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Síria: A Revolução e a Economia

Esta postagem faz parte da nossa cobertura especial sobre os Protestos na Síria em 2011 [en].

Na última sexta-feira, 24 de junho de 2011, a Síria marcou o centésimo dia [en] desde o início do movimento de protestos no país. Os protestos das sextas-feiras se tornaram quase um ritual.

Mas existe um outro lado da estória. Por 100 dias, a economia do país tem estado congelada. O comércio está quase paralizado, e a chegada da temporada turística não parece ter melhorado a situação. Além disso, milhares de sírios, assustados com a condição econômica do país, têm trocado suas poupanças de libras sírias para dólares americanos ou euros, colocando uma enorme pressão sobre a libra síria.

Libras sírias. Imagem do Flickr do usuário shellfish (CC BY-NC-ND 2.0)
Libras sírias. Imagem do Flickr do usuário shellfish (CC BY-NC-ND 2.0).

De fato, por um período de 48 horas no início de abril, a libra perdeu quase 10 por cento de seu valor, o que provocou temores de um colapso iminente.

Ameaça de colapso?

O Banco Central da Síria tem sido bem sucedido até agora em manter a moeda fora do risco de uma perigosa desvalorização. Mas, com as novas medidas anunciadas em março pelo presidente em seu primeiro discurso, como, por exemplo, o aumento dos salários e a elevação dos subsídios de petróleo do Estado, sem nenhum imposto significante sobre rendimentos, tem levado muitos a ponderar a possibilidade de o país ir à falência.

Muitos na oposição estão de fato trabalhando duro para alcançar essa meta. O argumento deles é que uma crise econômica será um golpe fatal para o regime, e vai fazer com que todo mundo se volte contra ele. Outros, no entanto, são muito céticos em relação a esse cenário. O blogueiro sírio nuffsilence argumenta o seguinte [en]:

To be honest, I'm not so sure how an economical collapse will help anything. If the regime is strong enough to survive the protests, then it may also weather another crisis. A fall of the regime isn't a sure result were the market to crumble and fall. We shouldn't forget that Mugabe and Saddam survived both and more. Mugabe, especially, had seen to it that his country's economy was beyond repair, and yet, it didn't inflict much damage on his power grip.

Para ser honesto, eu não estou tão certo que um colapso econômico vai ajudar em nada. Se o regime é forte o suficiente para sobreviver aos protestos, então ele pode também ultrapassar uma nova crise. A queda do regime não é um resultado seguro que vai fazer o mercado se desintegrar e cair. Não devemos esquecer que Mugabe e Saddam sobreviveram a isso e muito mais. Mugabe, especialmente, passou por similiar experiência quando a economia de seu país parecia estar fora do alcance de ser reparada, e ainda assim, isso não causou muitos danos ao poder dele.

O economista da Síria, Ehsani, frequente convidado no blog do crítico sírio Prof. Joshua Landis , tentou responder a essas perguntas [en] sobre o futuro da economia síria:

Is bringing down the economy and bankrupting the country a realistic danger?
And as for the Lira. Is there a way to manipulate the currency from outside the country? Is it technically possible to put pressure on the Lira from governments outside?

Seria o colapso econômico e a falência do país um perigo real?
E com relação a lira. Existe uma maneira de manipular a moeda de fora do país? 

É tecnicamente possível que outros governos de fora coloquem pressão sobre o Lira?

Sobre os principais desafios econômicos, ele diz:

Syria’s economic challenge is twofold:

  • Excessive government spending on subsidies and the constantly bleeding public sector with little tax revenues to match. This budget deficit is a major challenge.
  • Sub-par economic growth and hence job creation. The domestic purchasing power is too weak to support economic growth of 7-8%, which is the rate needed simply to produce enough jobs for all those presently coming of working age. The government is too broke to spend and invest. This leaves investments and exports. Syria is so far behind when it comes to infrastructure and human and capital resources that it is nearly impossible to catch up and compete in the global economy when it comes to exporting its products and services. This leaves investments. The political background has made slowed foreign investments to a trickle. It will be a while for this to change. Domestic investors need to see significant reforms before they decide to take risk with long term investments. The government has done very poorly on the legislative side when it comes to offering incentives and cutting red tape for potential investors.
  • O desafio econômico da Síria é duplo:

  • A excessiva despesa do governo com subsídios e igualmente o constante ‘sangramento’ do setor público com receitas fiscais. Este déficit orçamental é um grande desafio.
  • O desalinhado crescimento econômico e, consequentemente a criação de empregos. O poder de compra dentro do país é fraco demais para apoiar o crescimento econômico de 7-8%, que é a taxa necessária simplesmente para produzir empregos suficientes para todos aqueles que atualmente estão em idade de trabalhar. O governo está extremamente quebrado para gastar e investir. Isso afeta investimentos e exportações. A Síria está muito atrás quando se trata de infraestrutura e recursos humanos, além do capital que é quase impossível de recuperar o atraso e competir na economia global quando se trata de exportar seus produtos e serviços. Isso afeta investimentos. O contexto político tem diminuído os investimentos estrangeiros pouco a pouco. Vai se levar um tempo para que isso mude. Investidores nacionais precisam ver reformas significativas antes que decidam assumir riscos com investimentos de longo prazo. O governo tem feito muito pouco no lado legislativo, principalmente quando se trata de oferecer incentivos e a redução da burocracia para potenciais investidores.
  • Alguns dos comentaristas, porém, têm uma visão mais otimista da crise; Why Discuss diz, em resposta a Ehsani:

    This is the best time to buy SP! I’ll do that now. It gives 9% in the bank, while the Euro is eroding.

    Este é o melhor momento para comprar libras sírias! Eu vou fazer isso agora. Dá 9% no banco, enquanto que o Euro está erodindo.

    Just a thought complementa:

    Contrary to the western countries, Syria never lived beyond its means. Except for the a few westernized Syrians, usually Syrians are frugal and they are not into the vicious circle of consumerism.
    The next few years in Syria won’t be worse than Greece or Spain and Portugal, don’t you think?

    Ao contrário dos países ocidentais, a Síria nunca viveu acima das suas possibilidades. Exceto para alguns sírios ocidentalizados, geralmente os sírios são econômicos e eles não estão dentro do círculo vicioso do consumismo.
    Os próximos anos na Síria não serão piores que na Grécia ou na Espanha e em Portugal, não acham?

    Esta postagem faz parte da nossa cobertura especial sobre os Protestos na Síria em 2011 [en].

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