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Brasil: Homofobia, Religião e Política

Em meio à onda de violência homofóbica que vem crescendo no Brasil, colocando o país na liderança mundial de crimes contra a comunidade LGBT – conforme reportado no primeiro artigo desta série dedicada ao panorama LGBT – o deputado federal Jean Wyllys, primeiro gay assumido a chegar ao parlamento, propôs um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que pretende legalizar o casamento para pessoas do mesmo sexo.

Ao mesmo tempo, declarações recentes de alguns parlamentares, grupos de extrema direita e representantes religiosos, que se opõem a esse e outros avanços legislativos na questão LGBT, deixaram a blogosfera indignada com o ódio e preconceito manifestados.

Imagem partilhada no blog Wihhy's.

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Pregando o preconceito

"Alerta! Liberdade religiosa ameaçada Ditadura gay no Brasil Vote contra diga não!" do blog Amigo de Cristo

"Alerta! Liberdade religiosa ameaçada Ditadura gay no Brasil Vote contra diga não!" do blog Amigo de Cristo

Diversos grupos religiosos, nomeadamente evangélicos e católicos, vem se opondo àquilo que chamam o início de uma “Ditadura Gay“, o “casamento” homossexual, as cartilhas de suposto combate à “homofobia” do MEC (mais conhecidas como Kit Gay) e o PLC 122/2006 (lei da mordaça gay), projeto de lei que pretende transformar em crime qualquer crítica ou oposição ao comportamento homossexual ou às pretensões do lobby gay”, como aponta uma notícia do Jornal Brasil, republicada n’O Evangelho, favorecendo a propagação de ideais contrários à defesa de direitos LGBT.

Sobre a questão, Paulo Cândido, escrevendo para o Biscoito Fino e a Massa, critica a “falta de argumentos” e a “retórica vazia”  da “direita religiosa”:

que mal esconde seu ódio e sua intenção de impor a moral de uma religião à sociedade como um todo.

Robson Fernando, escrevendo para o blog Acerto de Contas, acrescenta:

Fora a visão utilitária, influenciada pela moral cristã, que os anti-LGBT possuem da sexualidade – segundo os quais o sexo teria função estritamente reprodutiva –, a homofobia e o alegado “direito de criticar a homossexualidade” têm tudo em comum com a intolerância religiosa e o suposto “direito” de alguém discordar que as pessoas possam seguir outras crenças.

Os casos de homofobia, porém, transcendem as igrejas e templos, chegando até mesmo à política. Uma das figuras que faz a ponte entre as duas instituições é o Pastor Evangélico e Deputado Federal, Marco Feliciano. Feliciano se envolveu em diversas polêmicas depois de usar o Twitter para fazer diversas declararações racistas e homofóbicas, como aponta o jornalista Paulo Lopes,  ao citá-lo: “amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas”.

Homofobia com representação parlamentar

"Não discuto promiscuidade! Filho meu é bem educado e não corre o risco de se apaixonar por negras ou gays!" Cartoon de Carlos Latuff.

"Não discuto promiscuidade! Filho meu é bem educado e não corre o risco de se apaixonar por negras ou gays!" Cartoon de Carlos Latuff.

O deputado federal, Jair Bolsonaro, filiado ao Partido Progressista do Rio de Janeiro, recentemente se envolveu em uma polêmica, ao defender o direito dos pais de baterem em seus filhos para evitar que estes virem gays.

A Rede Brasil Atual sumariza as declarações mais polêmicas de Bolsonaro, em recente entrevista ao programa humorístico CQC (o vídeo pode ser visto aqui):

(…) fez declarações homofóbicas em um vídeo exibido pelo programa CQC, da TV Bandeirantes, nesta segunda-feira (28). Para Bolsonaro, ele não correria o risco de ter um um filho gay, pois seus filhos tiveram “uma boa educação, com um pai presente”. Ele também afirmou que não participaria de um evento homosexual porque “eu não participo de promover os maus costumes (sic).

Defensor de políticas de extrema-direita e ex-capitão do exército, Bolsonaro tem o costume de insultar defensores dos Direitos Humanos e de defender a tortura sem, porém, jamais ter sido punido por seus pares.

