficos.

These guys with steel pipes just told me they are “taking a walk to get some exercise” pic.twitter.com/UH9AyDLxE9

— Julia Wallace (@julia_wallace) January 4, 2014

Esses homens com barras de aço simplesmente me disseram que estavam “dando uma volta para fazer um pouco de exercício” pic.twitter.com/UH9AyDLxE9

#Camboja Passatempo favorito de bandidos e policiais pic.twitter.com/c72xgryxIs

O relato do grupo Licadho sobre o patrulhamento das ruas por policiais uniformizados acompanhados por civis usando a faixa vermelha no braço foi confirmado pelo Ruom:

On January 4th, seemingly intent on preventing any further protest, police surrounded Freedom Park, the major rallying point for the Cambodian National Rescue Party – the main opposition party. Uniformed officers and plain clothed citizens, armed with wooden rods and pieces of rebar, forced CNRP supporters – largely comprised of rural seniors – out of the park. For the next hour they destroyed the tents and stage that had been host to rallies since October

Em 4 de janeiro, aparentemente tentando prevenir qualquer outro protesto, a polícia cercou o Parque da Liberdade, ponto mais importante das manifestações do Partido do Resgate Nacional do Camboja – o principal partido da oposição. Oficiais uniformizados e cidadãos vestidos de maneira simples, armados com pedaços de madeira e vergalhões, forçaram apoiadores do CNRP [Cambodia National Rescue Party] – a maioria composta por camponeses idosos – para fora do parque. Nas horas seguintes eles destruíram tendas e palcos que haviam sido usados para as manifestações desde outubro

Relatos no twitter também confirmam a repressão violenta dos protestos que o governo ordenou hoje:

Está bastante calmo agora aqui. Quase ninguém na rua, a não ser um punhado de motodops. Um caminhão passa com ‘guardas de segurança’ parecendo cansados com a cabeça para fora

Houveram desavenças durante todo o dia em torno de Wat Phnom, com a polícia e o exército – helicópteros sobrevoavam indo e vindo.

Toda oposição política foi perseguida e espancada. Emitiram ordem de prisão aos líderes. Reunião de mais de 2 pessoas proibida #cambodia @Henry_Langston

Força brutal contra manifestantes pacíficos, incluindo monges selvagemente espancados.

Até mesmo jornalistas foram atacados pelos civis armados nas ruas:

Não consigo reconhecê-lo, mas um fotógrafo que aparentava usar credencial de imprensa foi atacado por forças secretas do governo @pressfreedom @hrw

Ou Virak do Centro Cambojano para os Direitos Humanos está atordoado por conta dos eventos de hoje e alerta que mais violência virá por parte do Estado:

…the time for free speech is over. The events that have taken place over the past several days are a major step backwards for Cambodia in terms of democracy and human rights.

…o tempo da liberdade de expressão acabou. Os eventos que ocorreram nos últimos dias são um grande passo atrás para o Camboja em termos de democracia e direitos humanos.

O partido da oposição CNRP anunciou que irá cancelar o protesto marcado para domingo [5 de janeiro] por conta da repressão, mas condenou a repressão do governo, inclusive as ordens de prisão emitidas contra seus líderes.