Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Guiné-Bissau: Apresentação das “Vozes da Juventude de Bandim e Enterramento”

Tal como outros países à volta do mundo, a Guiné-Bissau é uma nação da África Ocidental com a sua dose de problemas. Desde a elevada taxa de pobreza às cicatrizes remanescentes de uma guerra civil que terminou há apenas 12 anos, o clima de instabilidade política e social coloca por vezes os cidadãos em situações vulneráveis. As crianças guineenses são muitas vezes quem carrega o fardo de tratamentos injustos e de violações de direitos humanos, que se reflectem em problemas enfrentados pelas famílias, tais como a questão do tráfico de crianças.

Têm havido relatos frequentes de casos em que os pais são convencidos por homens que se fazem passar por professores do Corão a enviarem os seus filhos para o vizinho Senegal, onde lhes é prometida educação religiosa conhecida como “talibé” [en]. Após a chegada a Dakar, estas crianças são, então, forçadas a trabalhar como pedintes, e muitas vezes são maltratadas quando não trazem para casa a quantia esperada de dinheiro. A organização SOS Talibé estima que 200 crianças são traficadas todos os meses [en] para o Senegal, e que aproximadamente 30% de todas as crianças que mendigam em Dakar são provenientes da Guiné-Bissau.

A organização nacional Associação dos Amigos de Criança (AMIC) tem trabalhado desde 1984 na consciencialização sobre os direitos da criança e na prevenção de casos de tráfico. A AMIC também tem trabalhado com uma série de organizações no resgate de crianças que trazem de volta à Guiné-Bissau para o reencontro familiar.

Vozes de Nós

Vozes de Nós

A AMIC também trabalha pro-activamente na promoção de actividades culturais para crianças e jovens à volta do país e em bairros periféricos da capital, Bissau. Recentemente, a AMIC organizou workshops de arte com o apoio da ONG portuguesa Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP) para a produção de um livro intitulado Vozes de Nós, que contém uma selecção de trabalhos artísticos criados por crianças com materiais recolhidos na comunidade.

O trabalho da AMIC consiste também em estreitas colaborações com grupos culturais na procura de saídas criativas para crianças e jovens, através da arte, teatro e actividades de dança. Para além disso, a AMIC proporciona oportunidades de liderança a jovens adultos, que trabalham como animadores em vários bairros. Um dos grupos, chamado “Netos de Bandim”, tem-se dedicado aos bairros de Bandim e Enterramento, onde, envolvidos com a juventude, os animadores coordenam aquele tipo de actividades. São talvez os grupos de dança que dão mais nome às actividades coordenadas pelos Netos de Bandim. O grupo de dança regressou recentemente do Brasil, onde tinha sido convidado a actuar em diversas celebrações de Carnaval, em Março de 2011. O vídeo seguinte mostra uma actuação recente que tomou lugar no bairro de Bandim.

O Rising Voices estará a apoiar a AMIC e o grupo cultural Netos de Bandim com um micro-financiamento para a implementação o projecto de mídia cidadã “Vozes da Juventude de Bandim e Enterramento“. O projeto visa trabalhar com os animadores dos grupos e as crianças dos bairros de Bandim e Enterramento, ensinando-as a usar ferramentas digitais, como câmaras digitais e gravadores de áudio, com o intuito de documentar imagens e sons das suas comunidades e consequentemente gerar discussões sobre os problemas que são ali enfrentados. De acordo com a proposta submetida pela AMIC, estes bairros sofrem de “falta de acesso água potável, um sistema de saneamento débil, infra-estrutura educacional medíocre, e poucos lugares seguros para as crianças brincarem”. As discussões que se pretende gerar concentrar-se-ão na procura de um papel activo para os moradores dessas comunidades,  mostrando dessa forma que eles também têm papel nas soluções para a melhoria da situação.

Crianças e animadores da AMIC no bairro de Enterramento

Crianças e animadores da AMIC no bairro de Enterramento

O coordenador do projecto, Ector Diogenes Cassamá, falou sobre as suas expectativas para o projecto e da sua importância para os residentes de Bissau.

O projecto terá certamente de enfrentar alguns desafios, já que a Guiné-Bissau tem  uma taxa de penetração de internet muito baixa, nos 2.4%. Aqueles que têm acesso à internet têm de lidar com velocidades de ligação lentas, e frequentemente a preços elevados. Equanto isso, o que já existe é um grupo entusiasta e cheio de vontade, de jovens ansiosos por mostrar ao mundo que apesar de poderem haver circunstâncias difíceis que o país enfrenta, há grupos de jovens preserverantes que desejam apresentar actividades positivas nos bairros de Bissau. Será através do uso de mídia cidadã que estes jovens líderes pretendem mostrar e documentar esses esforços.

Nos próximos artigos, mostraremos ambos os bairros de Bandim e Enterramento, e as diferentes actividades que tomam lugar em Bissau.

1 comentário

  • patrick scott howard

    Hi! i come to manifest my feeling about the situation of our election in Guinea-Bissau, well the PM his a thief at the same time gangster on the reality EU they support him bcs he do fool them by saying is gonna set the law in funtion.

Cancelar esta resposta

Junte-se à conversa -> patrick scott howard

Colaboradores, favor realizar Entrar »

Por uma boa conversa...

  • Por favor, trate as outras pessoas com respeito. Trate como deseja ser tratado. Comentários que contenham mensagens de ódio, linguagem inadequada ou ataques pessoais não serão aprovados. Seja razoável.