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Espanha: Crowdfunding Contra a Impunidade da Banca

Este artigo faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise

Em resposta à passividade do Governo de Espanha e da Procuradoria-Geral da República face à relevância de uma investigação sobre a gestão do ex-Presidente do Bankia, Rodrigo Rato, o povo organizou uma recolha de fundos, através de donativos online, para poder apresentar uma queixa nos tribunais, cumprindo com os requisitos necessários para processá-la de forma eficaz.

A iniciativa foi amplamente participada nas redes sociais, onde eram usadas várias hashtags, como #CrowdfundPaRato. Em 24 horas conseguiu-se angariar mais do que os 15.000€ necessários, levando até o site de crowdfunding espanhol Goteo a crashar por umas horas. Os organizadores pedem que não seja doado mais dinheiro por agora, visto que o objectivo já foi cumprido e ultrapassado.

Na página web Goteo, uma plataforma de financiamento colectivo, é explicada a motivação para o projecto:

La Constitución española, en su artículo 119, establece que la justicia será gratuita cuando así lo disponga la Ley y, en todo caso, respecto de quienes acrediten insuficiencia de recursos para litigar.

En nuestro caso, tenemos claro que meter a Rato y demás responsables de la Estafa Bankia en la cárcel no es precisamente una iniciativa que vaya a ser respaldada por los que hacen las leyes. Tampoco va a ayudar que acreditemos que no disponemos de la enorme cantidad de recursos económicos que se requieren para un proceso de esta dimensión.

En definitiva, no vamos a poder contar con los instrumentos del Estado (que tampoco es que nos fiemos mucho de ellos). Es más, piensan que no podemos hacerlo porque no tenemos dinero, pero no cuentan con que somos much@s y que, con una pequeña aportación de cada un@, lo conseguiremos.

A Constituição espanhola, no seu artigo 119, estabelece que a justiça é gratuita em situações descritas por lei, e em qualquer caso que diga respeito a quem disponha de recursos insuficientes para litigar.

No nosso caso, é claro que meter o Rato e os demais responsáveis pela Fraude Bankia na cadeia não é propriamente uma iniciativa que vá ser apoiada pelos que fazem as leis. Nem nos ajudaria pensar que não dispomos da enorme quantidade de recursos económicos que são necessários para um processo com esta dimensão.

Definitivamente, não vamos poder contar com os instrumentos do Estado (nem sequer confiamos muito neles). E para além disso, pensam que não podemos fazê-lo porque não temos dinheiro, mas com o que não estão a contar é que nós somos muit@s e que, com uma pequena contribuição de cada um@, vamos conseguir.

Banner para a campanha de crowdfunding para processar Rodrigo Rato no Goteo.

Banner para a campanha de crowdfunding para processar Rodrigo Rato no Goteo.

No seu blog steph.es/blog @fanetin explica como será aplicado o dinheiro:

  • 200 € para accionar o processo num notário.
  • 6.000 € para o advogado (para todo o caso, que envolve entre outras coisas, interrogatórios a possivelmente 80 pessoas).
  • 1.000 € para um procurador (obrigatório).
  • 3.000 € para viagens (durante um ano) a Madrid de advogados, testemunhas, etc…
  • 5.000 € para diversos trabalhos de investigação, documentação e comunicação.
  • 1.300 € para a plataforma de crowdfunding Goteo.

A iniciativa popular para processar os responsáveis da crise económica em Espanha está assim em marcha e mais forte que nunca.

Como pode ler-se no site do movimento 15MpaRato:

Emprenderemos acciones criminales y civiles contra los integrantes del Consejo de administración de Bankia, en la época en la que fue presidido por el Sr. Rodrigo Rato y contra el Consejo de administración del Banco Financiero y de Ahorros, la matriz tóxica y ruinosa que endosaron al Estado.

Solicitamos prisión y el embargo de sus bienes por valor equivalente a la cantidad obtenida con la colocación irregular de acciones. Han engañado a 400.000 inversores -en muchos casos ahorradores de la entidad- para sustraerles su dinero y ahora, misteriosamente, ha desaparecido, arrastrando al país al borde del rescate.

Empreenderemos acções criminais e civis contra os integrantes do Conselho de administração do Bankia, na época em que este foi presidido pelo Sr. Rodrigo Rato, e contra o Conselho de administração do Banco Financeiro e de Aforros, a matriz tóxica e ruinosa que endossaram ao Estado.

Solicitamos a sua prisão e a apreensão dos seus bens em valor equivalente ao montante obtido com a aplicação irregular de acções. Enganaram 400.000 investidores – que em muitos casos tinham as suas poupanças com a entidade – para lhes ficarem com o dinheiro e agora, misteriosamente, desapareceu, arrastando o país para a beira do resgate.

Este artigo faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise

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