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Espanha: Os Avós Rebeldes do 15M

Este artigo faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise.

São auto-intitulados “filhos” do 15M [15 de Maio de 2011, data em que começou o movimento de acampadas em Madrid] apesar da maioria já ter ultrapassado os 60 anos de idade – são reformados, são “iaios” (avós, em Catalão) e são veteranos de activismo de longa data. Celestino SánchezAntonia Jover, Adrián Rísquez, e Rosario Cunillera são alguns dos membros do “Iaioflautas”, um colectivo que surgiu em Barcelona em Outubro passado, de braço dado com as acampadas da Praça Catalunha. O objectivo é, à forma deles, prestarem apoio aos jovens. Mas a luta, asseguram,  é a mesma: “por uma democracia digna do seu nome e pela justiça social contra os banqueiros e políticos cúmplices”.

Os “iaioflautas,” cujo nome foi inventado em solidariedade com os “perroflautas” (“freaks”) – um termo pejorativo que o presidente de Madrid costumava usar para referir-se aos jovens ocupas – reúnem alguns dos métodos que usavam nas lutas anti-Franco, sindicalistas, locais e esquerdistas, com a sua aprendizagem sobre novas tecnologias. Em resumo: organizam uma vez por mês “acções directas” nas ruas, quase em segredo, e não as anunciam na conta do Twitter, @iaioflautas, ou blog [es] até que a execução das mesmas esteja a iniciar. Dessa forma, evitam problemas com a polícia.

O primeiro evento aconteceu em Novembro, quando ocuparam o escritório do banco Santander em Barcelona. O mais recente, chamado Operação #RebelionBus (Autocarro da Revolta) ocorreu na quarta-feira, 1 de Fevereiro. Cerca de 70 “yayos” (“avós”) combinaram encontrar-se no centro da capital Catalã e “sequestraram” um autocarro em protesto contra o aumento abusivo do preço dos transportes públicos. Escolheram a Linha 47, em tributo ao condutor e sindicalista desaparecido Manuel Vital [es] que sequestrou um autocarro desta linha em Maio de 1978 para provar que conseguia chegar ao seu bairro. Segue-se uma série de tweets que os iaioflautas começaram a escrever poucos dias antes com a ajuda de jovens activistas:

30 de Janeiro:

@iaioflautas: #eldía1F los @iaioflautas vamos a hacer algo muy loco. (puenting…como que no). Filosofía #occupy 99% ¿Le dais un meneito? Gracias!

@iaioflautas: #dia1F os @iaioflautas vão fazer uma coisa muito louca (bungee jumping… como não). Filosofia #occupy 99%. Dás nos uma mãozinha? Obrigado!

@celescolorado: Miércoles 1 por la mañana nueva travesura de @iaioflautas, síguenos

@celescolorado:  Na manhã de quarta-feira, dia 1, mais uma travessura dos @iaioflautas. Segue-nos

31 de Janeiro:

 @iaioflautas:  Tic-tac, tic-tac…cuenta atrás para una travesura más. Será #eldia1f ¡especuladores, os vais a enterar! Somos el 99%. No olvidamos.

iaioflautas@iaioflautas Tic-tac, tic-tac… contagem decrescente para mais uma traquinice. Será no #dia1 [es].  Especuladores, irão descobrir! Somos o 99%. Não esquecemos.

1 de Fevereiro:

@iaioflautas:  En marcha! Hoy será un día largo. No olvidéis el bocadillo, medicaciones varias… Hoy entramos en acción. ¡Atentos!

@iaioflautas: A marchar! Hoje vai ser um longo dia. Não se esqueçam da merenda, vários medicamentos… Hoje entramos em acção. Fiquem atentos!

@iaioflautas: Calentando motores, q frío que hace!

@iaioflautas: A aquecer os motores, que frio que está!