O blogueiro José Márcio Dias de Alencar escreveu uma Carta Aberta ao Deputado:

O senhor, futuro ex-deputado Jair Bolsonaro, representa tudo que o Brasil hoje mais abomina. E todos os 120 mil eleitores que o colocaram em seu sexto mandato deveriam são totalmente responsáveis por esse grotesco show de horrores protagonizado em nossa recente democracia. Irônico um ex-militar que apóia e se diz saudosista da ditadura dependender tanto da democracia pra viver,  não? São 120 mil pessoas que pregam o racismo, a homofobia e a misoginia.

Pelo Twitter, a atriz e cantora Preta Gil, ofendida por Bolsonaro em vídeo veiculado pelo programa CQC, anunciou que irá processar Bolsonaro por suas declarações, ao que este respondeu ter sido mal interpretado e que não havia entendido. Jair Bolsonaro se defendeu em seu site, negou que tenha ofendido a cantora Preta Gil.

Na noite do dia 29 de março, um grupo de parlamentares, dentre eles Jean Wyllys, Brizola Neto, Manuela d'Ávila e Ivan Valente, apresentou um requerimento ao presidente da Câmara dos Deputados pedindo que se tomem medidas contra o deputado Jair Bolsonaro.

Neonazistas, Fascistas e “Nacionalistas”

Imagem do autor.

Imagem do autor.

As declarações do Deputado Jair Bolsonaro causaram o efeito desejado, e em sua defesa diversos grupos de extrema-direita organizaram uma manifestação na Avenida Paulista e vêm organizando outros contra o PLC 122, em defesa da família e do direito ao preconceito.

Grupos como Ultra Defesa, União Nacionalista, Kombat RAC – Rock Against Communism (Rock Contra o Comunismo), Carecas do Subúrbio, Integralistas e Skinheads Nazistas se reuniram para defender o deputado e a “família”, contra a “Ditadura Gay” e as tentativas de se criminalizar a homofobia.

Ao fim do protesto, ao menos 6 pessoas ligadas à extrema-direita e grupos de ódio foram presas, o que levou Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, a comentar:
[os manifestantes acabaram se] deparando com uma contramanifestação de defensores dos direitos dos homossexuais, um ato corajoso e insensato porque, do outro lado, havia criminosos conhecidos e procurados, o que gerou uma dezena de prisões de bolsonaretes. Em nenhuma outra parte do país, neonazistas e skinheads, entre os quais devem estar os que vêm aterrorizando homossexuais na avenida Paulista, teriam coragem de sair assim tão abertamente à luz do sol.

Um protesto liderado por movimentos LGBT, além de militantes de diversos segmentos da esquerda, foi organizado no mesmo dia e horário do protesto dos Nazi-Fascistas, exigindo um enorme contingente policial para separar os dois grupos.

O deputado federal Jean Wyllys, em carta publicada no blog Brasília, eu vi, do jornalista Leandro Fortes, apela a “defesa da Dignidade Humana (…) princípio soberano da Constituição Federal” e afirma:

(…) o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.

Apesar de todo este cenário, resta esperança. O PEC proposto por Jean Wyllys, e outras iniciativas visando a criminalização da homofobia, prometem não só acender o debate sobre a legalização do casamento para pessoas do mesmo sexo, como também promover uma maior igualdade entre todos os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual.

As discussões e movimentos pela aceitação LGBT, que já tomam lugar tanto no parlamento como pela sociedade civil, estarão em foco no próximo, e terceiro, artigo da série Panorama LGBT em Debate.

31 comentários

  • @HPozzuto
    Heriberto Pozzuto
    Dois tabus impedem que o ser humano seja mais feliz. O tabu religioso e o tabu sexual. Quando os dois se encontram a vida vira uma farsa.

  • Gostei muito, como na maioria da vezes, do seu texto. Vamos republica-lo pois a informação é uma das grandes armas de que dispomos para combater a ignorância e seu filho dileto, o preconceito.

