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Peru: O Festival do Cajon Peruano

O cajon peruano é um instrumento frequentemente utilizado na música afro-peruana e na música peruana em geral. Diz-se que teve origem na época colonial, mas adquiriu a sua forma definitiva no século XX. Em 2001 foi declarado Herança Cultural da Nação. A sua utilização estendeu-se a outras partes do mundo, principalmente como parte da música flamenca, resultando do contacto da música de Paco de Lucía e da sua banda com este instrumento nos anos 70, no Peru.

O famoso percussionista peruano Alex Acuña foi uma das pessoas responsáveis pelo reconhecimento deste instrumento em todo o mundo. Através deste vídeo podemos assistir a um solo de cajon durante um concerto:

Relativamente à utilização do cajon na música contemporânea peruana, a página Cajon Peruano [es] explica-nos:

el cajón está presente prácticamente en todos los géneros de raíz afro (lundero, landó, festejo, alcatraz, toromata, panalivio, ingá, etc.), así como también acompañando al vals peruano, a la polka criolla, al one step, al pasodoble, al tondero y a la marinera.

Asimismo, el cajón es adoptado por los habitantes costeños de origen andino y empieza a ser utilizado por ellos para reinterpretar algunos géneros “tradicionales” y crear nuevas expresiones de música popular de la ciudad. Luego, coquetea con el rock y de ahí salta a las corrientes llamadas de música fusión, World Music y música étnica, entre otras.

O cajon está presente em praticamente todos os géneros musicais de origem africana (lundero, landó, festejo, alcatraz, toromata, panalivio, ingá, etc.) e acompanha também a valsa peruana, a polka crioula, o one-step, o pasodoble, o tondero e a marinera.

O cajon foi também adoptado pelos habitantes costeiros de origem andina que começaram a utilizá-lo para reinterpretar alguns géneros tradicionais e criar novos meios de expressão da música popular da cidade. Para além disso, namorisca com o rock e a partir daí cria uma ligação com outras tendências musicais como a fusão, Música do Mundo e música étnica, entre outras.

Este vídeo mostra um exemplo do cajon a ser tocado ao ritmo da marinera nortenha.

No entanto, isto não nos dá uma ideia do quão popular este instrumento é entre os peruanos, principalmente na zona costeira, onde existem muitos especialistas do cajon [es]. São pessoas que se dedicam a ensinar a tocar este instrumento e aos Festivais do Cajon [es]. O que é um Festival do Cajon e o que acontece? Estes especialistas explicam-nos:

Un Festival de Percusión que tiene al Cajón Peruano -instrumento de percusión de origen afroperuano- como anfitrión. Conciertos, conferencias, muestra de videos, clínicas musicales y clases maestras que tienen a la percusión como protagonista. Diversos géneros y escuelas, variedad de instrumentos. Cajón, batería, congas, tabla india, timbal, cajita, marimba, tamborete, checo, pandeiro, y percusión sinfónica, criollo, jazz, cantautor, afroperuano, fusión, etc.

É um Festival de Percussão que tem como anfitrião o Cajon Peruano - um instrumento de percussão de origem afro-peruana. Concertos, conferências, mostra de vídeos, clínicas musicais e aulas nas quais a percussão ocupa o papel central. Vários géneros e escolas, uma variedade de instrumentos. Cajon, tambores, congas, tabla indiana, timbal, cajita, marimba, tamborete, checo, pandeireta e percussão sinfónica, crioulo, jazz, cantautores, afro-peruano, fusão, etc.

O quinto aniversário do festival realizou-se este ano e foi um grande sucesso, sobretudo para a actividade conhecida como La Cajoneada que consiste em juntar o maior número possível de tocadores de cajon. Desta vez juntaram-se mais de 1400 tocadores de cajon [es], batendo o anterior Recorde do Guiness do festival realizado em 2009 que juntou 1050 tocadores de cajon. Rafael Santa Cruz [es], o organizador do evento, comentou [es] a razão da popularidade do cajon numa estação de rádio local: “É extremamente terapêutico, na verdade, estão a utilizá-lo frequentemente na terapia através da música. Pode também ser utilizado num cenário de grupo.”

No vídeo que se segue consegui registar a Cajoneada final deste ano, que se realizou na Plaza de Armas, em Lima:

Breves momentos antes, o músico anteriormente mencionado Alex Acuña foi homenageado [es] com a Medalla de Lima (Medalha de Lima) por ter dedicado toda a sua vida à música e à divulgação da cultura peruana no estrangeiro. O festival não tinha ainda terminado quando os tocadores de cajon começaram a festejar entre si. Consegui gravar uma parte:

Outros dois vídeos mostram o resto do evento.

O cajon espalha alegria e divertimento entre pessoas de todas as idades e transcende contextos raciais e sociais, conforme mencionado [es] no blogue Corresponsales Escolares (Correspondentes Escolares) do jornal El Comercio (O Comércio), em que pai e filho, ambos tocadores de cajon, são entrevistados:

“Es un orgullo tocar el cajón, especialmente cuando salgo fuera. Me gusta mucho la idea de esta congregación de gente”,

“Esta es una oportunidad de motivación para reencontrarnos con nuestros antepasados”

“É um orgulho tocar cajon, especialmente quando toco lá fora. Gosto muito da ideia desta concentração de pessoas”,

“É uma oportunidade bastante motivadora para nos reencontrarmos com os nossos antepassados”

Embora possa parecer algo anedótico, isto é bastante importante sobretudo para a identidade cultural dos membros da comunidade afro-peruana. Rafael Santa Cruz afirma [es]:

Así como existe en el Perú una “historia oficial” que prácticamente excluye a los afroperuanos de la vida pasada del país, existe también una posición de no reconocimiento a los aportes de los mismos. En el caso del cajón este aporte es claro, contundente e indiscutible. El cajon es un elemento real y vital de la resistencia de los afroperuanos.

Assim como no Peru existe uma “história oficial” que praticamente exclui os afro-peruanos do passado do seu país, existe também uma falta de reconhecimento da contribuição destas pessoas. No caso do cajon esta contribuição é clara, convincente e indiscutível. O cajon é um elemento real e vital à resistência dos afro-peruanos.
Publicado originalmente no blogue pessoal de Juan Arellano.

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