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Brasil: Reflexões de um País em Busca da Paz

O Brasil aparece na 83ª posição [en] entre as 158 nações listadas na edição 2012 do Índice Global da Paz, tendo caído em 9 posições em relação ao ano anterior. O estudo aponta que, em geral, o mundo está mais pacífico pelo segundo ano consecutivo, com exceção do Oriente Médio e do norte da África. Natasha Romanzoti explica os motivos para posição do Brasil no meio do ranking:

Historicamente, não nos envolvemos em muitas guerras, porém nossa violência interna é suficiente para não deixar o país subir muito no Índice. […]
O IGP de 2012 mostra que os pontos em que somos menos pacíficos são, em indicadores em ordem decrescente: homicídios, crimes violentos e terror político, acesso a armas, e violência percebida pela sociedade.
Alguns dos pontos em somos mais pacíficos são, empatados: conflito organizado, atos terroristas, mortes por conflito interno e por conflito externo, armas pesadas e relações com países vizinhos

"Paz na velocidade da luz", por Tales Carvalho, publicada no Flickr (CC BY-NC-ND 2.0).

“Paz na velocidade da luz”, por Tales Carvalho, publicada no Flickr com licença do Creative Commons (CC BY-NC-ND 2.0).

Talvez o Brasil ganhe alguns pontos no próximo ano em função da Campanha Nacional de Desarmamento que já recolheu mais de 57 mil armas em todo o país. Lançada há um ano com o slogan “Tire uma arma do futuro do Brasil”, a campanha usa o Twitter, Facebook, YouTube e outras redes sociais para espalhar a mensagem. Enquanto desarmamento é um assunto polêmico entre adultos, crianças de uma nova geração aprendem desde cedo sobre a importância paz com a campanha paralela de “desarmamento infantil”, que recolhe armas de brinquedo e as transforma em plástico reciclado. O Blog Diarinho relata:

Quem descobre desde a infância que arma – mesmo falsa – não é legal vai preferir ficar sempre bem distante dela. E isso pode impedir que muitas tragédias aconteçam. Ainda ocorrem casos de meninos e meninas que encontram por acaso armas de verdade em casa e, por curiosidade e falta de informação, machucam alguém ou a si mesmos. Em casos mais graves, podem até morrer ou matar sem querer.

Muitas outras iniciativas estão surgindo no seio da própria população, como o movimento Yoga Pela Paz, que promoveu em agosto mais de 500 aulas gratuitas que beneficiaram milhares de pessoas em várias cidades pelo país. Márcia De Luca, idealizadora, explica que a ideia nasceu de um “sonho de trabalhar por um mundo melhor”, com uma certa inspiração da Ayurveda, sistema de cura milenar indiano que defende a prática da “terapia dos opostos” para gerar equilíbrio na vida:

Yoga pela Paz no Parque Ibirapuera, agosto de 2012. Foto de Rodrigo Maciel para divulgação

Yoga pela Paz no Parque Ibirapuera, agosto de 2012. Foto de Rodrigo Maciel para divulgação

Assim, em um mundo de violência, movimento e stress, temos que acionar o contrário: paz, aquietamento e calma. É a forma de contrabalançar o que há em excesso no momento atual e melhorar nossa existência.
Praticar yoga e meditação e seguir uma rotina diária de aquietamento e paz são a proposta maior do Yoga pela Paz. Vivenciar o momento presente é também nosso foco, pois assim conseguimos minimizar a “tagarelice” da mente e começamos a observar o que acontece à nossa volta com maior atenção.
[…]
Muita gente se pergunta: mas será que eu posso mesmo mudar o mundo? A resposta é não e sim. Não podemos mudar o mundo em si, mas podemos mudar o mundo através da nossa mudança individual. Se cada um de nós se tornar um ser humano melhor e a partir dessa mudança individual formarmos uma massa crítica de pessoas com a intenção de paz em todos os sentidos, aí sim! Juntos, podemos fazer a diferença para um mundo melhor.

Marilda Reina se inspira com slides achados na internet sobre a paz e a natureza:

Algumas fotos registram o amor entre as espécies e, também, registram a irracionalidade do nosso semelhante. Por sorte, uma grande parcela de seres humanos estão se unindo para tornar nosso planeta um mundo mais harmônico, aprendendo e ensinando a respeitar os recursos naturais. Ainda temos muito trabalho pela frente, então vamos passar os bons exemplos adiante, vamos contagiar mais e mais pessoas com o sentimento de amor e respeito.

Na véspera do Dia Internacional da Paz, 21 de setembro, Suzane Rodrigues explica que para encontrar a tão procurada paz não é necessário grandes esforços:

Paz uma palavra que colocam como extinta ou de um futuro próximo. Em verdade o conceito de paz é errado, pois passaram a ideia errada. E todos consomem essa ideia. Paz é apenas ter tranquilidade e estar bem consigo, apenas isso. Não interessa se o dia está nublado ou de extremo calor, a paz está ali na sua frente basta você acordar bem e convida-la para entrar na sua mente e futuramente na sua vida. Não quer dizer que ela estará vinte quatro horas por dia nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, mas durante duas horas ou durante alguns minutos ela pode estar conosco, basta ela ser o suficiente para transformar o restante do dia. A paz pode ser diária.

“Da quietude”, foto de Fabíola Lourenço, publicada no Flickr com licença do Creative Commons (CC BY-NC-ND 2.0)

E finaliza:

O mundo pode ter paz se deixarmos nossa mente aberta à novas respostas, não pensar que para ter paz precisamos de pessoas melhores, porque você é o mundo, logo, a paz depende de você e não das pessoas. Eu faço a minha paz e você faz a sua. E assim teremos uma sociedade em paz, porque o mundo individual se encontra em paz. Vivemos em conjunto, mas não somos o conjunto, somos uma parte desse conjunto e para o conjunto estar em paz, toda sua parte precisa estar. Falando sério, isso é muito difícil pois a paz do outro não depende de você, como sua paz também não depende dele. E estar em sintonia não é fácil quando falamos de seres humanos.

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