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O Brasil irá deter o novo curso da imigração?

Este post é parte da nossa cobertura de Relações Internacionais & Segurança [en]

Brazilian visa

Visto brasileiro. Foto: TheTransparentEyeball no flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

A crise financeira global, guerras e desastres naturais inspiraram uma nova onda de imigração no Brasil. De acordo com o Ministério da Justiça, o número de imigrantes legais a dar entrada no país cresceu 50%, em um período de seis meses, em 2012. A maioria dos imigrantes é proveniente de Haiti, Bolívia, Espanha, França e Estados Unidos.

Os recém-chegados não passaram despercebidos pela grande mídia ou pelo público em geral. Recentemente, o Domingo Espetacular, programa popular de televisão, exibiu uma reportagem intitulada “Perseguidos”, contando a história deles. O blogueiro brasileiro Pedro Migao elogiou a matéria por descrever as diferentes razões que fazem com que cada vez mais imigrantes estejam buscando o Brasil.

No entanto, as consequências da ascendente tendência de imigração, permanece assunto polêmico de debates. Em um artigo intitulado “A outra face de um global player”, publicado no Mundorama.net, Patricia Martuscelli diz que, enquanto a “velha Europa” cria políticas rígidas para imigração diante dos problemas econômicos, o Brasil ainda precisa buscar uma política decisiva própria:

É possível analisar que, frente à impossibilidade de atender completamente as demandas de sua própria população, seria difícil para o governo lidar com os custos internos e internacionais advindos de sua posição como global player, principalmente com a situação dos imigrantes e refugiados. Contudo, quanto mais o Brasil demorar em tratar dessas questões, mais elas se agravarão, pressionando a sua população.

Outra blogueira, Patrícia Mendonça, defende que o Estado brasileiro deveria acomodar refugiados, apesar dos índices de pobreza do país:

Ao contrário do que veem tentando nos fazer acreditar, o brasileiro continua vivendo em estado de miséria em muitos pontos do país. Estão aí as secas em várias regiões para mostrar. Assim como estão as favelas… A aparente ascensão das classes D e E vem do crédito oferecido por empresas privadas (santas Casas Bahia) mas muito em breve acarretarão em aumento cada vez maior do endividamento das famílias…
Fica uma pergunta: Temos como acolher esses refugiados? Temos como oferecer dignidade?

Temos, uma dignidade mínima igual a de nossos mais pobres e com certeza maior do que a que teriam em seus países.

O Brasil abriga cerca de 4.500 refugiados de 75 países, a maior parte deles vindos de Angola e Colômbia. Como em muitos outros países, no Brasil, os refugiados e imigrantes estão entre os membros mais vulneráveis da sociedade. Ainda assim, o país está avançando na concretização de ações para proteger os imigrantes da exploração. Em São Paulo, por exemplo, uma lei foi recentemente aprovada para revogar licenças de estabelecimentos flagrados utilizando trabalho escravo. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados nas Américas desenvolveu o programa “Amplifique sua Voz”, para dar poder e voz à mulheres vítimas de violência, como mostra o vídeo abaixo:

Brasília também espera que o influxo de imigrantes possa alavancar a economia nacional. A falta de mão de obra especializada é considerada um dos grandes fatores ainda freando o desenvolvimento econômico do Brasil, uma categoria que o governo espera ver superada atraindo imigrantes qualificados para o país. O desenvolvimento de políticas de imigração bem-sucedidas pode, assim, se tornar uma importante contribuição para a reputação do Brasil como potência emergente.

ISN logoEste post e sua tradução para espanhol, árabe e francês foram pedidos da International Security Network (ISN) como parte da parceria que busca vozes cidadãs sobre relações internacionais e questões de segurança, em todo o mundo. Este post foi publicado originalmente no blog da ISN, veja histórias similares aqui.

  • helio

    A realidade e que o governo tem em gavetas planos emergenciais no entanto a falta de capacidade e tamanha que e de envergonhar a propia naçao, sabendo que, apesar de um pais de 3 mundo, rico em recursos minerais, rico por natureza, sua riqueza e mal distribuida e muito prejudicara os filhos vindouro da naçao!