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Brasil: Uma nação dividida entre protestos e futebol

Essa postagem é parte de nossa cobertura especial: Revolta do Vinagre no Brasil.

Foi mais um dia para vestir a camisa verde e amarelo nas ruas do Brasil, mas por razões bem diferentes.

Para alguns, as cores nacionais eram para torcer para o time da casa. Para outros, as camisas eram para exigir mudanças políticas e sociais e para enfrentar a violência da polícia militar.

No mesmo dia em que a seleção brasileira garantiu seu lugar na final da Copa das Confederações, protestos ocorreram em ao menos 18 cidades na quarta-feira, 26 de junho. Do lado de fora do Estádio do Mineirão em Belo Horizonte, onde o Brasil venceu o Uruguai por 2-1, quase 40.000 juntaram-se para um protesto organizado pelo Comitê Popular dos Atingidos pela Copa, o COPAC, juntamente com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e o Movimento dos Atingidos por Barragens.

Uma pessoa morreu após cair de um viaduto, e a queda de um segundo homem também foi reportada. Pelo menos 25 pessoas foram presas e 25 ficaram feridas. Uma loja de carros foi queimada e uma loja de eletrodomésticos foi saqueada.

A mistura de sentimentos da nação pode ser vista no Twitter:

Cerca de 6.000 pessoas se reuniram no Rio de Janeiro para torcer para a seleção nas semi-finais da Copa das Confederações do dia 26 de junho

Cerca de 6.000 pessoas se reuniram no Rio de Janeiro para torcer para a seleção nas semi-finais da Copa das Confederações do dia 26 de junho. Foto de Tomaz Silva, Agência Brasil. (CC BY 3.0 BR)

O meia-atacante brasileiro Lucas Moura (@LucasnaRede_) escreveu:

@LucasnaRede_: Bora pra mais uma batalha! #VaiBrasil http://instagram.com/p/bB-MUuIwPB/

A usuária do Twitter, Nina Pires (@ninapires_) disse que estava nervosa durante a partida:

@ninapires_:Que jogo tensooo #vaiBrasil mais um goool, vamos láááá

Mas a situação foi bem descrita pelo usuário do Twitter Luiz Gusttavo Senner (@gusttavosenner):

@gusttavosenner: Enquanto o #Mineirão ferve por dentro as manifestações fervem por fora nas ruas de #BH

Na batalha fora do campo em Belo Horizonte, a manifestação que começou de forma pacífica tornou-se violenta. A declaração do COPAC no Facebook explicando o que aconteceu tem mais de 7.390 likes:

Belo Horizonte Brasil x Uruguai

Gás lacrimogênio atirado pela polícia numa manifestação do lado de fora do Estádio do Mineirão durante a partida entre Brasil e Uruguai em Belo Horizonte. Foto: BH nas Ruas, usado com permissão

MidiaNina #protestobh pic.twitter.com/AkEFHRUbdK

Impedidos de se aproximarem do estádio em Belo Horizonte, manifestantes colocam fogo em veículos importados numa franquia de loja de carros. Foto: Mídia NINJA, publicado com permissão

Impedidos de se aproximarem do estádio em Belo Horizonte, manifestantes colocam fogo em veículos importados numa franquia de loja de carros

Impedidos de se aproximarem do estádio em Belo Horizonte, manifestantes colocam fogo em veículos importados numa franquia de loja de carros. Foto: Mídia NINJA, publicado com permissão

NOTA PÚBLICA DO COPAC: SE QUEREM ACHAR CULPADOS, CULPEM A FIFA!

O Comitê Popular dos Atingidos pela Copa participou ativamente de mais uma marcha em Belo Horizonte pelos direitos do povo, contra as violações e privatização do espaço público em decorrência da realização do megaevento Copa das Confederações FIFA.

A marcha decorreu de forma tranquila e pacífica até a Avenida Abraão Caram, quando um conflito de grandes proporções se instaurou entre manifestantes e polícia militar. Os manifestantes de movimentos sociais e do COPAC fizeram um cordão humano para isolar o acesso à barreira imposta pela FIFA e pelo Governo do Estado, mas algumas pessoas tencionaram a barreira física e a polícia revidou sobre toda a manifestação lançando bombas de “efeito moral”, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Consideramos que o fato de as pessoas haverem tencionado a barreira da FIFA se relaciona à revolta da população com a realização de megaeventos de forte caráter privatista e elitista em um país marcado por tantas desigualdades sociais e necessidades prioritárias. Repudiamos, sim, a barreira imposta que é ilegítima, pois cerceia a população dos espaços da cidade em favor da volúpia lucrativa da FIFA e das empresas a ela associadas…..

Um perfil no Twitter sob o nome @meiodabeirada criticou a polícia por não ser capacitada para lidar com o grupo que vandalizou o protesto:

@meiodabeirada: A POLICIA NÃO CONSEGUE GARANTIR A SEGURANÇA, NÃO É? SÃO POUCOS. A MAIORIA SEGUIU PELA ANTONIO CARLOS. #PROTESTOBH pic.twitter.com/PNhUwZtFSo

Por outro lado, o usuário do Twitter Luiz Carlos Garrocho (@lc_garrocho) questionou:

@lc_garrocho: Vandalismo o enfrentamento da barreira? Mas qual o sentido de manifestar tão longe do Estádio? #protestobh

As Cinco Respostas de Dilma

Agência Brasil/CC-3.0

Protestos em Brasília no dia 26 de junho de 2013/ Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Enquanto isso, em Brasília, o Congresso Nacional tomou algumas decisões importantes. No dia 26 de junho, um projeto de lei que torna a corrupção ativa e passiva um crime hediondo e não afiançável passou no Senado, e vai continuar na Câmara dos Deputados até as mãos da presidente.

No dia anterior, a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta da controversa emenda constitucional, já apelidada de “PEC da Impunidade”. Eles também cancelaram o orçamento de 43 milhões de reais que seria alocado para o Ministério das Comunicações para ser gasto em tecnologia para transmissão de vídeo e transporte de dados durante a Copa do Mundo.

No mesmo dia, a Câmara dos Deputados aprovou que 75% dos royalties das petrolíferas de camadas pré-sal devem ser reservados para educação, e 25% para a saúde.

Essa série de medidas impeliu o famoso colunista José Simão (@jose_simao) a fazer a seguinte piada:

@jose_simao: O Congresso tá parecendo viúva tirando atraso de dez anos!

A presidente Dilma Rouseff anunciou reformas em 5 áreas: transporte público, reforma política, saúde, responsabilidade fiscal e educação no dia 24 de junho e está para requisitar um referendo para implementar uma reforma política no país. Para o tópico que iniciou as manifestações nas ruas, transporte público, o governo assinou um pacote de 50 bilhões de reais. Roussef teve uma reunião com os prefeitos de todas as cidades, governadores de estado e os membros do Movimento Passe Livre, a força que organizou os primeiros protestos que mais tarde no mesmo dia tornou-se a Revolta do Vinagre.

Alguns apontaram que o governo rejeitou o fato de a inflação ter retornado ao Brasil.

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Manifestantes chutaram 594 bolas de futebol em frente ao Concrego Nacional em Brasília para simbolizar que eles estão passando a bola para os 594 parlamentares. Foto por Fabio Rodrigues Pozzebom em 26 de junho de 2013, Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Essa postagem é parte da nossa cobertura especial: Revolta do Vinagre no Brasil