    Não posso,entretanto, me furtar a observar o que considero um erro crasso. Afirmar que “o deputado federal Jean Wyllys, primeiro gay assumido a chegar ao parlamento,” desqualifica o texto diante da inverdade histórica. Talvez tenha como efeito, inclusive, que uma parte dos leitores a quem desejamos levar informação, interrompa a leitura (o que seria uma pena) ao deparar com a afirmação. Ademais, o mandato do Deputado Jean Wyllys tem surpreendido muito positivamente, tem rompido resistências, inclusive partidárias pela sua excelente atuação.

    Só pra pensar…

    Abraço fraterno,

  • Renato

    Não creio que o Brasil seja um país homofóbico porque, para sê-lo, seria necessário compreender os meandros da homossexualidade, da heterossexualidade e do mito do amor romântico.
    O amor não é uma necessidade biológica. É algo inventado, tal como computadores ou jornais. Dão-lhe a sublime pecha de “necessidade natural” porque é belo, ideologizado, tal como nos mitos históricos de Romeu e Julieta ou Tristão e Isolda. Mas não é uma necessidade natural como, por exemplo, alimentar-se.
    Pode-se argumentar, por outra via, que este amor torna a vida mais “bela”. É plausível. No entanto, a perenidade do amor – marcada pelo “status” do casamento – remete-nos justamente a São Paulo. Nas leituras da Bíblia, notamos que a união entre homem e mulher, para Paulo, não tem como finalidade primeira a procriação: isto é rigorosamente secundário. Paulo prega insistentemente contra a fornicação, e é este o motivo pelo qual o casamento único e indissolúvel é visto como um “mal necessário”, tendo em vista a possibilidade biológica de se recorrer à promiscuidade para satisfazer a libido humana. Daí vem, também, a condenação aos homossexuais.
    O argumento, como se nota, possui um argumento cultural fortíssimo: não é a “defesa da família” ou o “atentado à moral”, e sim a proibição da fornicação, vista desde Paulo como um pecado inigualável. A tese de que homossexuais são promíscuos, como dissemina Bolsonaro, é que reverte o ódio da sociedade contra este segmento. Não se combate 2.000 anos de pregação com apenas algumas décadas de luta.
    Curioso é notar, todavia, que os homossexuais são “promíscuos” justamente por lhes negarem o direito ao matrimônio (supostamente) único e indissolúvel, que seria o “menor dos males”, ainda na visão de Paulo. Já que a procriação é um problema secundário, Paulo talvez tenha visto óbices à homossexualidade institucionalizada em forma de matrimônio por conta do velho testamento ou pela luta histórica contra as práticas do Império Romano.
    Cogitações à parte, o fato é que estas leituras permearam a sociedade por séculos. Por isto, não sei se o Brasil é necessariamente homofóbico: sei que ele é contra a promiscuidade, e a vê escancarada em homossexuais por uma ligação que de longa data é a todos imposta. A religião somente AGORA usa os argumentos de Paulo, que eram secundários, como a “ausência da procriação” ou ser algo contra a natureza. Mas a condenação veio, sim, com base apenas na promiscuidade, e é por isto que o matrimônio heterossexual foi “autorizado” pela Igreja pois ela, em sua visão inicial, desejava que as pessoas praticassem APENAS a castidade – aí sim, certamente, a total ausência de procriação. Quem duvidar, que leia as Epístolas de Paulo.
    O preconceito contra homossexuais mudou muito ao longo da História mas sempre teve, como pano de fundo, a questão da promiscuidade. Veja que nem o divórcio entre heterossexuais, de início, foi bem aceito pela sociedade – pelo mesmo argumento da “promiscuidade”. Famílias recompostas, produção independente, enfim, foram eventos que chocaram a sociedade nos anos 1970/1980 e ainda constrangem alguns mais conservadores.
    Sou a favor do casamento civil entre homossexuais por um único argumento: retirar-lhes, em parte, a pecha de promíscuos e os mostrar como pessoas que desejam casar, criar vidas em comum, constituir família, etc. Para que sejam plenamente aceitos pela sociedade, os homossexuais precisam “incorporar” estes institutos anti-promiscuidade (como casamento) e idealizar o mito do amor romântico, que é o permeado como indicador social da natureza. Na questão do casamento talvez a Política, por meio do Estado, possa contribuir. Mas quanto ao mito do amor romântico, este terá de ser incorporado pelos homossexuais (se já não o é). Assim eu creio que, aos poucos, quebra-se o preconceito.
    Portanto, homofobia é um bom termo para a atualidade, mas não sei se reflete a realidade das coisas. Ninguém repudia outra pessoa apenas pelo ato sexual com alguém do mesmo sexo em si mesmo considerado, mas por ver nestas pessoas a suposta “libertinagem” que lhes é permitida, ou inerente – “libertinagem” à qual os heterossexuais não podem consentir, pois a sociedade os condenaria por isto, mas que eles loucamente quereriam praticar!
    Se abolíssemos o casamento e liberássemos as relações sexuais em geral, incluindo-se aí sim a religião, penso que o efeito seria o mesmo que criar o instituto civil do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se a promiscuidade ou a anti-promiscuidade são legitimadas para ambos os lados, quebramos a raiz do preconceito.
    Penso, portanto, que as raízes preconceituosas são muito profundas e antigas. Revertê-las, quem há de? Alguém teria coragem de defender em público a promiscuidade entre hetero ou homossexuais? Penso que não. Logo, a saída possível (e talvez única) seja a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mostrar os gays como “os últimos românticos”: numa sociedade em que todos se divorciam, eles pedem o direito para se casar. Ou seja: responder à hipocrisia com mais hipocrisia, só que desta vez dosada com fina ironia.

