Está vendo todos esses idiomas acima? Nós traduzimos os artigos do Global Voices para tornar a mídia cidadã acessível para várias partes do mundo.

Saiba mais sobre Tradução do projeto Língua  »

Brasil: Revolta de brasileira deportada da Espanha

A deportação da Espanha no início do ano de Denise Severo, 34 anos, pesquisadora da UnB, que estava viajando para passar suas férias, despoletou novamente questões entre os dois países relacionadas a imigração.

Ao voltar ao Brasil, a pesquisadora escreveu uma carta aberta amplamente divulgada por diversos blogueiros, e que despoletou várias reações sobre o tratamento que recebeu pelas autoridades de imigração Espanholas.

- "E quais são esses requisitos para entrar no seu país?" - "Artigo primeiro: não ser Brasileiro..." Charge de Amarildo, usada com permissão do autor

- "E quais são esses requisitos para entrar no seu país?" – "Artigo primeiro: não ser Brasileiro…" Charge de Amarildo, usada com permissão do autor

“Puro Preconceito”

Rogério Tomaz Jr, do blog Conexão Brasília-Maranhão reproduziu a carta aberta de Denise, publicada em 30 de janeiro, na qual ela explica o acontecido:

Acho que muitos de vocês sabiam que eu estava saindo de férias junto com minha amiga Gracinha para a Espanha. Pois bem, planejamos tudo, compramos passagem, reservamos hotel e tudo mais. Porém, fomos em vôos separados. Depois de 15 horas de viagem EU fui INJUSTAMENTE DEPORTADA pela imigração da Espanha! Fiquei 15 horas PRESA numa sala da polícia federal sendo tratada como criminosa! Sem direito à telefonema, sem nenhuma informação sobre os motivos pelo qual estava detida e somente depois de 7 horas tive contato com um advogado e uma tradutora. Fui revistada fisicamente e revistaram e retiveram minha bolsa e minha bagagem de mão, tudo isso antes de ter um advogado. Eles arbitrariamente decidiram que eu não entraria naquele país e fizeram de tudo para arranjar algo para me deportar.

Denise comenta que, enquanto detida sem direito a um advogado, compartilhava uma sala com outros detidos, todos negros ou latinos, ao que ela considerou uma mostra clara de preconceito e xenofobia:

Havia cerca de 10 pessoas presas nesta situação e todas elas eram latinas e/ou negros da África!!!  Ou seja, é XENOFOBIA PURA!!!! Mas XENOFOBIA CONTRA LATINOS E NEGROS!!!! PURO PRECONCEITO!!!

O blogueiro comentou sobre a diferença de tratamento por parte dos brasileiros com os turistas, comparando com a experiência de Denise:

Daqui a três anos o Brasil receberá muitos espanhóis que irão acompanhar a “Fúria” na Copa do Mundo. Como fazemos com todos os povos que nos visitam, iremos tratá-los muito bem, com hospitalidade e cordialidade. Mas é bom que o mundo saiba como a Espanha trata os visitantes de outros países que chegam para conhecer a terra de Miguel de Cervantes.

Incidente isolado?

- "Agora, para espanhol entrar no Brasil, além de toda a documentação a gente exige que ele tenha... Samba no pé!!" Charge de Lute, usada com permissão do autor

- "Agora, para espanhol entrar no Brasil, além de toda a documentação a gente exige que ele tenha… Samba no pé!!" Charge de Lute, usada com permissão do autor

O embaixador da Espanha no Brasil, Carlos Alonso Zaldívar, se pronunciou sobre o caso, afirmando que “Um caso isolado não pode dar margem a qualificar a Espanha como racista nem dizer que perseguimos os brasileiros nos aeroportos”.

Ele ainda acrescentou, dando as razões para a deportação de Denise Severo:

O primeiro é que a sra. Severo, apesar da sua boa vontade, não dispunha de alguns dos documentos ou comprovantes necessários.
Segundo, porque não se usou adequadamente o mecanismo previsto para esses casos, mediante a intervenção do Consulado-Geral do Brasil em Madri.

