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Brasil: “Somos todos Pinheirinho” Se Espalha Pelo Mundo

Brasileiros por todo o mundo, assim como cidadãos dos mais diversos países, têm se mobilizado online e realizado protestos em diversas cidades pelo mundo, como Paris, Madri, Berlin, Buenos Aires, dentre outras em apoio à comunidade do Pinheirinho, que recentemente foi expulsa de suas casas com extrema violência pela Polícia Militar do estado de São Paulo e pela Guarda Civil na cidade de São José dos Campos no que ficou conhecido como o “Massacre do Pinheirinho“.

O professor Lúcio Flávio de Almeida comenta:

Os lutadores e lutadoras do Pinheirinho foram desalojados e vivem uma situação muito difícil, extremamente difícil. No entanto, sua luta, que é nossa luta, continua. Sob certos aspectos, cresce e deve crescer ainda mais.

Os cidadãos se organizaram sob o lema “Somos todos Pinheirinho” no Facebook, em blogs e nas ruas. O movimento, em carta divulgada pelo blog Vi o Mundo, explica:

Pessoas em várias cidades do mundo estão agindo em rede para mostrar sua indignação  pelos acontencimentos no Brasil. São brasileiros e pessoas de várias nacionalidades buscando pressionar para que a situação das famílias em Pinheirinho não caia no esquecimento facilmente.

O ativista Erick Cristiano produziu um vídeo com fotos das várias manifestações pelo mundo e publicou no Youtube:

“Eu sou do país dos Pinheirinhenses” é o mote de um grupo de ativistas que colocou no ar o Tumblr “Qual o seu país?”, que conta já com dezenas de vídeos de pessoas declarando sua solidariedade à população expulsa do Pinheirinho.

Em 27 de janeiro um grupo de brasileiros protestou em frente à embaixada Brasileira em Madrid, capital da Espanha,  com uma grande faixa e uma bandeira do Brasil.

Protesto em Madri, foto de Fábio TQrz, usada com permissão

O grupo também divulgou uma carta de denúncia, em português e espanhol, questionando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e a Ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e solicitando providências em relação aos desabrigados do Pinheirinho.

Manifestantes conversam com secretário da embaixada após Embaixador se recusar a recebê-los. Foto de Fábio TQrz, usada com permissão

Com faixas e bandeiras, brasileiros que vivem em Lisboa, Portugal, protestaram em frente ao Consulado Brasileiro no país no dia 2 de fevereiro e caminharam pelo centro de Lisboa, mas não sem antes entregar um manifesto ao Cônsul, que declarou que o governo já havia divulgado a sua posição em relação ao ocorrido no Pinheirinho.

Protesto em Lisboa. Foto de Soraya Barret, usada com permissão

Protesto em Lisboa. Foto de Soraya Barreto, usada com permissão

No dia 31 de janeiro, com um frio de 10 graus negativos, brasileiros protestaram em Berlin com uma faixa gigante onde se lia “Wir sinde alle Pinheirinho” e outra que pedia o fim da política de higienização social em São Paulo. O grupo lançou na internet um manifesto, em alemão. Foi também divulgado um vídeo da manifestação em Berlin.

"Somos todos Pinheirinho". Foto de Christian Russau, usada com permissão

"São Paulo: pare a política de higienização". Foto de Christian Russau, usada com permissão

Cerca de 50 brasileiros se manifestaram em Paris, capital da França, com diversas faixas em português e francês, no dia 4 de fevereiro, também na frente da embaixada Brasileira no país. A polícia francesa, porém, não permitiu que o ato fosse longo, expulsando os manifestantes do lugar, alegando que seria proibido tirar fotos próximo à embaixada. Um pequeno grupo resistiu em uma praça próxima.

Protesto em Paris. Foto de Dudas Bastos, usada com permissão

Foi criado um grupo no Facebook onde se pode ler, em francês, um manifesto em solidariedade ao Pinheirinho. Daniel Ybarra, no Facebook, anunciou que a carta enviada pelo grupo à Embaixada Brasileira seria remetida ao governo brasileiro.

Protesto em Paris. Foto de Maite Weill, usada com permissão

Outro protesto foi também realizado em Buenos Aires, Argentina, onde ao menos 30 pessoas saíram em passeata do Obelisco, cantando durante todo o percurso.

Protesto em Buenos Aires. Foto de Victoria Vajda, usada com permissão

Em Santiago do Chile ao menos 20 pessoas concentraram-se na Praça de Los Heroes, em Santiago, onde fica a embaixada do Brasil. O protesto contou com a adesão também de alguns chilenos.

Em Natal, no rio Grande do Norte, Brasil, uma manifestação ocorreu em 31 de janeiro e em Curitiba,  uma faixa de protesto foi exposta durante um jogo de futebol do Campeonato Paranaense.

Foto de Rodrigo Tomazini, usada com permissao

O cineasta Pedro Rios Leão encerrou sua greve de fome depois de 11 dias. A ele havia se juntado o ativista Alysson Bordi que, porém, teve de suspender a greve após ser encaminhado para atendimento médico em um posto de saúde no dia 7 de fevereiro. O ativista, no entanto, escreveu um manifesto em que dá as razões para o fim de sua greve e pede apoio à causa. No domingo a Guarda Municipal do Rio de Janeiro tentou, com violência, remover os grevistas e demais ativistas que esvtam juntos à ele:

Pessoal, ontem a guarda municipal gentilmente atendeu a pedidos e chegou para nos remover. Depois de puxar cacetete, ameaçar muito nos agredir, resolveram só nos deixar ao relento. Se eu fosse preto e da Zona Norte (do Rio), eles não teriam sequer dado um ‘oi’. Na confusão perdi meu celular e algumas outras coisas. O acampamento ficou desbaratado e os ânimos devastados. No sol, e no pior ponto da greve, eu comecei a passar muito mal.

Bombeiros e Policiais Militares às vésperas de entrar em greve na cidade apoiaram a greve de fome de Pedro que completou 11 dias na quarta, dia 8 de fevereiro, quando chegou ao fim:

11 dias sem sentir gosto nenhum, 12 quilos a menos no meu corpo. Espero que sirva para alguma coisa. Não peço desculpas pelo transtorno. Isso foi só uma tentativa.

Ativistas apoiam a greve de fome de Pedro Leão. Foto de Pedro Leão, uso livre.

Em 2 de fevereiro um grande ato levou mais de 5 mil pessoas às ruas de São José dos Campos para protestar e demonstrar solidariedade ao moradores do Pinheirinho.

Enquanto isto, campanhas de arrecadação são organizadas e faz-se imensa pressão sobre políticos para que tomem uma atitude tanto em relação à violência desproporcional quanto em relação à ajuda que as famílias despejadas necessitam.

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