Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Panamá: A Líder Indígena que Enfrentou o Governo

Este post faz parte de nossa cobertura especial Direitos indígenas.

Panamá passou por uma de suas maiores crises, desde que a democracia foi restaurada em 1989, quando o povo indígena de  Gnobe-Bugle decidiu invadir e controlar a rodovia no dia 31 de janeiro de 2012 [es] em protesto contra a mineração e a instalação de usinas hidrelétricas em seu distrito. Eles permaneceram lá até o dia 5 de fevereiro, quanto então a polícia nacional os retirou à força.

A crise foi aliviada temporariamente por causa de um acordo entre o grupo indígena e o governo [es]. Mesmo assim, a incerteza sobre o que pode ocorrer caso haja mineração ou construção de hidrelétrica nesses distritos continua sendo uma preocupação para os panamenhos.

O presidente  Martinelli (@rmartinelli) [es] ameaçou, via  Twitter, que sem energia hidrelétrica as coisas podem vir a ficar ainda mais caras e o país ainda mais empobrecido:

El problema con los indigenas es que NO quieren que haya mas hidroelectricas en Panamá. Esto encarece todo y nos emprobrece aun mas.

O problema com os índios é que NÃO querem que haja mais hidrelétricas no Panamá. Isto encarece tudo e nos torna ainda mais pobre.

No meio de toda esta crise, um nome surge como representante do comportamento padrão da luta indígena. A cacique [palavra Taíno que significa líder tribal ou chefe] Silvia Carrera que, depois de se tornar a primeira mulher a ser eleita para esta posição, cresceu em importância como oposição aos atuais planos governamentais de mineração.

O vídeo a seguir, de autoria de Orgun Wagua, uploaded para o YouTube por laoruguitaecoloca [es] no dia 4 de fevereiro, mostra a  cacique liderando as tentativas de iniciar um diálogo durante o conflito:

 

O UNICEF do Panamá dedicou uma sessão em sua página [es] quando Carrera estava fazendo campanha para o cargo, o que nos diz algo sobre esta mulher:

Silvia Carrera Concepción nació, fue criada y vive en Alto Laguna, en el corregimiento Cerro Pelado, en el distrito Ñurum  de la comarca Ngäbe Buglé, comarca que tiene el mayor índice de mortalidad infantil (55.4%) en el país. A los 12 años se integró al movimiento que lideraba Camilo Ortega, que luchaba porque los ngäbe y los buglé tuvieran su comarca. A sus 13 años alumbró su primer hijo, Bernardo Jiménez Carrera, y a los 18 años dio a luz a Sixto Jiménez Carrera. A los 19 años, se separó de su marido.

La resolución de Silvia Carrera fue trabajar la tierra. Sembraba yuca, ñame, otoe, arroz, frijoles, maíz, para alimentar a sus hijos. Y no dejó de militar en el grupo indígena de Ortega, a sus compromisos ella cargaba con sus hijos. Para esta madre fue prioridad enseñarle a sus muchachos que “es importante luchar por nuestros derechos, pedir que nos respeten”. En aquellas reuniones, dice, su hijo mayor aprendió a ser un joven líder. Bernardo Jiménez Carrera, de 27 años, es comisionado de derechos humanos indígenas y está en segundo año de la licenciatura en derecho y ciencias políticas.

Silvia Carrera Concepción nasceu, foi criada e vive em Alto Laguna, na municipalidade de Cerro Pelado,  distrito de Ñurum da região do Ngäbe Buglé. Esta região tem a taxa de mortalidade infantil mais alta (55.4%) do país. Aos 12 anos de idade, ela se uniu ao movimento liderado por Camilo Ortega, que estava lutando para que os ngabe e os bugle pudessem ter sua província reconhecida. Aos 13 anos, ela deu à luz seu primeiro filho, Bernardo Jiménez Carrera, e aos 18 anos de idade, deu à luz a Sixto Jiménez Carrera. Aos 19 anos, ela deixou seu marido.

O objetivo de Silvia Carrera era trabalhar a terra. Ela cultivava mandioca, inhame, otoe [um tubérculo], arroz, feijões e milhor para alimentar seus filhos. E ela não nunca parou sua luta com o grupo indígena de Ortega, mesmo com seu compromisso de manter seus filhos. A prioridade desta mãe era ensinar seus filhos que  “é importante lutar por nossos direitos, insistir para que nos respeitem.” É dito que, durantes as reuniões, seu filho mais velho aprendeu a ser um jovem líder. Bernardo Jiménez Carrera, 27 anos, é um representante indígenas dos direitos humanos e está no seu segundo ano de estudo para obter o grau em direito e ciência política.

cacique abriu, recentemente, uma conta no Twitter e continua, através de redes sociais, a luta que iniciou na rodovia [todas as contas no Twitter são em espanhol]. Por meio de sua conta (@CaciqueGeneral) ela tem feito críticas ferozes à liderança atual de Ricardo Martinelli, com mensagens nas quais ela o chama de mentiroso:

@rmartinelli es mentiroso nosotros NO queremos Minería, por favor de la cara y no se esconda del pueblo que le dio el voto.