Apesar de possuir comprovante – em nome da amiga – de reserva no hotel, cartão Travelmoney do Banco do Brasil com comprovante da compra de euros e do advogado designado pela polícia espanhola para defendê-la ter ligado para o hotel e confirmado a reserva, o Embaixador afirmou em sua carta que Denise não dispunha de todos os documentos necessários para entrar no país.

Simone Severo, irmã de Denise, também publicou carta aberta atacando o governo Espanhol, aqui reproduzida pelo Blog do Nassif:

O Brasil devia exigir que a Espanha peca desculpas a Denise Severo e a todos os outros cidadaos que foram inescrupulosamente acusados de mentirosos e foram desrespeitados em seus direitos humanos.

Eh preciso discutir, sim, eh preciso questionar, e porque nao dizer EXIGIR que o governo nos defenda. Afinal, nao eh para isso que se vota? Para que todos tenhamos os mesmos direitos e para que o pais nos defenda e olhe por nos?

O Brasil levou 50 anos lutando por democracia, por seu espaco no mundo e para ter voz. Que esta voz nao se cale, que ninguem baixe a cabeca, porque ninguem tem direito de  brincar de policia e ladrao com a vida alheia do cidadao de bem, muito menos para escolher quem eh bandido.

Espanha: desculpe-se!

Brasil: mostra tua cara!

Finalmente, Denise respondeu ao embaixador da Espanha, em post reproduzido pelo blog Vi o Mundo, comentando sobra a forma pela qual foi tratada, a humilhação de ser escoltada como criminosa em carro blindado ao avião, de ser mantida presa por 15 horas – sendo 7 incomunicável. Ela terminou perguntando se a Espanha respeita os direitos humanos:

Evidentemente que todas as nações são soberanas para decidir quem entra ou não entra em seus territórios, mas os direitos humanos precisam ser garantidos.

[…]

Excelentíssimo Sr. Embaixador, gostaria de saber se tais atos refletem a garantia dos direitos humanos pela Espanha? Gostaria de saber se a Espanha concorda e avaliza tais atos da Polícia?

[…]

Por fim, uma pergunta não cala: será coincidência do acaso o fato de somente estar detidos latino-american@s e/ou negr@s?

Ela ainda discorreu sobre os diversos pontos levantados pelo Embaixador, rebatendo ponto a ponto a argumentação de que seria culpada pelo tratamento recebido.

A prática de deportação de brasileiros da Espanha não é incomum. Em 2009, de cada 5 estrangeiros deportados, um era brasileiro (ou 21% do total), e em 2008 a porcentagem foi de 23%. Em fevereiro de 2008 o Brasil chegou a determinar uma política de reciprocidade frente ao grande número de brasileiros deportados sem qualquer justificativa por parte do governo Espanhol.

À época, o então presidente Lula declarou:

Domingo termina a eleição e no início da semana eu espero ter um a explicação do que houve. Isso pode ser coisa dos partidos conservadores [Espanhóis] que, se pudessem, não deixavam pobres de outros países entrarem na Espanha

Marcos dos Santos, deportado em 2008, declarou:

Fomos tratados praticamente como animais, sem saber porque estava acontecendo aquilo com a gente

Não se sabe ainda se a Espanha irá retornar à prática de expulsão em massa de brasileiros, nem se o Brasil irá responder, como da última vez, à altura.