    • Edgar Rocha

      Pena ter lido seus argumentos só no dia de hoje. Mas, nunca é tarde. Concordo que a questão principal contra a homossexualidade seja a promiscuidade historicamente associada a esta parcela da sociedade. Mas, uma vez usado tal argumento, configura-se o medo em relação ao homossexual e à identidade arquetípica que a sociedade construiu para ele. Isso, acho eu, pode ser definido como homofobia, não? Teu argumento final é de que os homossexuais estejam respondendo fogo com fogo, hipocrisia com mais hipocrisia. É possível. Mas, além de ser um direito o reconhecimento da união homoafetiva, também é premente a desconstrução do arquétipo de homossexualidade. Talvez seja um passo em direção a isso. Um passo pequeno, já que, a aceitação da homossexualidade no contexto atual, se concretiza apenas na acolhida de indivíduos com características muito específicas. A saber: bem sucedido. jovem, bonito, com poder de compra – e este último quesito me parece o mais importante. Gays compram seu espaço atualmente, ou seria mentira que uma “bicha pobre” goza do mesmo benefício da tolerância e do assédio recebidos por gays ricos pelo mercado? Sem trocadilho, isto é entrar pelas portas dos fundos da sociedade. Além do que, ao aceitar-se o gay pelo poder de compra, têm-se reforçado ainda mais o arquétipo, ou o estereótipo, do gay hedonista, promíscuo, consumista, frugal, vaidoso, egocêntrico… enfim, tudo que o mercado fomenta em qualquer ser humano, embora condensado na figura modelar do gay moderno. Acho isso um perigo. Tal modelo de comportamento social não se sustenta por muito tempo, porque não atende às necessidades humanas mais fundamentais, do ponto de vista do indivíduo (falo das relações sociais, da questão afetiva e psicológica). A sociedade em geral tem padecido de uma enorme crise de valores, éticos e morais, tendo negligenciado este lado da vivência humana, e está pagando o preço por isso. Infelizmente, a imagem homossexual tal como é concebida, incorpora todas as contradições, colocando a imagem do gay como alvo direto quando se questionam os valores atuais, ou a ausência deles. É mais uma injustiça a qual o gay, enquanto minoria, terá de arcar. Temo que, quando as coisas chegarem ao ponto de serem revistas, o peso das distorções sociais e éticas recaia sobre o bode expiatório mais evidente. Somado ao fato de que gays continuam se agrupando em guetos, em territórios específicos, os riscos de se tornarem alvo fácil numa recaída moralista da sociedade, que já dá sinais de formação, são enormes. Muito pior que a perseguição moralista contra a promiscuidade é o fato de esta compor a identidade dos homossexuais, sem o devido questioamento. A comunidade gay precisa começar a rever sua autoimagem e recusar deliberadamente o espaço ao qual a sociedade lhe oferece no momento, caso contrário, o mesmo oportunismo capitalista que os tem acolhido ajuntará as pedras a serem jogadas quando for conveniente.

