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O efeito Brasil: milhares protestam ‘Por um Paraguai melhor’

Cerca de 3.000 pessoas [es] tomaram as ruas da capital do Paraguai para fazer com que o Parlamento ouvisse suas vozes, seguindo a tendência de protestos no Brasil recentemente.

A convocação dos civis para sexta-feira, 21 de junho foi feita através das redes sociais, na hashtag #porunparaguaymejor. [“Para um Paraguai melhor”]

As queixas

O protesto em Assunção foi aberto com duas queixas fundamentais.

Em primeiro lugar, os civis demonstraram desaprovação na apresentação de um projeto de lei que, como foi apresentado no início, baixou a idade mínima de aposentadoria requerida para parlamentares de 15 para 10 anos e por 100% de seus salários, que se encontra na região dos 40 milhões de Guaranis por mês (aproximadamente US$ 8.500 dólares).

Após o protesto, alguns parlamentares afirmaram que em realidade se tratava de um projeto de lei apresentado pelos legisladores que não voltariam a ocupar um assento no próximo mandato que se inicia em agosto deste ano.  Segundo o jornal diário Ultima Hora [es], “com a emenda da lei nessas condições, [membros do parlamento] buscam legislar em benefício próprio não terão que completar 55 anos para se aposentar”.

Primer flyer que recorrió rápidamente redes sociales

“Eles vão se aposentar em 10 anos com 100% de seus salários. Invandam as ruas para desaprovar isto.”
O primeiro folheto que se espalhou rapidamente através das redes sociais.

 

Flyer que apareció publicado en el fanpage de Anonymous Paraguay

“Nem mesmo a chuva será capaz de apagar o fogo da nossa indignação”
A imagem que apareceu publicada na página dos Anônimos do Paraguai no Facebook.

A segunda queixa é relacionada ao adiamento [es] da aprovação de crédito para implementação do metrobus, um novo tipo de transporte que promete melhorar as precárias condições encontradas no serviço atual.

Reclamo por el transporte publico

“Onde vai parar o subsídio para o transporte público? Basta de ratos nas rodas” Foto de Gabriela Galilea

‘Microfone aberto’

Às 19 horas do dia 21 de junho, um ‘microfone aberto’ foi criado em uma rotatória na Plaza de Armas [praça principal] em frente ao congresso nacional, onde os cidadãos reunidos poderiam expressar seu descontentamento e canalizar suas queixas.

Em apenas alguns minutos, cerca de 50 pessoas formaram uma fila para expressar suas queixas em frente a uma grande multidão. As queixas mais frequentes ecoaram o descontentamento popular em relação a atitude dos deputados, que aumentaram seus próprios salários e privilégios, e ainda acreditam que são “uma raça especial”, um cidadão denunciou.

 

Protesta Paraguay Junio 13

Foto tirada por Gabriela Galilea

A multidão respondeu com cânticos a cada um dos cidadãos que se manifestaram. No próximo video podemos ouvir a maneira como um cidadão disse: “O Paraguai não tem medo” durante o momento em que falava ao microfone aberto, para que as pessoas respondessem com frases como “Eles devem ir embora, ninguém deve ficar”.

Estas são algumas das frases que provocaram uma aclamação da multidão e ecoou em redes socias: “Existem 1.500.000 paraguaios que não sabem o que vao comer amanhã, e eles [os deputados] compram alfinetes de ouro e se aposenta em 10 anos com 40 milhões [Guaranis], “O Paraguai acordou”, “Muitos jovens são cuspidos para fora pelo sistema”, “Eles são chamados de ilustres pela lei (referindo a uma lei que foi introduzida obrigando os cidadãos se rferirem aos deputados como “ilustres”) e eles não nos representam”, “O que aconteceu em Curuguaty?” (em relação ao  o massacre [en] que deixou 17 mortos depois de uma súbita batida policial no norte do país). “Onde está o Fonacide?” (O Fundo Nacional de Desenvolvimento e Investimento Público criou em 2012 com o dinheiro que o Paraguai obteve após o ajuste de preço do superávit de energia da hidrelétrica de Itaipú vendida ao Brasil).

O “microfone aberto” já é um emblema dos protestos civis no Paraguai, aqueles que começaram em 2012 com o nome “After Office Revolucionario” [es] e que conseguiram parar um aumento do orçamento multi milhonário para a contratação de operadores políticos.

Um ano após o julgamento político que removeu Fernando Lugo Fernando Lugo da presidência, os paraguaios invadiram as ruas mais uma vez, deixando os partidos políticos e ideologias de lado, a fim de “marcar a agenda parlamentar”, como manifestou um cidadão durante a sessão de microfone aberto.

As apresentações de microfone aberto dos cidadãos duraram duas horas e meia, até às 21h30min, quando um grupo de manifestantes decidiu marchar rumo ao Panteón de los Héroes [Monumento do Mausoléu dos Heróis], que causou um momento de tensão e de implantação da polícia nacional armada, embora nenhum incidente foi registrado.

Manifestante frente a cascos azules

Foto tirada por Gabriela Galilea de um smartphone

Outras cidades paraguaias também se juntaram ao movimento e invadiram as ruas para fazer ouvir suas vozes, como na Ciudad Del Este e Encarnació, a segunda e mais importante cidade depois da capital de Assunção.

Flyer de convocatoria a la protesta en Ciudad del Este

Folheto convocando manifestantes na Ciudad del Este, foto compartilhada no Facebook pela página Paraguai Reclama [Queixas do Paraguai]

O efeito Brasil

Isto promete ser um dos muitos protestos que seguirão o exemplo do nosso vizinho Brasil, e que será convocado através das redes sociais, segundo o pronunciamento de um manifestante ao encerrar a sessao de microfone aberto.

Não se levou muito tempo para sentir os efeitos do protesto, como relatou ABC Color [es]: : “O Presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Bogado (partido do ANR Colorado) assegurou, no dia 1 de julho, que o projeto de lei para modificar e reduzir os 10 anos de contribuição de pensão do legislador será rejeitado pela Câmara”.

No entanto, a imprensa nacional não deu muita importância aos protestos, comparado a imprensa internacional, como Folha de São Paulo ou BBC Mundo que acompanharam o protesto com ampla cobertura e imagens.

A conta no Twitter @xunpymejor foi estabelecida para notificar os cidadãos sobre os novos eventos, compartilhar imagens e manter os manifestantes informados. A conta vai servir como um meio de comunicação fundamental para os cidadãos líderes das organizações e os manifestantes do movimento que esperam “para marcar a agenda parlamentar do novo parlamento, que tomará posse em agosto” e ter suas queixas resolvidas de forma eficaz.