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Greve Geral no Sul da Europa

Este post faz parte de nossa cobertura especial Europa em Crise.

No dia 14 de novembro de 2012 testemunhou-se a primeira greve geral com adesão de todos os países do sul da Europa, os mais afetados pela austeridade e crise financeira. Organizações de trabalhadores na Espanha e em Portugal anunciaram greves gerais, enquanto na Grécia e Itália houve paralisações planejadas durante o dia.

(Nos dias anteriores, visitas de importantes autoridades europeias e líderes, incluindo Angela Merkel, foram recebidas com protestos pelas ruas em todo o sul da Europa).

No Twitter, uma série de hashtags foram utilizadas. Espanha, Portugal e Grécia usavam #14N, Itália #14Nit e Catalunha #14NBcn e #14NCat. Os falantes de inglês usaram #N14Riseup, #europeanstrike e #N14.

Outros eventos em solidariedade à greve também ocorreram no resto da Europa – conforme se vê no mapa da Confederação Europeia dos Sindicatos. A Comissão Europeia foi “sitiada” por aproximadamente 2.500 pessoas, deixando Bruxelas sob tensão no período da tarde.

Estudantes de Gênova protestam contra as medidas de austeridade em 14 de novembro de 2012. Na faixa lê-se: “Eu não temo a austeridade, temo o silêncio!”. Foto de Donna Bozzi, Direitos autorais Demotix.

Grécia

Sindicatos gregos, recém-saídos de suas próprias greves gerais, não responderam oficialmente ao apelo para uma greve geral. Entretanto, houve um apelo à paralisação do trabalho, com protestos de porte médio ocorridos em Atenas e Tessalônica, além das greves antiausteridade setoriais e regionais, e ocupações em curso já pelo terceiro ano consecutivo.

O repórter inglês Barnaby Phillips, da Al Jazeera, ponderou sobre o assunto:

@BarnabyPhillips: Atmosphere at #14N protest in Athens is somewhat weary, ritualistic. But turn-out is healthy. #14ngr #Greece

@BarnabyPhillips: A atmosfera do protesto em Atenas #14N é algo um tanto cansativo, ritualístico. Mas pode vir a ser saudável. #14ngr #Greece

Vários internautas publicaram imediatamente no Twitter fotos das manifestações. A solidariedade europeia contra a austeridade foi expressa através de slogans, cartazes e enormes bandeiras que desfilaram no centro de Atenas:

As bandeiras portuguesa, grega e espanhola em Atenas no dia 14 de novembro de 2012. Foto de @thesspirit, republicada com permissão.

Além dos jovens, manifestantes idosos também estiveram presentes. Repetidos cortes nas pensões levaram muitos aposentados para abaixo da linha de pobreza.

Protesto antiausteridade em Atenas a 14 de novembro de 2012. A pensionista carrega um carta que diz: “Eu tenho medo da fome, meu Deus”. Foto de @iptamenos33 no Twitpic, republicada com permissão.

Itália

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Milão, Bolonha, Turim, Pádua, Gênova, Roma, Nápoles e cerca de outras 100 cidades em todo o país [it]. Ao aderir ao Dia Europeu de Ação [it] antiausteridade com slogans como: “A Europa está acordando hoje – de Roma a Madri e a Atenas”, os italianos exigiam mais garantias aos empregos e às pensões, e reclamavam das medidas restritivas impostas pelo Primeiro-Ministro Mario Monti.

Protesters in downtown Bologna. Photo by Twitter user spyros gkelis.

Manifestantes no centro de Bolonha. Foto do usuário do Twitter  spyros gkelis.

Cidadãos de todas as classes sociais protestavam de forma bastante pacífica e criativa, mesmo quando eclodiam alguns confrontos. No geral, pelo menos seis policiais ficaram feridos, incluindo um de forma grave em Turim, além de três pessoas presas em Brescia e ao menos 12 em Roma. Gabriele Drudi [it] elaborou um extenso cronograma [it] com muitos tweets e fotografias cobrindo todo o dia de protestos.

Riccardo Laterza escreve:

(@riccardolaterza): #14N #14nIT il primo sciopero generale europeo: grande partecipazione, grande repressione. Uno schema già visto ma non ci arrendiamo!

@riccardolaterza: #14N #14nIT a primeira greve geral europeia: grande participação, grande repressão. Já se viu um padrão, mas nós não desistiremos!