  • Levando em conta que hétero é tão ou mais promíscuo que qualquer homossexual, a argumentação não se sustenta. E, bem, pode-se dar a explicação que quiser, mas a homofobia será criminalizada e quem não aceitar pode passar férias na cadeia.

    A igreja também pregou por séculos que a escravidão era legítima, que índios deviam ser mortos e etc, e pouco importou aos legisladores de sua época condenar tais práticas.

    Estamos no século XXI, não há mais necessidade de “casar” em igreja e etc. Temos união civil, união estável e tudo mais. Este papo de promiscuidade pode até existir na cabeça dos mais fanáticos, mas isto pouco importa. Homofobia deve ser crime e só.

    E os gays não querem se casar pra não serem chamados de promíscuos, e sim para terem direitos legais de partilha de bens, herança, seguridade social e etc. Trata-se de uma luta por direitos e não por questões religiosas.

    • Anderson Zucoloto

      Raphael, não sou preconceituoso, tenho amigos gay´s inclusive nas forças armadas. Mas sou contra o “kit Gay”, pois acho que não é maneira certa de combater a homofobia, esse Kit esta gerando muita discórdia, ninguém muda de pensamento da noite para o dia. A grande maioria esta torcendo o nariz, pois nenhum pai ou mãe cria os seus filhos para serem gays, e o kit gay me parece mais um campanha pró homossexualismo do que uma prevenção a violência contra os mesmo. Uma mudança nas leis que punissem severamente qualquer tipo de violência ou discriminação contra qualquer pessoa, seja ela gay, negro, branco, pardos não importa, a real importância e OBJETIVO do projeto e combater a violência contra os Gays. Por isso se não fizermos um projeto que combata a violência contra qualquer cidadão estaremos sendo seletivo a um grupo da sociedade. E mais acho ridículo essa briga e troca de ofensas entre parlamentares, e a falta de bom senso e tolerância de ambas as partes. Obrigado pela atenção. Abraço.

  • Renato

    Raphael, não estou falando da realidade fática: promiscuidade existe entre gays e heteros, tanto faz. Estou falando das representações sociais.

    A escravidão se sustentou por tanto tempo por qual razão? Justamente pela legitimidade que lhe conferiu a religião! Outros temas, hoje abominados, também foram legitimados em discursos religiosos medievais. No entanto, a homossexualidade foi SEMPRE condenada nos discursos religiosos, que se manifestaram nas representações sociais como o “símbolo da promiscuidade”.

    Não acho que os gays queiram casar-se para não serem chamados de promíscuos. Ninguém quer se casar por este motivo, aliás. Estou falando do imaginário social, do plano das representações: se eles querem casar-se, afasta-se o discurso religioso da promiscuidade que vem desde Paulo em suas Epístolas. A representação que isto pode gerar no imaginário social é fortíssima, e não há como negá-la.

    Já no tocante à conquista de direitos, claro que sou a favor. Mais até a favor da PEC 122/06, que criminaliza os atentados contra homossexuais. No que tange ao casamento gay, sou favorável pelos argumentos já apontados… mas é que sou o “anti-casamenteiro” por excelência, e não podia perder a oportunidade para criticar a hipocrisia do casamento, seja ele civil ou religioso.

  • Muito bom o post!

    Queria só deixar uma contribuição apresentando aquela que seja talvez a única religião que aceita o homossexualismo como natural: o Espiritismo. Tem muitos textos sobre o assunto na rede, para quem quer se aprofundar, mas destaco esse vídeo, de 1971, quando Francisco Cândido Xavier falou do assunto na histórica entrevista ao programa Pinga Fogo, da TV Tupi. Num momento em que o Brasil vivia repressão e ditadura, ouça o que ele diz sobre um assunto que era muito mais polêmico naqueles tempos:

    http://youtu.be/tb8LmH5ep7Y

    “O homossexualismo, assim como o bissexualismo, como a assexualidade, são condições da alma humana. Não devem ser interpretadas como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos de nosso maior respeiro, e acreditamos que o comportamento sexual da humanidade sofrerá no futuro de revisões muito grandes, porque nós vamos catalogar do ponto de vista de ciência todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que estão na condição de esterilidade. A criatura humana não é só chamada à fecundadidade física, mas também à fecundidade espiritual (…) ”.