9 comentários

  • Uma coisa que me vem à mente, diante de minha experiência vivendo no exterior e viajando pela Europa, onde infelizmente casos como este é muito comum: o documento mais importante que exige-se na imigração é uma prova de que o cidadão tem uma ocupação legítima no país de origem (o que comprovaria que só está de férias). Pode ser carta do empregador, carteira de trabalho, comprovante universitário… qualquer coisa que indique a pessoa teria uma obrigação de voltar – sem ele, os outros não valem nada sozinhos, pois comprovante de hotel e dinheiro qualquer pessoa com intenções de ficar ilegal no país pode obter facilmente. Pelo menos aqui no Reino Unido, isso consta na lista de documentos exigidos. Alguém sabe se ela tinha esse documento?

  • […] GlobalVoices – […]

  • Elanivalda

    infelizmente eu tive a triste experiencia de passar por esse constrangimento no dia 21 de fevereiro deste ano .Foi um pesadelo cada minuto que passei ali,o mais revoltante é que eu só ia fazer uma conexão naquele país assim como os outros seis brasileiros que também iriam fazer conexão , foram barrados . O sentimento é de revolta.

  • Fábio Gomes Fernandes

    (Carta enviada para o Itamaraty e para o Consulado da Espanha no Brasil.)

    Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2011.

