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Paquistão: A Luta Contra o Talibã e os Aviões-Robôs

Imagine como deve ser viver no Paquistão, sabendo que você pode passar por todo o tipo de infortúnios num mesmo dia, seja por força da natureza, seja pela ação humana. Um lugar onde um dia sem bombardeios suicidas ou ataques de aviões-robôs viraria notícia e onde, a cada momento, os cidadãos têm de lidar com emoções como choque, raiva, desconforto e um profundo sentimento de impotência.

Numa manhã recente, o primeiro tuíte que me chamou a atenção foi de um colunista paquistanês, Fasi Zaka [en]:

fasi_zaka: The last moments of a suicide bomber who didn’t die from the blast immediately https://www.facebook.com/video/video.php?v=201156813237903

Os últimos momentos de um homem-bomba que não morreu imediatamente por conta da explosão

Um de seus seguidores no Twitter respondeu a esse tuíte [en]:

Suprah_: The kid is still alive! He is recovering at a local hospital and even did an interview for BBC later http://bbc.in/gFbx1r.

O garoto ainda está vivo! Ele está se recuperando num hospital local e até mesmo deu uma entrevista para a BBC depois

Vítimas da explosão no Clube Rummy, em Karachi, são colocadas num necrotério. Imagem de Syed Yasir Kazmi. Copyright Demotix (21/04/2011).

Num dia comum, muitos paquistaneses retuítam e compartilham no Facebook notícias como essas baseadas em ataques suicidas, bombardeios de aviões-robôs da OTAN e a retaliação Talibã a eles.

Ali Chishti, no Pakistanpal's blog (ou “Blog do Amigo Paquistanês”, em tradução livre) escreve [en]:

There have been a total of 234 drone attacks in Pakistan since 2004, according to the New America Foundation, including 22 in 2011. The estimated casualties are between 1,439 and 2,290 – of which 1,149 to 1,819 were described as militants in reliable press accounts. [..]

The Pakistani response has been full of confusion and contradictions. The military, after having come to an understanding with the United States in 2006, has allowed limited use of force inside Pakistan because of tough conditions in FATA purely for cost-benefit reasons. At the same time, it has constantly used Pakistani public opinion on the issue to pressure the US.

Houve um total de 234 ataques de aviões-robôs no Paquistão desde 2004, de acordo com a New America Foundation, incluindo 22 só em 2011. O número estimado de vítimas está entre 1.439 e 2.290 – dos quais entre 1.149 e 1.819 são descritos como militantes em relatos confiáveis da imprensa. […]

A resposta paquistanesa tem sido cheia de confusão e contradição. O exército, depois de chegar a um entendimento com os Estados Unidos em 2006, permitiu o uso limitado de força dentro do Paquistão, por conta das duras condições nas FATA [en] (ou “Áreas Tribais Adimistradas pelo Governo”) puramente por questões de custo-benefício. Ao mesmo tempo, o exército tem usado constantemente a opinião pública sobre a questão para pressionar os EUA.

A aceitação desses ataques de aviões-robôs no Paquistão fez do povo paquistanês um aliado adverso. Entretanto, independentemente de qual aliança unilateral for formada, o povo ainda sofrerá. O sofrimento virá tanto dos ataques dos aviões-robôs quanto dos ataques dos Tehrik-i-Taliban [en] (grupo de jovens militantes islâmicos paquistaneses). Kathy Gannon, uma ex-correspondente americana dos assuntos afegãos e paquistaneses durante o período de 1986-2005, afirma algo similar [en] em seu artigo publicado em The Journal Gazette:

“Pakistan is frustrated by stepped up drone attacks and accusations it is weak against Islamic militants despite nearly 3,000 dead soldiers, a five-year war in its tribal areas and dozens of arrests of suspected al-Qaida operatives or affiliates.”

O Paquistão está frustrado por conta dos crescentes ataques de aviões-robôs e das acusações de que sejam fracos contra os militantes islâmicos, apesar dos cerca de 3.000 soldados mortos, de uma guerra de cinco anos nas áreas tribais e dezenas de prisões de soldados e afiliados suspeitos de envolvimento com a al-Qaida.

