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Do Aborto e Controle Sexual no Egito

[Todos os links conduzem a sites em inglês, exceto quando indicado o contrário.]

Em um post entitulado de “Sexo, aborto e controle” (Sex, Abortion and Control), a blogueira anônima Hala/Cleo compartilha a experiência dolorosa que enfrentou enquanto ajudava uma amiga durante um procedimento abortivo no Egito. 

Ela escreve:

Abortion happens in Egypt. The anti-choice chest-beating religious leaders and basha politicians bear little influence on the decisions of women to terminate pregnancies. Once a decision has been made, women will find a way to make it happen. Again, abortion happens in Egypt.

Despite this reality, abortion is illegal – all but in the case of danger to the woman’s health.

O aborto acontece no Egito. A reprovação de orgulhosos líderes religiosos e políticos bascha possui pouca influência na decisão das mulheres de interromper a gravidez. A partir da tomada da decisão, as mulheres encontram um jeito de fazê-lo. Novamente, o aborto acontece no Egito.

Apesar desta realidade, o aborto é ilegal, em todos os casos, salvo o de perigo à saúde da mulher.

[Nota de tradução: “Bascha” refere-se à pronúncia de “pascha”, que, por sua vez, refere-se à um alto título de nobreza da época pré-republicana do Egito. Trata-se de um título equivalente ao britânico “lord”. Fonte: Wikipedia.]

Photo shared by blogger Hala/Cleo on her blog. Lê-se nos cartazes: "Se você não confia em mim para fazer  uma escolha, como você pode confiar a mim uma criança?"

Foto compartilhada pela blogueira Hala/Cleo em seu blog. Lê-se nos cartazes: “Se você não confia em mim para fazer uma escolha, como você pode confiar a mim uma criança?” 

O aborto é oficialmente ilegal no Egito exceto na hipótese de risco de morte da mulher, sendo assim igualmente tipificado na região do oriente médio e do norte da África (sigla em inglês da região: MENA – Middle East and North Africa). A exceção a esta regra fica por conta da Tunísia e da Turquia, as quais possuem leis de aborto mais liberais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de um milhão e meio de abortos foram realizados em 2003 na região do MENA em condições insalubres ou por pessoas sem as devidas habilidades ou com os dois fatores combinados. Complicações provenientes destes abortos foram responsáveis por 11% das mortes decorrentes de natalidade na região.

Em 2009, acadêmicos islâmicos de elite no Egito emitiram uma fatwa (decreto religioso) no qual se autorizava às mulheres realizar o aborto em caso de estupro. No entanto, esta jamais se transformou em lei.

Hala/Cleo analisa as razões para a não-legalização do aborto:

It serves as a means to control women. It silences, shapes, uses and then discards us. It limits our societal roles to being baby-making vessels within marriage, only within marriage. And if not, it squeezes the reality of an active healthy sexuality out of our ovaries and hangs the bloodied sheets off our balconies in the name of honour. It does not acknowledge us if only to shame us.

Isto serve como um meio de controlar as mulheres. Silencia, molda, usa e nos descarta. Limita os nossos papéis sociais a ser geradoras e transportadoras de bebês do matrimônio, apenas do matrimônio. Senão, espreme a realidade de uma atividade sexual saudável para fora de nossos ovários e pendura os ensanguentados lençóis em nossas varandas em nome da honra. Isto não é para nos valorizar, mas para nos envergonhar.

Conforme nota a blogueira, o assunto é raramente discutido. Adicionalmente, ela oferece um guia sobre a realização de aborto no Egito.

Tradução editada por Débora Medeiros como parte do projeto Global Voices Lingua