    É com imensa tristeza que venho por meio desta carta comunicar e relatar alguns fatos que ocorreram no Posto de Polícia de Imigração de Madrid-Barajas, e considero de relevância e de interesse do Consulado da Espanha no Brasil e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
    Tenho o propósito de tornar pública e de reverter minha atual situação, jurídica e administrativamente, de deportado na Espanha.
    Gostaria de recorrer juridicamente, junto a autoridade espanhola responsável pela minha deportação e negação de visto de entrada na Europa.
    Envio em anexo a essa carta, para o Consulado da Espanha e ao Governo Brasileiro, cópias de documentos que compravam que estaria regular para obter o visto de entrada como turista.
    Estava em um voo para Porto, Portugal, com escala em Madri. E logo após visitar Portugal, onde encontraria com a minha namorada, a inglesa Abigail Kennedy. Iríamos ao Reino Unido, alguns dias depois. Programamos essa viagem já algum tempo, pois já não nos vemos mais de 4 meses . E no fim de novembro pretendíamos voltar ao Brasil juntos.
    Tinha todos os documentos e requisitos necessários para ingressar como turista em países da UE segundo havia consultado nas Embaixadas de Portugal e também Britânica; ou seja, os países que visitaria primeiramente em minha viagem para Europa.
    E como minha permanência na Espanha seria apenas para fazer a escala do voo, que sairia para Portugal em 50 minutos aproximadamente, não sabia que seria avaliado e teria de apresentar documentos necessários para entrada nesse país que me deportou; apenas por fazer uma conexão de voo de uma companhia aérea espanhola. Também não fui orientado em nada pela empresa prestadora do serviço aéreo, a Ibéria, que esse procedimento na Imigração da Espanha-Madri iria ocorrer. Mesmo assim, acreditava poder cumprir tais regras e requisitos. E para mim estava explícito no meu bilhete de avião que minha intenção e destino era, no caso, Portugal. País no qual verifiquei cuidadosamente como entrar em seu território.
    Minha decepção começou logo após desembarcar do avião em Madri, (com aproximadamente 12hs de voo) por volta de 10:30h da manhã do dia 27/set de 2011, onde faria minha conexão para Porto que seria às 11:35h naquela mesma manhã. Ao pisar efetivamente o solo espanhol já tive um primeiro contato com a Polícia que me pediu o passaporte; fato que me causou certa estranheza, pois muitas pessoas passaram por ele sem serem paradas e/ou incomodadas. Logo após fui ao guichê de não europeus para novamente apresentar meus documentos, passaporte, Euros em moeda, cartão de crédito internacional, passagens de meus voos ida e volta para o Brasil, reserva de hotel em Portugal, recibos de voos de Porto para Londres, seguro viagem acima de 30.000,00 Euros (segundo o tratado de Schengen que incluem Espanha e Portugal), para seguir tranquilamente minha viagem. Ao final dessa conferência fui direcionado por policiais para uma parte de imigração do aeroporto, onde vou relatar aqui meu total desapontamento com os critérios adotados lá.
    Tive uma segunda entrevista com um policial de Imigração já por volta de 11:20h, ou seja, quase na hora do meu embarque para Porto, (pensei eu inocentemente, pois era só o começo de meu martírio. Ficaria ali por mais de 24hs.) Nessa entrevista/interrogatório, também em espanhol assim como a anterior, tentei explicar com calma e clareza os motivos de minha ida a Europa naquela ocasião; que era exclusivamente para o turismo e encontrar minha atual namorada , conhecer outras culturas e cidades por ela apresentadas. Ficaria 2 meses com ela na cidade de Bristol, Inglaterra. Local onde ela reside atualmente. E retornaria em novembro com ela para o Brasil. Além, claro, de apresentar todos os documentos, recibos e comprovantes que já tinha apresentado anteriormente e relatado acima.
    Esse policial, que já tinha posse de meu passaporte, me explica que eu tenho direito a um tradutor e um advogado e que haveria uma outra entrevista que ocorreria até 17:00h daquele triste 27/set e fui encaminhado a um outro local dentro da Imigração para esperar, obviamente sem poder sair daquele local.
    Lá chegando, em um clima nada amigável, fui direto a uma sala para ser revistado por dois policiais (masculino e feminino). Esses examinaram também minha mala de mão (mochila). Ambos usavam luvas, que imaginei ser para não deixar nenhuma impressão digital em uma inspeção posterior. Nessa sala ficou retida minha mochila e todos os meus pertences, inclusive meu cinto; até a derradeira hora de ser deportado.
    Após esse transtorno, fiquei em uma sala com mais uns 6 brasileiros, outros sul e centro americanos e um indiano, totalizando umas 18 pessoas. Muitas já esperavam horas ou até dias sem ter informações concretas sobre sua situação.
    Sinceramente, naquele primeiro momento, me causou dúvidas sobre se os critérios ali aplicados teriam uma conotação de racismo/xenofobia, pois somente vi negros como eu, morenos e mulatos, descendentes de indígenas e um muçulmano.
    Bem, já havia perdido o voo para Porto e sequer sabia quando teria uma solução para meus problemas. Assim sem nenhuma informação e orientação de nenhum responsável no local, pois eu gostaria de avisar a família e minha namorada o que acontecia comigo. Contando com ajuda exclusivamente de outros confinados, descubro que para telefonar em um dos 3 telefones públicos, deveria comprar um cartão telefônico que seria vendido ao lado da sala onde ficaram retidas as nossas malas. Mas no momento estava fechada. Se não me engano era sala de Assistência Social, que servia apenas para vender cartão telefônico, e custava 5 euros ou 8 dólares cada. Esse local ficava aberto algumas horas por dia. Somente por volta das 14:00h pude finalmente comprar um cartão e telefonar.
