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Global: Reflexões sobre Dia da Paz 2011

Todo ano, desde 1982, pessoas ao redor do mundo unem forças em 21 de setembro, o Dia Internacional da Paz, para mostrar seu comprometimento à paz mundial e para trabalhar em cooperação para essa meta. Eventos pelo mundo variam em escala, de encontros privativos a concertos públicos, passando por iniciativas online.

Entre elas, está o The SunFlower Post (O Jornal Girassol), um novo projeto no qual jovens mulheres de diversas partes do mundo reportam notícias locais numa perspectiva de gênero. Suas blogueiras escolheram a paz mundial como tema do mês, como a editora-chefe e autora do Global Voices Andrea Arzaba explica:

Our bloggers will be writing about different issues towards Peace with a gender and local perspective. Do not miss this opportunity to learn about their countries. Let’s create a space for multicultural discussions and understanding.

Nossas blogueiras escreverão sobre diferentes assuntos relacionados à Paz com uma perspectiva local e de gênero. Não perca a oportunidade de aprender sobre seus países. Vamos criar um espaço para discussões multiculturais e compreensão do outro.

Coordenando a série desde o México, Andrea Arzaba comenta sobre o último discurso anual do presidente sobre o relatório de governança e seu foco no futuro. Ela defende que para um país alcançar a paz, é necessário focar nas ações do presente:

Calderon focused on the drug war problems and situation that has grown during his presidency, as well as the economical crisis that Mexico faces. He focused on insecurity, on the moment of confusion and sadness that people are living today. He focused on “a better tomorrow”. But … what about today?

I felt he did not gave importance on his actions for achieving peace, which is crucial at this moments of uncertainty. I believe his intentions are good – trying to defeat drug-dealing crimes, but we need to pay attention on the roots of the problem.

Educated children and values are crucial to achieve peace. When we have young people involved in the drug war this is because they did not have a proper education, they did not have enough opportunities to do something else and earn money in a different way. They are inside this cycle, one that will not let you get out easily.

Calderon focou nos problemas da guerra às drogas e na situação nascida durante seu governo, assim como a crise econômica que o México enfrenta. Ele focou na insegurança, no momento de confusão e tristeza que as pessoas vivem hoje. Ele destacou o “um amanhã melhor”. Mas… e o hoje?

Eu senti que ele não deu o melhor de si em suas ações para alcançar a paz, que é crucial neste momento de incerteza. Eu acredito que suas intenções sejam boas – tentando derrotar o tráfico de drogas e seus crimes, mas precisamos prestar atenção nas raízes do problema.

Educação infantil e valores são o essencial para alcançarmos a paz. Temos jovens envolvidos com a guerra das drogas porque não há uma educação de qualidade, eles não tiveram oportunidade de fazer algo melhor e conseguir dinheiro de outra maneira. Eles estão dentro deste ciclo, que não te deixará fugir facilmente.

future

Foto do usuário jm no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

Da China, Amily Yang aponta que a sabedoria tradicional chinesa, como o Dao e o Zen, podem ser receitas para alcançar a paz interior. Paradoxalmente, refletindo sobre a recente colisão de um trem de alta velocidade que matou mais de 35 passageiros, ela lamenta que a sabedoria está mal representada na rápida China atual. Ela desafia seus conterrâneos chineses a diminuir o ritmo para encontrar a paz interior:

The high-speed train was supposed to be a gift for the nation, yet officers were getting commands to fasten the project. One example is that a driver only spent 10 days learning – and normally it would take him about 3 or 4 months in training.

EVERYTHING is fast in China. Students hurry to find a job and get promotion, workers hurry to make more products, women hurry to find a husband and get married, officers hurry to make the GDP number shining and good for their promotion. We are moving towards a better society, for we think we are moving faster and developing.

Yes, developing is the key word, especially when an economy is emerging. That is the only focus today for the country.

“Please my China, slow down and wait for the people to follow up, do not focus too much on just hurrying up.” is a popular phrase, widely spread.

We have peace now, with no war or conflict in the country.

We have peace now, so that the State focuses on developing our economy.

But how about inner peace? Could the State somehow slow down a little bit, to catch up with what the citizens really need, as family values, as food security, as trust among the nation, as no corruption. Are people allowed to slow down a little bit, to find peace?

That could also be a question for individuals. I dare you slow down, to make a choice among all the good stuff you desire, and find what you really care for? To find your inner peace…

O trem de alta velocidade era para ser um presente à nação, e os trabalhadores estavam recebendo a ordem de acelerar o projeto. Um exemplo é que o motorista ficou apenas 10 dias aprendendo a pilotá-lo – o que normalmente levaria 3 ou 4 meses de treinamento.

TUDO é rápido na China. Estudantes correm para encontrar um emprego e serem promovidos, trabalhadores correm para produzir mais, mulheres correm para encontrar um marido e se casarem oficiais correm para fazerem um GDP bom e brilhante para sua promoção. Estamos nos movendo em direção à uma sociedade melhor, para que pensemos que estamos nos movendo rápido e nos desenvolvendo.

Sim, desenvolvimento é a palavra-chave, principalmente como a economia é emergente. Este é o único foco do país hoje.

“Por favor, minha China, diminua as velocidade e espere que as pessoas a alcancem, não foque muito na pressa.” é um ditado popular muito conhecido.

Nós temos paz agora, sem guerras ou conflitos no país.

Nós temos paz agora que o Estado se dedicou a desenvolver nossa economia.

Mas e a paz interior? Pode o Estado de alguma forma diminuir o ritmo um pouco para alcançar aqueles cidadãos que realmente necessitam de valores familiares, segurança alimentar, confiança em uma nação sem corrupção. É permitido que as pessoas diminuam um pouco o ritmo para encontrar a paz?