@iaioflautas: Hemos ocupado un autobús, el 47, en pl. Catalunya. Somos más de 70 @iaioflautas, la acción ha empezado, seguidnos en #rebelionbus

@iaioflautas: Ocupamos um autocarro, o 47, na Pç. Catalunha. Somos mais de 70 @iaioflautas, a acção começou. Sigam-nos em #rebelionbus

@iaioflautas: [Calle] Industria con Sardenya. Que se escuche: rechazamos las reducciones de tarifas y el plan de recortes salariales #rebelionbus

@iaioflautas: [Cruzamento da] Rua Industria com Sardenya. Que se ouça: rejeitamos a redução de tarifas e o plano de cortes nos salários #rebelionbus

@aioflautas: Aquí podéis ver algunas fotos de #rebelionbus. Vamos por Ronda Guineueta. Estamos ocupando el bus 47 http://www.iaioflautas.org/2012/02/operacio-rebelionbus/

@aioflautas: Podem ver fotos do #rebelionbus aqui. Vamos pela rotunda Guineueta. Estamos a ocupar o autocarro 47. http://www.iaioflautas.org/2012/02/operacio-rebelionbus/

@ioflautas: Bueno, el trayecto de ida ha acabado. Ahora, volviendo para la Plaza Catalunya. Sobre las 12:30 haremos una asamblea allí #rebelionbus

@ioflautas: Bem, o trajecto de ida já terminou. Agora estamos a regressar à Praça Catalunha. Por volta das 12:30 faremos uma assembleia lá #rebelionbus

@iaioflautas: Final del trayecto mañanero de la #rebelionbus. La lucha continúa con #yonopago esta tarde. pic.twitter.com/8GaRmzSw

@iaioflautas: Fim do trajecto da manhã do #rebelionbus. A luta continua com #yonopago (#Eunãopago) esta tarde. pic.twitter.com/8GaRmzSw

@celescolorado: En la asamblea final en pz. Catalunya @iaioflautas hemos cantado el cumpleaños feliz a un compañero, Manolo González cumplía 80 años

@celescolorado: Na assembleia final na Pc. Catalunha @iaioflautas cantamos os parabéns a um companheiro, Manolo González, que fez 80 anos

E aqui o vídeo que o @15Mbc_tv gravou e editou:

A operação #RebeliónBus tinha sido preparada uma semana antes numa reunião em que participei. Eu já seguia os Iaioflautas online há algum tempo, e queria arranjar forma de conhecê-los. Ali ultimaram os detalhes da acção e começaram a planear a “travessura” que vão levar a cabo em Março. Eis o que alguns deles me contaram:

Celestino Sánchez, 61 anos:  

Celestino. (Foto da autora)

El 15M representó para gente como nosotros una especie de aire fresco. La situación ha cambiado y hay un nuevo escenario y tenemos que volver a aprender. Eso no quiere decir que nuestro pasado no sirva, pero las cosas son diferentes. Por ejemplo, hace diez años era impensable que se convocara a través de las redes sociales la ocupación de la plaza Catalunya. Se decía que la gente joven no hacía nada, y hace, hace mucho. La gente de las generaciones futuras vivirá peor que la del pasado, ese es otro cambio. Lo que creo que no ha cambiado son los objetivos: una sociedad en las que las personas podamos vivir libremente, que tengamos vivienda, transporte, que estudiemos. Eso lo queríamos hace treinta años y ahora también, sigue siendo vigente. 

O 15M representou uma lufada de ar fresco para gente como nós. A situação mudou e há um novo cenário, e temos de voltar a aprender. Isto não quer dizer que o passado já não serve o propósito, mas as coisas são diferentes. Por exemplo, há dez anos, era impensável organizar a ocupação da Praça Catalunha através das redes sociais. Dizia-se que os jovens não faziam nada, e fazem, fazem muito. As gerações futuras viverão pior que a do passado, essa é outra mudança. O que acredito que não mudou são os objectivos: uma sociedade na qual as pessoas podem viver livremente, onde tenhamos casa, transporte, onde possamos estudar. Era isso que queríamos há já 30 anos e agora também, continua a ser o caso.