Laura diz:

@scarylalla: Nel bene e nel male, oggi gli europei stanno dimostrando che non è la moneta unica ad unirli ma la voglia di un Europa diversa. #14N #14Nit

@scarylalla: Para melhor ou pior, hoje os europeus estão mostrando que não é a moeda única que pode uni-los, mas o desejo por uma Europa diferente. #14N #14Nit

Outros tinham um ponto de vista oposto, incluindo Salvatore Filippelli:

@salvo_82: Credete davvero che gli Eurocrati cambieranno le politiche economiche perchè qualche studente spacca due o tre vetrine? #14N #14nIT

@salvo_82: Você realmente acredita que os eurocratas mudarão suas políticas econômicas porque alguns estudantes quebraram duas ou três janelas? #14N #14nIT

Análses e discussões sobre os resultados do protesto ainda estão em andamento no grupo do Facebook e no YouTube os eventos foram discutidos à tarde na assembleia geral na Universidade de Roma.

Espanha

Nas primeiras horas da manhã, o bloqueio de uma das entradas à Barcelona foi rapidamente retirado pelo polícia. Imagens do trem vazio em Madri bem como das estações de metrô circularam como prova de que a greve geral havia surtido efeito.

Manifestantes sobre rodas criaram os “bici-piquetes” (piquetes de bicicleta) em Madri e Saragoça, a hashtag #bicipiquetes chegou ao topo no twitter e foi amplamente compartilhada nas mídias sociais.

Lali Sandiumenge, do Global Voices, cujo post sobre a greve contra a Telefonica foi recentemente excluído pelo jornal La Vanguardia, informou das ruas sobre a greve. Ela publicou no Twitter o que muitas pessoas sentiram ontem:

@lalisandi Aventatges d'informar-se per la xarxa: hi ha multitud de punts de vista. És interactiu. Té el do de la ubiqüitat. No té pressions

@lalisandi As vantagens de se informar pela internet: há muitos pontos de vista. É interativo. Tem o dom da onipresença. Sem pressão

O “Iaioflautas” – aposentados da Catalunha rebeldes (veja o nosso perfil [pt]) eram muito visíveis em suas demonstrações nas ruas.

Grandes protestos ocorreram em toda a Espanha, da Galiza a Valência, com a polícia aplicando multas e prendendo  manifestantes, como em Barcelona.

A violência policial dominou toda a tarde. Uma foto de uma mulher supostamente empurrada pela polícia na escada do metrô de Madri foi amplamente compartilhada e comentada, assim como fotos de balas de borracha disparadas nos manifestantes pela polícia.

Porém o mais “viral” foi a imagem de um menino de 13 anos em Terragona sangrando depois de um ataque da polícia, além de um vídeo mostrando a polícia a atacá-lo e às mulheres ao seu redor.

E por último, comentários sobre o tamanho do protesto com baixo número de participantes divulgados pelo governo foram motivo de piada online:

@gobiernoespa: La Delegación del Gobierno habla de 35.000 personas en Madrid. Definitivamente hay una puerta a otra dimensión allí.pic.twitter.com/M5smSf3F

@gobiernoespa: A Delegação do Governo fala de 35 mil pessoas em Madri. Definitivamente, há uma porta para outra dimensão ali. pic.twitter.com/M5smSf3F

Portugal

No início as coisas foram mais tranquilas em Portugal, com a adesão generalizada à greve. Dezenas de milhares de pessoas tomando as principais ruas da cidade, o que incluiu  os membros da televisão pública RTP, que estavam em greve no início deste mês (veja a nossa cobertura).

À noite, um confronto entre a polícia e manifestantes em frente ao Parlamento Português em Lisboa transformou um protesto pacífico em uma cena de violência descontrolada. A usuária do Youtube, Beatriz Pedrosa, filmou jovens vestidos de moletons pretos e camisetas anarquistas arremessando pedras:

Então, tal como uma barragem que estoura, a polícia avançou sobre os manifestantes, esvaziando a praça em menos de dois minutos.

O blog Activismo de Sofá reagiu:

Enquanto os profissionais da pedrada se digladiam com profissionais da cacetada, o esforço feito por centenas de milhares de pessoas neste dia é posto em causa. Longe de desculpabilizar os primeiros (uns arruaceiros), acho de qualquer modo que se exige “um bocadinho” mais dos segundos (uns arruaceiros fardados).

Este post faz parte de nossa cobertura especial Europa em Crise.

Este post foi escrito em parceria com Asteris Masouras e Bernardo Parrella, e com a colaboração de Debora Baldelli, Ylenia Gostoli, Chris Moya e Claire Ulrich.

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