    Minha família e minha namorada ficaram muito surpresos e tristes com minha notícia de que havia perdido o voo. Eu ainda confiava em ser entrevistado novamente e acabar com aquele mal entendido até as 17:00hs , como havia me prometido o policial que me entrevistou anteriormente. Segui assim minha espera com total esperança de resolver tudo aquilo e acabar com o pesadelo. As horas pareciam passar devagar naquele local, que possuía banheiros masculino e feminino, uma máquina de coca-cola, uma maquina de café e um bebedouro. Câmeras de segurança e umas salas que tinham vidros espelhados, com policiais vigiando 24hs, também faziam parte desse cenário.
    Por volta de 15:00h foi servido um almoço, de aparência não muito agradável para todos os “imigrantes suspeitos”. Para mim foi terrível, pois sou vegetariano e comi apenas uma maçã, um pão duro e água, que era o complemento do almoço.
    A minha espera seguia… 17:00h, 18:00h,19:00h e somente por volta de 19:30hs recebo a infeliz notícia que minha entrevista seria no dia seguinte e que eu e todos os outros deveríamos dormir em quartos naquele mesmo local na Imigração. Nesse momento questionei o policial sobre o equívoco que estavam cometendo, já esperava lá quase 10 horas, e que estava previamente combinada minha entrevista para aquele mesmo dia. Conforme tinha me dito outro policial mais cedo. Não fui muito bem interpretado pelo policial que questionei, pois ficou visivelmente nervoso e com atitudes ríspidas comigo. A partir daquele momento comecei a falar com um outro policial que estava mais calmo, e esse me explicou que minha entrevista seria uma das primeiras na manhã seguinte … e que inevitavelmente eu teria de dormir lá aquela noite. E por volta de 20:00h nos serviram o jantar e 23:30h apagaram as luzes do recinto.
    Na manhã seguinte, dia 28/set , acordei às 6:00h e por volta das 09:00h fui conduzido por policiais, ter a minha esperada entrevista com tradutor e advogado. Somente nesse momento me comunicaram os motivos pelo qual estava sendo praticamente tratado como um criminoso naquele país. Os motivos alegados eram recursos financeiros insuficientes e também a falta da carta convite de minha namorada, que a essa altura me aguardava aflita no hotel em Porto, onde fizemos reserva anteriormente.
    Com primorosa ajuda do tradutor e da advogada, expliquei novamente toda história que já havia relatado nas outras entrevistas e tentei provar que meus $300,00 euros em moeda eram suficientes para entrar em Portugal, pois eles exigem $40,00 Euros por dia e $75,00 Euros para cada entrada naquele país. Pois assim tinha visto no site da Embaixada de Portugal. E que ainda me sobrariam $100,00 Euros. Pedi que ela checar minha informação no site da Embaixada, mas ela se negou. E também tinha reserva no hotel em Porto, e já havia perdido um dia . E como já tinha voo marcado para Londres, dia 30/set eu precisaria comprar Libras como havia me falado minha namorada e também verificado por mim no site da Embaixada Britânica. Também tentei explicar que somente não tinha carta convite para minha estada no Reino Unido porque encontraria com minha namorada em Portugal e estaria junto com ela caso precisasse ser entrevistado novamente ao entrar em solo Britânico.
    A policial que me entrevistava me informa que eu deveria ter $65,00 Euros/dia e mais $75,00 para entrar na UE. Eu informo novamente que achava que havia um equívoco nesses valores, pois tive o cuidado de verificar, mas como já tinha perdido um dia de reserva no hotel, me sobrariam Euros mesmo assim. E em Porto precisaria ir ao câmbio comprar Libras.
    Sobre a carta convite, a policial me fala que a minha namorada deveria ir até a Polícia em Porto, e mandar via fax para o Posto de Policia Imigração de Madri, a carta convite com um carimbo da Polícia local para legitimar minha história. Assim sendo, pedi para telefonar para ela tentar resolver esse problema. Fui direcionado novamente até a sala onde estava antes, somente lá haviam telefones públicos.
    Esperava ansioso por esse fax que teoricamente me livraria do transtorno total de ser deportado. E por volta de 12:10h sou encaminhado por policiais novamente na sala que estava sendo interrogado. A policial me chama e me informa que meu visto estava negado e que eu seria deportado no voo de 12:20h para o Rio de Janeiro.
    A mesma policial me comunica, que eu também deveria ter no mínimo $650,00 Euros. Tentei saber com ela onde ela haveria verificado, mas não obtive nenhuma resposta. Eu possuía no momento além de $300,00 Euros, cartão de crédito internacional, cerca de R$300,00(Reais) e saldo na conta bancária que mesmo assim cobririam esse valor.
    Pedi informação sobre o fax que estava esperando e a policial me diz que não teria o menor valor, pois a nacionalidade da pessoa que se responsabilizaria por mim era inglesa e o fax viria de Portugal. Contestei o fato pois estava acompanhado da advogada e do tradutor quando essa mesma policial afirmava que seria válido o tal fax como a carta convite. Assim pedi um pouco mais de tempo para fazer outro telefonema para Abigail, pois sua mãe a Sra. Mavis Sawdy, que é assistente social, acompanhava de seu país a agonia de sua filha em Portugal e a minha na Espanha. Ela já teria para mim uma carta convite para ser autenticada na Inglaterra e enviada por fax. Na ocasião a própria policial me informa que já sabia da existência de Abigail Kennedy e sua mãe, pois ambas já haviam ligado para o Posto de Imigração tentando obter informações e notícias sobre mim.
    Faltavam 10 minutos para o embarque, a policial me fala que eu não poderia fazer outro telefonema, e também que eu não poderia contestar mais nada. Ela saiu de onde me entrevistava. Fui levado às pressas por policiais para pegar minha mala de mão e não pude sequer comunicar por meio de um telefonema para minha namorada ou família, que estava sendo deportado da Espanha para o Brasil. Fui levado no carro da polícia até o avião com mais 2 brasileiros e 1 argentino. O avião parecia somente aguardar a mim e mais um brasileiro, ambos deportados naquele mesmo voo para o Rio de Janeiro.

