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IBM no Brasil, vigilância nas ruas: comando e controle

"Gigantes da vigilância de olho no Brasil". Um infográfico interativo da Agência Pública dá a conhecer as empresas que lucram com o mercado mundial de espionagem e como elas estão vigiando o Brasil

“Gigantes da vigilância de olho no Brasil”. Um infográfico interativo da Agência Pública dá a conhecer as empresas que lucram com o mercado mundial de espionagem e como elas estão vigiando o Brasil

Este artigo, escrito por Bruno Fonseca, Jessica Mota, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana, foi publicado originalmente a 6 de setembro de 2013 pela Agência Pública, na cobertura especial #SpyFiles3. Leia a primeira parte, Com a Copa, Brasil vira mercado prioritário da vigilância

Segundo a empresa de pesquisa de mercado IMS Research, o Brasil é o grande mercado para sistemas de vigilância em vídeo na América Latina (concentrando 45% do total até 2014), que está ainda mais aquecido pelos megaeventos. O autor da pesquisa Oliver Philippou na época declarou:

Equipamentos de vigilância serão usados para os dois maiores eventos de esporte no mundo a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016; em um grande número de projetos de infraestrutura no Brasil; e diversos projetos de vigilância extensiva nas cidades.

Desde 2010, a multinacional americana IBM tenta vender aos governos brasileiros a sua concepção de “cidades mais inteligentes”, com soluções tecnológicas nas áreas de transporte, energia e, cada vez mais, segurança. Naquele ano, a empresa apoiou um “road show” da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas pelas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo e escalou seu gerente de novas tecnologias, Cezar Taurion, como articulista do Portal da Copa 2014 para, segundo o site da empresa:

debater como a tecnologia pode ajudar a desenvolver a infraestrutura das cidades brasileiras e prepará-las para a Copa do Mundo de 2014, ajudando a torná-las mais inteligentes.

Os frutos compensaram os esforços: a IBM ficou responsável por projetar os Centros Integrados de Comando e Controle, centros tecnológicos que concentram as decisões referentes a segurança durante os jogos. Nesses centros, telas gigantescas monitoram desde as câmeras de rua ao redor dos estádios até a dados meteorológicos, além de mapas que mostram locais de acidentes de carro, e no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, tiveram um papel crucial na estratégia de repressão policial aos massivos protestos que ocorreram em junho. Ali trabalham em cooperação a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Guarda Municipal, Defesa Civil e Companhia de Engenharia de Tráfego.

No total, as instalações do Rio custaram cerca de R$ 104,5 milhões [cerca de 44 milhões de dólares americanos] – 70% pagos pelo do Estado e 30% pela União, segundo dados divulgados pela prefeitura. A IBM incorporou o hardware, software, parte analítica e pesquisa. A gigante inglesa da vigilância Cisco entrou com a infraestrutura de rede e o sistema de videoconferência que liga o centro de operações diretamente à casa do prefeito.

O Centro foi inaugurado no final de maio deste ano, semanas antes do início das manifestações e da Copa das Confederações. Na ocasião, o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso saudou a obra “impactante pela tecnologia e funcionalidade” e disse:

Este centro é exemplo para o mundo. A segurança pública do país ganha em qualidade, é um legado que vai ficar para a sociedade brasileira após os grandes eventos.

A IBM também ganhou o contrato de implementação de 27 Centros Integrados de Comando e Controle Móvel (CiCCM), projeto da SESGE, junto com as empresas Rontan e Medidata, e a Cisco. São 27 caminhões com tecnologias da informação, sistemas de comunicações e vídeo-monitoramento para a Copa de 2014, que vão funcionar como postos avançados de comando e controle, operados por agentes das mesmas força. Rodrigo Dienstmann, o presidente da Cisco do Brasil, afirmou:

O centro móvel será fundamental para a gestão da segurança durante os grandes eventos ao reunir o que há de mais eficaz em tecnologia para respostas rápidas à incidentes e ameças.

Não é só para a Secretaria Especial que as empresas de vigilância internacionais têm fornecido tecnologias. Veja no final do artigo integral publicado pela Agência Pública como algumas das empresas listadas na publicação Spy Files 3 têm atuado no Brasil.