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Marrocos: “Sou Marroquino e Vou Participar!”

Desde a derrubada do regime egípcio, marroquinos têm planejado um movimento deles. A se realizar dia 20 de Fevereiro, o “movimento pela dignidade” reúne algumas das frustrações dos marroquinos com o governo, que eles acreditam ter feito muito pouco para combater a corrupção. Os manifestantes exigem uma reforma constitucional, a dissolução do parlamento e a diminuição de preço dos alimentos, entre outras coisas.

Em um vídeo que circula na Web, jovens marroquinos explicam — em darija [nome para o árabe marroquino] e em dialetos “Amazigh” locais [do povo berbere] — o porquê de juntarem-se aos protestos:

O vídeo gerou controvérsia entre aqueles que percebem os manifestantes como intermediários “laranjas” para o Polisário, um movimento rebelde para a independência do Saara Ocidental do controle do Marrocos.

No Serviço de Notícias MoroccoBoard (parte da Associação Marroquino-Americana), alguém publicou fotos [en] que eles dizem que comprovam que os jovens no vídeo não eram marroquinos e tentavam derrubar o governo. Porém, como destaca [en] a jornalista marroquina-americana Laila Lalami em artigo para o jornal The Nation, “…Nada na plataforma do dia 20 de Fevereiro ou no seu vídeo promocional sugere que alguém deseja a queda da monarquia; o foco, todavia, tem sido para uma reforma constitucional significativa.”

Em resposta aos rumores, o grupo de jovens por trás do primeiro vídeo lançou um segundo, a explicar quem são e o que querem.

O blogueiro marroquino Arabist, residente no Cairo, postou o vídeo no seu blog e escreveu [en]:

Above is the second video ahead of February 20 protests for constitutional reform, the dissolution of parliament and the formalization of the Amazigh (Berber) language(s) in Morocco. These videos have been attacked as too well produced to be the work of young Moroccans, which tells you a lot about the contempt the regime has for the country's youth. Incidentally, I think it was a mistake to add the second two requests — the last parliamentary election was fairly clean (even if money played a big role) and the question of Amazigh is a) divisive and b) something parliament can vote for. The real problem is the emasculation of parliament by a constitutional framework that gives all power to the palace. But that just my jouj centimes and I wholeheartedly support the protest movement.

Tomorrow's protest will be joined by all sorts of people, but it seems to me two groups will stand out. One is a network of mostly leftist youth that has been involved with all sorts of activism in the last few years and is close to the human rights world and the AMDH specifically. It gravitates around leftist parties such as the PSU and will probably include disaffected members of the USFP, the historic center-left party. The other group will consist largely of Adl wal-Ihsan, the largest Islamist movement in Morocco, which has long advocated constitutional reform. It is legally banned. Also present should be the wing of the legal Islamist party, the PJD, whose leaders have largely been “Makhzenized” but that has a strong figure of resistance in Mustafa Ramid, a member of parliament for Casablanca. And of course there will be tons of ordinary people with no political affiliation.

Acima está o segundo para os protestos de 20 de Fevereiro pela reforma constitucional, a dissolução do parlamento e a formalização da(s) língua(s) Amazigh (Berbere) no Marrocos. Estes vídeos tem sido atacados como muito bem produzidos para ser trabalho de jovens marroquinos, o que diz muito da apreciação que o governo faz de seus jovens. Incidentalmente, penso que foi um erro adicionar os dois pedidos seguintes – a última eleição parlamentar foi na razoavelmente limpa (mesmo que o dinheiro tenha desempenhado um grande papel), e a questão do Amazigh é a) dividida e b) algo que o parlamento pode decidir no voto. O problema real é o enfraquecimento do parlamento pelo arranjo constitucional que garante todo o poder ao palácio. Mas isso é só minha posição e apóio o movimento de protesto com todo meu coração.

O protesto do dia 20 receberá todo tipo de pessoa, mas parece-me que dois grupos vão se destacar. Um é uma rede composta principalmente por uma juventude de esquerda envolvida em diversas formas de ativismo nos últimos anos, e também ligada ao mundo dos direitos humanos e à AMDH [sigla da Associação Marroquina de Direitos Humanos] especificamente. O grupo orbita em torno de partidos de esquerda como o PSU e provavelmente para incluir membros da USFP, um partido de centro-esquerda com história. O outro grupo consiste majoritariamente do Adl wal-Ihsan, o maior movimento islâmico do Marrocos, que há muito defende a reforma constitucional. Ele foi oficialmente banido. Também deve estar presente o braço do partido islâmico PJD, cujos líderes foram em grande parte “Makhzenados” [do termo “makhzen”, usado para a elite do país], mas que ainda existe uma forte figura de resistência em Mustafa Ramid, um membro do parlamento por Casablanca. E, claro, haverá toneladas de pessoas comuns, sem afiliação política.

Em preparação para as manifestações, marroquinos estão — como seus irmãos tunisianos e egípcios — aproveitando-se das mídias sociais para disseminar a mensagem. Além dos vídeos, um novo website chamado Mamfakinch [fr] foi lançado para agregar notícias sobre os protestos. Mamfakinch também registra atualizações no Twitter. Um grupo no Facebook chamado “Moroccans for Change” [en] [Marroquinos por Mudança] compartilha fotos e vídeos e hospeda conversas sobre os protestos planejados.

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