    *Alguns fatos me causaram muita estranheza nos procedimentos da Polícia de Imigração:
    – policiais e agentes de segurança sem identificação ou com crachá virado ao contrário.
    -a entrevista com advogado e tradutor somente depois de quase 24hs.
    – ausência de número de telefone (celular) de emergência do Consulado Brasileiro, em local visível.
    -falta de identificação (nomes) no Documento de Deportação do chefe da Polícia de Imigração, e no caso seu substituto.
    – a etnia de todos os cidadãos que são retidos pela Imigração de Madri.
    -o porquê de ser deportado na Espanha, já que meus destinos eram Portugal e posteriormente o Reino Unido; comprovadamente.

    Depois ter tido o constrangimento de ser levado para o avião da empresa Ibéria pelo carro da polícia, ainda tive de viver a desonra causada pela comissária de bordo, que, ao se negar a me servir um vinho, fez questão de tornar pública no voo minha “condição de deportado”. Me causando um certo desconforto entre os outros passageiros.
    Muito ao contrário da alegria de realizar um sonho, só me causou um desprazer muito grande ao conhecer a Europa dessa forma. Além do prejuízo financeiro, (reservas de hotel, seguro viagem, gastos com cartão internacional, voos de Porto para Inglaterra, passagem de trem Londres Bristol, voo ida e volta para o Brasil) pois estava munido de todos os documentos necessários e passaporte em dia. E assim causando grande mal estar em mim, na minha namorada e em nossos familiares e amigos. E obviamente uma impressão muito ruim da Espanha ficará guardada. Não tenho a menor pretensão de visitar esse país novamente.
    Desembarco no Brasil por volta de 18:00h, já com mais de 48 horas sem tomar um banho e muito cansado da viagem e de todo stress causado. Vou diretamente a Polícia Federal buscar meu passaporte que estava apreendido. Logo após vou a um balcão da Ibéria. E ainda tenho a péssima notícia da companhia aérea que minha mala estava em Portugal. (Chegaria defeituosa somente 5 dias depois em minha casa). Diferentemente do que havia me informado a Polícia de Madri antes do meu embarque/deportação. Infelizmente essa foi uma das piores experiências de toda minha vida.

    Fábio Gomes

    • Alessandra

      Sabe ao ler esse eu relato… fiquei triste nunca passei por isso e espero nunca passar… mais tenho amigos e familia que sentiu isso na pele assim como vc… isso e preconeito com o ser humano… espero e desejo que sua proxima viagem seja maravilhosa pois deus esta no controle… e tambem espero que o mesmo tratamento seja dado aos turista espanhoes… quando for ao Brasil!