Antonia Jover, 72 anos:

Antonia. (Foto da autora)

Me gusta mucho esta forma de lucha, porque pienso que es una forma directa y, además, responde a la concepción que siempre he tenido de la democracia. La democracia es poder del pueblo, ningún gobierno puede ser democrático, porque los gobiernos son represivos. La verdadera democracia está en el pueblo y en la vigilancia del pueblo de que los gobiernos cumplan lo que prometen. Los iaioflautas podemos aprovechar las experiencias que teníamos del franquismo. Entonces los que queríamos una sociedad democrática teníamos un enemigo común, el franquismo, un sistema bárbaro y represivo. Y ahora, ¿por qué no hacer una misma experiencia de la unidad contra los especuladores y los financieros? Nos afecta al 99% de la población y sólo es el 1% el que se beneficia. Ésta es la idea.”

Gosto muito desta forma de luta, porque penso que é uma forma directa e, para além disso, corresponde à concepção que sempre tive de democracia. A democracia é o poder do povo, nenhum governo pode ser democrático porque os governos são repressivos. A verdadeira democracia está com o povo e com a vigilância do povo sobre o cumprimentos das promessas dos governos. Nós, os iaioflautas, podemos aproveitar as experiências que tínhamos do franquismo. Portanto aqueles de nós que queriam uma sociedade democrática tinham um inimigo comum, o franquismo, um sistema bárbaro e repressivo. E agora porque não criar a mesma experiência de unidade contra os especuladores e financeiros? Afecta 99% da população e só 1% é que beneficia. É esta a ideia.

Adrián Rísquez, 77 anos:

Adrián. (Screen shot taken by the author)

En los iaioflautas me siento muy bien. Llevo cinco años encerrado en la Federación de Asociaciones de vecinos hablando de la sanidad sin salir a la calle y como nuestra trayectoria fue en la calle, dentro de los locales no me aguantaba. Con los iaios hacemos lo que me gusta, en la calle, porque lo hicimos en aquellos tiempos y lo estábamos echando en falta. Decíamos que era necesario que la juventud saliera a la calle, pues ya está en la calle y ahora lo que tenemos que hacer es estar con ellos, que ellos aprendan de nosotros y nosotros de ellos. No se puede estar en casa porque las cosas que tenemos no las hemos conseguido en casa. La sanidad pública se consiguió en la calle y tenemos que conseguir en la calle para que no nos la quiten.

Sinto-me muito bem com os iaioflautas. Tenho estado há cinco anos fechado na Federação das Associações de vizinhos a falar da saúde sem sair à rua e como a nossa trajectória foi na rua, já não aguentava mais estar dentro dos lugares. Com os iaios, fazemos o que gosto, fora de portas, porque o fazíamos naqueles tempos e porque faltava fazê-lo. Dizíamos que era necessário que a juventude saísse às ruas; bem, já estão nas ruas, e agora o que temos de fazer é estar com eles, para que aprendam conosco e nós com eles. Não podemos ficar em casa porque as coisas que temos não as conseguimos em casa. A saúde pública conseguiu-se nas ruas e temos de continuar nas ruas para que não no-la tirem.

Rosario Cunillera, 66 anos:

Rosario. (Foto da autora)

Todo empezó cuando fuimos a la plaza Catalunya a ver a los jóvenes y saber qué pensaban. No entramos en su lucha, porque, para mí, era totalmente diferente a cuando vine a Barcelona, a los 18 años, a luchar contra Franco. Pero fue un impulso nuevo. Ellos van a encontrar su forma de luchar, pensé, con el Twitter y todo esto. Y me apunté a los iaioflautas y cada vez que hay algo de los jóvenes, procuramos ir. Los jóvenes del 15M nos han dado un poco de ilusión y eso es algo que nos faltaba a la gente mayor.

Tudo começou quando fomos à Praça Catalunha para ver os jovens e saber o que pensavam. Não entramos na luta deles, porque, para mim, era totalmente diferente de quando vim para Barcelona, aos 18 anos, lutar contra o Franco. Mas foi um novo impulso. Eles vão encontrar a sua forma de lutar, pensei, com o Twitter e isso tudo. Por isso juntei-me aos iaioflautas e cada vez que os jovens fazem alguma coisa, tentamos ir. Os jovens do 15M deram-nos um pouco de esperança e isso era algo que a nós, os idosos, estava a faltar.

Este artigo faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise.

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