@rmartinelli é um mentiroso. Nós NÃO queremos a mineração, por favor, olhe para nós de frente e não se esconda das pessoas que votaram em você.

A simpatia dos panamenhos parece ter se voltado para a cacique que demonstra ser uma mulher de muita coragem. Vladimir K. Polo (@kendriv) até mesmo conduziu uma eleição informal na internet, colocando a  cacique concorrendo contra o presidente e um dos principais candidatos presidenciais. A cacique ganhou:

En la encuesta de hoy ganó la Silvia Carrera Cacique General GB para presidente de la Rep. de Panamá.

Na eleição de hoje Silvia Carrera, cacique geral, venceu para o cargo de presidente da República do Panamá.

Joel Jonas (@joeljonas16) tuíta seu aplauso  e apreciação à clareza de expressão da cacique quando comparada ao Ministro da Segurança Raul Mulino, que foi duramente criticado pela maneira como lidou com a crise recente.

APLAUDO a la cacique general #Ngöbe por sus palabras, en 3 minutos se expreso mas claro y directo de lo que lo hizo #Mulino en 3 días

Eu APLAUDO a cacique geral por suas palavras, em 3 minutos ela foi mais clara e mais direta do que o Mulino conseguiu ser em 3 dias.

Enrique Sosa T. (@esosatribaldos) acredita, por outro lado, que a cacique está exagerando um pouco ao dizer que eles não são levados em conta e  a prova disso é que a cacique consegue acesso gratuito à internet fornecido pelo estado.

En cuantos países una cacique general tiene acceso a internet gratis? Piensen 2 veces antes d decir q no son tomados n cuenta #PANAMA

Em quantos países uma cacique geral consegue ter acesso gratuito à internet? Pense duas vezes antes de dizer que não somos levados em conta.

No dia 8 de fevereiro de 2012 a cacique fez um discurso para a assembléia legislativa, momento em que fez duras críticas ao presidente e alertou os deputados que caso o presidente não mantivesse suas promessas, os indígenas acabariam por retornar às manifestações de rua. O discurso, que foi televisionado no canal da assembléia, foi visto e admirado por um grande número de panamenhos.

Luis Carlos Chacon (@lcchacon) dedica algumas palavras elogiosas à líder:

Que ejemplo de dignidad, honorabilidad y valentía nos esta dando La Cacique General Silvia Carrera @CaciqueGeneral

Que belo exemplo de dignidade, honra e coragem a Cacique Geral Silvia Carrera nos dá.

Seguindo a mesma linha, Evelyn Castrejon (@ECastrejonC) observa que a cacique geral é uma líder de verdade:

La Cacique General: Verdadera Líder! Primera vez que pongo el canal de la asamblea!

A cacique geral: uma líder de verdade! Foi a primeira vez que assisti ao canal da assembléia!

Paco Gómez Nadal, um jornalista espanhol que foi repatriado pelo governo atual por sua suposta participação nos protestos indígenas, comenta em seu blog Otramerica [es] sobre a importância da luta desta mulher:

Carrera no se ha ocultado en ningún momento de los amargos días de represión y hostigamiento. La historia sigue y las mujeres Ngäbe han demostrado en las manifestaciones y en las protestas que han protagonizado desde hace años, en el río Tabasará, en Changuinola, en ciudad de Panamá, que la dignidad es una palabra de género femenino.

Carrera, em momento algum, escondeu-se naqueles dias amargos de repressão e perseguição. A história continua e as mulheres de Ngabe demonstram, nas manifestações e protestos nos quais vem participando ao longo dos anos, no Rio Tabasara, em Changuinola, na cidade do Panamá, que dignidade é uma palavra presente no gênero feminino.

Este post faz parte de nossa cobertura especial Direitos indígenas.

Inicie uma conversa

Colaboradores, favor realizar Entrar »

Por uma boa conversa...

  • Por favor, trate as outras pessoas com respeito. Trate como deseja ser tratado. Comentários que contenham mensagens de ódio, linguagem inadequada ou ataques pessoais não serão aprovados. Seja razoável.