      Que as autoridades Brasileiras tome conhecimento deste fato desagradavel!

    • Caro Fábio li a sua e fiquei P………. da vida com o tratamento dispensado anós brasileiros na Europa portanto gostaria da sua autorização apara pubicar sua carta em meu jornal se possível mande uma foto sua.

      Temos que tratar esses gringos da mesma forma infelisemente eles chagam e as autoridades deixa eles fazerem o que querem como se o nosso país fosse a casa da mãe Joana.

  • cleide moitinho

    Sinto muito Fabio,o meu subrinho de menor Caio foi tambem deportado sem motivos,ele viria para minha casa aqui na Italia,ele de menor e viajando sozinho,tomei todas as providencias necessarias para que a viajem de Caio fosse tudo bem,mas infelismente foi deportado e tratado mal,mesmo sendo de menor,liguei para o Consulado Brasileiro em Madrid e nada eles fizeram,nem uma ligaçao e Caio voltou no dia 1-12.11.Nos Brasileiros temos tratamento de animal e os Espanhois quando chegam no nosso Pais falta so o carro eletrico para tds eles,isso sim que è vergonhoso. Sinto muito por tods Brasileiros que estao sofrendo por causa de racismo.Um abraço

  • Caro ai vão os meus contatos:
    Telefones: (73) 3261-2961 / 9111-2313 / 8158-2860 / 9949-0911
    E-mails: nossacara@nossacara.com, nossacara2005@gmail.com e urbinobrito@nossacara.com
    Obs. Não só o Fábio mais qualquer brasileiro qua tenha passado por tal situção na Espanha ou em outros países podem mandar seus relatos que publicaremos.

  • Nathalia Pontes

    Simplesmente lamentável para nós Brasileiros,o Brasil tem que por em pratica elevante o deportamento de estrangeiros no nosso país,o tratamento tem que ser igualitário.Essa Pátria amada e tão rica merece respeito, por que a verdade é que os outros países dependem mas do Brasil do que o contrario,pois é no Brasil que esta concentrada a maior riqueza natural,variedades raras que só existe aqui,água potável em abundância a economia do nosso país cresce aceleradamente a cada dia,as melhores carnes,as melhores frutas,Grãos,a melhor água,legumes,verduras,leite é nosso.Vamos ACORDA BRASILEIROS,o nosso povo não é bem vindo em outros países,não é bem recebidos e nem bem vistos,e quando os estrangeiros chegam em nosso pais tem tratamentos vip,é acolhido com respeito e educação CHEGA.Nossas mulheres são taxadas de Prostitutas,o nosso povo é rotulado de animais no geral,brasileiro fora do Brasil é tratado com desprezo.Um Caso desumano que saiu na mídia,foi o caso de uma senhora idosa que foi visitar a neta na Espanha e ficou presa 3 dias sem nenhuma assistência,tratada como criminosa por ser Brasileira,um absurdo que acontece com o nosso povo diariamente nos aeroportos internacionais da Europa e dos Estados Unidos.Em Quanto eles chegam aqui sem burocracia nenhuma exploram nosso país e depois sai debochando da nossa cara.CHEGA BASTA,sem contar que os brasileiros são os turistas que mais gastam em compras e etc nas viagens internacionais.Vamos tratar os estrangeiros como eles nos tratam,vamos botar ORDEM e PROGRESSO no nosso Brasil.Vamos parar de tratar estrangeiros como celebridades e passar a ter as mesmas exigências, aumentar o deportamento de estrangeiros no nosso país,e passar também a recebe-los com frieza e arrogância tripla.

Junte-se à conversa

Colaboradores, favor realizar Entrar »

Por uma boa conversa...

  • Por favor, trate as outras pessoas com respeito. Trate como deseja ser tratado. Comentários que contenham mensagens de ódio, linguagem inadequada ou ataques pessoais não serão aprovados. Seja razoável.