Essa também poderia ser uma pergunta aos indivíduos. Eu os desafio a diminuir a velocidade para entre todas as coisas boas que vocês desejam e encontrar aquilo com o que vocês realmente se importam? Encontrar a paz interior…

Onde começa a paz? Este é um dos eternos questionamentos que Natalia Semicheva faz a si mesma. Ela é da Rússia, um país que, de acordo com Global Peace Index 2011 ocupava o 147o lugar entre 153 Estados pacíficos, o que indica um alto índice de crimes e violência. Ela argumenta que quanto mais agressivo você é, mais começa a entender a paz:

Not in the UN resolutions, but in our families. Peace should come from your mother’s hug, from your husband’s kiss, from the first steps of your child. We should start focusing in our relatives and friends, respecting our parents, taking care of our children. Before loving humanity, we should first learn to love each other in our little family world. Only then we could share that inner peace with everybody that we meet in our life.

Não nas resoluções das Nações Unidas, mas em nossas famílias. Paz deveria vir de um abraço de mãe, do beijo de um marido, dos passos de seu filho. Deveríamos começar a focar em nossos parentes e amigos, respeitando nossos pais e cuidando de nossas crianças. Antes de amar a humanidade deveríamos aprender a amar nosso pequeno mundo familiar. Só quando pudermos compartilhar essa paz interior com todo o mundo que a encontraremos em nossa vida.
Islamic Peace

Foto do usuário Trey Ratcliff no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

Da Turquia, Neslihan Çiflik se pergunta sobre o fim da guerra:

I haven’t been present in any period of war during my life. I’m watching death like watching a movie on TV. My consciousness can’t accept reality. Even I can’t put myself in their place. I can’t think that it could also happen to me.

Unfortunately, there is war with or without guns.

It’s embarrassing to sit safely at home and write a letter of peace.

You know why? Because it sounds terrible that a human is killing some other, more than when someone is killed somewhere, far away. I’m not dying with this dying person. I’m getting dirty with the killer and I’m carrying this disgrace in my skin, in my blood.

Maybe I’m collapsing someone’s safe house, stealing his or her breath and his or her smile in this world. And maybe stealing her children’s smile as well.

I couldn’t believe that I can do or may do all of these. It’s a terrible shame.

This can’t be our aim to be born. My existence can’t give any pain to another person.

According to me that war is unbelievable from these sides. People die of disease or disaster. But this is not a disease, this is not a disaster, this is not faith.

Why do I do this? Our old world needs peace. Human, nations, environment, animals and herbs, and states are tired.

Eu nunca havia enfrentado um período de guerra em minha vida. Estou assistindo a morte como se fosse um filme na TV. Minha consciência não consegue aceitar a realidade. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.

Infelizmente, há uma guerra com ou sem armas.

É vergonhoso sentar tranquilamente em casa e escrever uma carta de paz.

Sabe por que? Por que soa terrível que uma pessoa esteja matando outra, mais do que quando alguém é morto em algum lugar distante. Não estou morrendo com esta morte. Estou ficando suja com o assassinato e carrego essa desgraça em minha pele, meu sangue.

Talvez eu esteja invadindo a casa de alguém, que é segura, e roubando seu fôlego e seu sorriso neste mundo. Talvez roubando o sorriso do filho de alguém.

Não consigo acreditar que possa ou vá fazer isso. É uma vergonha terrível.

Isso não é nem quer ser. Minha existência não causa dor em ninguém.

Acredito que essa guerra seja inaceitável do nosso lado. Pessoas morem de doença ou desaste, mas isso não é doença, nem desaste, nem destino.

Por que defendo isso? Nosso mundo precisa de paz. Humana, entre nações, no meio ambiente, animais e plantas, e menos Estado.

Finalmente, Anna Zemblicka, da Látvia, recorda-se de 23 de agosto de 1989, o dia em que dois milhões de Estônios, Letônios e Lituanianos deram-se as mãos para formar uma gigantesca corente. Era o movimento bálcãn que moveu o mundo:

The Baltic Way encouraged democratic movements throughout the Soviet Union and with it, international society payed attention to the Baltic region in a great extent. Within a year and a half, all three Baltic countries formally declared their independence. By September 1991, the world’s governments recognized their independence.

Historians and other experts claim that the Baltic Way “created a precedent that was and hopefully will be, followed by a number of countries all over the world – the triumph of humanity over totalitarianism in a peaceful way”.

O movimento Bálcãn encorajou movimento democráticos em toda a União Soviética e com isso a sociedade internacional prestou atenção nos Bálcãns. Em um ano e meio, todas os três países declararam formalmente suas independências. Em setembro de 10991 os maiores governos do mundo reconheceram as independências.

Historiadores e outros especialistas aclamaram que o movimento Bálcãn “criou um precedente que foi e com esperança será seguido por vários países ao redor do mundo – o triunfo pacífico da humanidade sobre o totalitarismo”.

O Jornal Girassol irá publicar mais histórias ao longo do mês.Volte para conferir o site e seguir o projeto no Twitter e no Facebook para ler o que blogueiros de diversos países irão escrever em suas séries sobre paz.

World Peace Gong

Foto de Fabio Gismondi (CC BY-NC-SA 2.0)

O Dia da Paz é uma oportunidade de reflexão individual e planetário em direção à paz, e tempo para “celebrar e fortalecer ideais de paz dentro e entre nações e pessoas”, como diz a resolução das Nações Unidas que estabelece o Dia Internacional da Paz.

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