O Harfang é um robô de reconhecimento, guiado à distância por experientes pilotos de guerra, transportam pilotos ou um navegador. É usado pelo exército dos EUA na fronteira afegã-paquistanesa. Copyright Demotix (11/03/2010).

Em meu próprio blog [en], compartilhei opiniões de pessoas com quem me deparei, descrevendo como a vida nas cidades mudou radicalmente por conta do medo e da frustração.

Fahd Dar, estudante de Lahore, diz:

“Life's going on but it's definitely not the same. People have restricted their outings. Although the famous hang out spots still remain crowded, but the fear of the unknown is still there. With scanning apparatuses installed at almost every corner of the city, even at educational institutes, it naturally gives you a feeling of hesitancy and vulnerability. Lahore doesn't feel that safe now, to eat your favorite eatables late at night, or watch a nifty play at Al-Hamra. Still, our hopes are high, things would get better.”

A vida continua, mas definitivamente não é a mesma. As pessoas restringiram suas saídas. Apesar dos pontos de encontro ainda permanecerem cheios, o medo do desconhecido ainda está lá. Com aparatos de vigília instalados em quase todas os cantos da cidade, até mesmo em instituições educacionais, você fica naturalmente com uma sensação de hesitação e vulnerabilidade. Lahore não parece tão segura agora, para se comer sua comida favorita tarde da noite, ou para assistir a uma inteligente peça no Al-Hamra. Mesmo assim ainda temos esperança de que as coisas vão melhorar.

Haris Hameed, um gerente numa agência de publicidade em Islamabad:

“A drive from one end of Islamabad to the other meant you had two options. Take the scenic route running parallel to the majestic Margalla Hills or the one that ran through the heart of the business district, fondly dubbed Blue Area. However, that was then. Now, when planning out your route, only one thing is considered: ‘Which route has the least amount of security check posts?’[..]

Understanding that these security measures resembling an obstacle course for mice in a science experiment are a necessity in recent turbulent times, the people of Islamabad have taken everything in their stride. There is always remorse and empathy for victims when there is a bomb blast or terror attack in the city, but with a day or two of caution, the local venture back into their routines. I believe the common thread between the people of the capital (regardless of what section of society they belong to), is that they keep on living. To cower at home in fear and stop leading normal lives is exactly what the terrorists’ want us to do. If we were to do that, it would mean that the terrorists would be successful in their goals, and that they have won. We certainly can’t let that happen. So we live, one day at a time.”

Dirigir de uma ponta de Islamabad para a outra significava que você tinha duas opções. Pegar a rota da paisagem, passando ao largo dos majestosos Montes Margalla, ou pegar a rota que passa pelo coração do distrito econômico, carinhosamente apelidado de Área Azul. Entretanto essa era a escolha. Agora, quando planejar sua rota, apenas uma coisa é considerada: ‘Qual rota tem o menor número de postos de segurança?’ […]

Entendendo que essas medidas de segurança, que se parecem com uma corrida de obstáculos para ratos num experimento científico, são uma necessidade nestes tempos turbulentos, o povo de Islamabad já viram de tudo ao se locomover. Sempre há remorso e empatia pelas vítimas quando há uma explosão ou ataque terrorista na cidade, mas, com um dia ou dois de cautela, os locais voltam a suas rotinas. Eu acredito no raciocínio comum dentre as pessoas da capital (independentemente da seção da sociedade a que pertencem), que é o de que eles seguem vivendo. Acovardar-se em casa com medo e parar de viver as vidas normais é exatamente o que os terroristas querem que façamos. Se o fizéssemos, significaria que os terroristas teriam alcançado seus objetivos, e que venceram. Nós certamente não podemos deixar que isso aconteça. Então vivemos, um dia de cada vez.

Podemos apenas esperar que as coisas se normalizem logo no Paquistão, mas a esperança parece estar longe.

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