    Pensem que isso foi há 40 anos!!! Essas revisões só agora estão acontecendo – o debate que vemos hoje no Brasil é uma de suas manifestações. Aqui no exterior, vemos uma naturalidade cada vez maior com a criminalização da discriminação com base no sexo, aceitação da união civil e adoção por parte de casais homossexuais. Acredito que da mesma forma, o Brasil um dia aceitará lá, e a homofobia entrará para os livros de história, ao lado do escravagismo. A marcha do progresso, amigos, é inevitável.

    Uma coletânea de videos, alguns assuntos bem polêmicos:
    http://sirconandoyle.wordpress.com/espiritismo/historia-do-espiritismo/chico-xavier/pinga-fogo-com-chico-xavier/

    Abraços
    Paula

    • A coisa não é assim tão bonita, Paula. Fui criado como espírita, apesar de ser ateu, e dependendo da tendência, ou do Centro que você frequente, alguns espíritas podem ser extremamente preconceituosos. De fato, existe no Espiritismo uma aceitação geral da idéia de homossexualidade, MAS alguns centros consideram que o homossexual foi, na vida passada, alguém que cometeu sérios desvios de ordem sexual, foi pervertido, pedófilo e coisas do tipo.

      Esta, dentre outras coisas, que me fizeram me afastar do espiritismo em primeiro lugar.

      • Rapha,

        Mas aí são posturas individuais de pessoas que se dizem espíritas mas ainda trazem seus preconceitos, claro, somos todos humanos a caminho do progresso. Mas arrisco dizer que essas pessoas representam uma pequena minoria, e que a Doutrina, em si, é altamente inclusiva.

        Vi uma palestra sobre homossexualismo e espirtualidade com Dr Andrei Moreira, da Associação Médico-Espírita do Brasil, que também lamentou que ainda haja dentro do movimento pessoas que se comportam como você falou, mas é uma batalha onde o esclarecimento está vencendo.

        Em suma: nada é perfeito, porque as pessoas que estão por trás não são perfeitas, mas podemos dizer sim, que o Espiritismo enquanto religião é a única que aceita – e acha que o indivíduo deve se aceitar e ser aceito do jeito que é.

        Abraços
        Paula

  • Vitória Lobo

    gays, lésbicas, bissexuais e assexuados sofrem um preconceito sem razão. Eles não são animais, são iguais a qualquer hetero. Não é por gostar de uma pessoa do mesmo sexo que a pessoa tem que ser discriminada, e não é por isso que um homossexual tem que se esconder o problema tem que ser enfrentado, não é fácil porém quanto mais as pessoas aceitarem pior vai ficar. Quem deveriam ser discriminados são aqueles que fazem algo que vai contra a lei. Eu acho desconfortável ver um casal homosssexual se beijando no meio da rua assim como eu também acho desconfortável um casal hetero.
    Se não devemos discriminar ninguém por raça, classe social ou nacionalidade, porque discriminar um homossexual?

  • Achei uma entrevista com o Dr Andrei Moreira online sobre “A Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal”, mesmo tema da palestra. Vale a pena ler, é o pensamento corrente e científico, Rapha: http://bit.ly/iAJCTA

  • LEANDRO CARVALHO

    Uma vergonha no brasil e no mundo, deveriam ter vergonha cara da direitos iguais pra essa gente ,essas pessoas deveria aceitar como é,muitas familia nao sao mais iguais, e tbm e muitas doenças acontecendo. Por isso o mundo ta virado num inferno. DEUS fez O HOMEN e depois a MULHER para produzir e formar um ser humano. Posso ate ser contra,o que esta acontecendo é ridiculo e sem moral.

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