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EUA: Vozes de apoio aos manifestantes egípcios

Este post é parte de nossa cobertura especial Protestos no Egito em 2011.

Enquanto a resposta oficial dos EUA aos protestos no Egito é uma esperança desesperada por estabilidade, vozes americanas menos televisionadas estão apoiando os manifestantes na terra das pirâmides.

Human Rights Now [Direitos Humanos Agora], o blog da Anistia Internacional nos EUA, tem o post de um de seus especialistas  em países do Oriente Médio, Geoffrey Mock, que vê [en] uma específica conexão americana na evolução dos acontecimentos:

News that after five days of protests Omar Suleiman has been named vice president of Egypt is a reminder that the abuses that drove the people into the streets there had too much assistance from America, including right here in my home of North Carolina.

According to journalist Stephen Grey, Suleiman was the Egyptian conduit for the US extraordinary rendition flights closely linked to torture.

[…]

I was also reminded of the Johnston County flights when I received reports this week from people in Cairo of the tear gas canisters being used against them. Made in the USA, the canisters said.

When you are watching the footage of the Egyptian people in the street, showing their frustration of 30 years of tyranny and abuse, it’s safe and appropriate to feel solidarity with them. But it’s not enough. To support the people in Cairo trying to change those abuses, we in the US and in North Carolina must end our own policies and acts that have sustained them.

As notícias de que, após cinco dias de protestos, Omar Suleiman foi nomeado vice-presidente do Egito, são um lembrete de que os abusos que levaram o povo às ruas tinham muito apoio dos Estados Unidos, incluindo aqui, na minha casa na Carolina do Norte.

Segundo o jornalista Stephen Grey, Suleiman era o canal de ligação egípcio com os extraordinárias vôos dos EUA intimamente ligados à tortura.

[…]

Lembrei-me também dos vôos do Johnston County quando recebi esta semana relatórios de pessoas no Cairo dos cilindros de gás lacrimogêneo sendo usados contra eles. Made in the USA [Fabricado nos EUA], estava escrito nos cilindros.

Quando você está assistindo a filmagem do povo egípcio na rua, mostrando sua frustração com os 30 anos de tirania e abuso, é seguro e adequado se sentir solidário com eles. Mas não é suficiente. Para apoiar as pessoas no Cairo tentando mudar esses abusos, nós nos EUA e na Carolina do Norte devemos acabar com as nossas próprias políticas e atos que tenham apoiado estes abusos.

Manifestantes cantando o hino nacional egípcio em Nova Iorque, em frente ao prédio das Nações Unidas; vídeo do blogueiro Ahmed Al Omran, da Arábia Saudita, conhecido como “Saudi Jeans,” atualmente um estudante em Nova Iorque.

Em outro post [en] convocando para a ação, Mock lista vários eventos organizados pelos EUA: “Manifestações já aconteceram em SãoFrancisco, Nova Iorque e Washington DC,” ele escreve, acrescentando que a Anistia Internacional dos EUA organizou um protesto na frente do consulado do Egito em Chicago, no sábado, 29 de janeiro.

Demonstration in Boston in support of Egyptian protests

Manifestação em Boston em apoio aos protestos no Egito. Foto de Jillian C. York no Flickr (Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike)

Rana Rizk, uma egípcia do Cairo, se juntou a seus compatriotas em um protesto em Nova Iorque. Ela escreve [en] no The Huffington Post:

I have been on the phone with my family in Egypt getting eyewitness reports from what they see out their window, very close to Tahrir square and I am reporting back international news I see online, since the Internet was and still remains cut off. They are completely isolated. I am writing before I go to sleep in New York City in commemoration and thought of all those who were injured today, arrested, or even killed. Of course, Egypt was a black hole today with no light coming out. I am scared to find out what happened to our courageous protesters today.

[…]

Contrary to what I always believed, non-violent demonstration in the Middle East is possible and deserves great respect. Their demands must be answered and encouraged by the international community. And please, I say to the U.S. stop selling tear bombs to the Egyptian government. How can you encourage Mubarak to listen to the pleads of protesters and in the same breathe provide them with ammunition to harm those very same protesters?

Estive ao telefone com minha família no Egito recebendo relatos de testemunhos do que eles vêem pela janela, muito perto da Praça Tahrir, e estou relatando para eles as notícias internacionais que vejo online, uma vez que a internet foi e continua cortada. Eles estão completamente isolados. Estou escrevendo antes de ir dormir, em Nova York, em comemoração e com o pensamento em todos aqueles que foram feridos hoje, presos, ou até mesmo mortos. Claro, o Egito esteve num buraco negro hoje, sem luz alguma surgindo. Tenho medo de descobrir o que aconteceu com os nossos corajosos manifestantes hoje.

[…]

Ao contrário do que sempre acreditei, manifestação não-violenta no Oriente Médio é possível e merece grande respeito. Suas exigências devem ser respondidas e encorajadas pela comunidade internacional. E por favor, eu digo para que os EUA, parem de vender bombas de gás lacrimogêneo para o governo egípcio. Como vocês podem estimular Mubarak a ouvir a súplica dos manifestantes e, ao mesmo tempo, lhe fornecer munição para fazer mal aos mesmos manifestantes?

O advogado de Vermont Jack McCullough se preocupa [en] com o futuro da democracia egípcia em seu blog, Rational Resistance [Resistência Racional]:

I have the feeling I've seen this movie before. A dictator who is largely friendly to the United States and its foreign policy goals is in trouble, shaken by massive street demonstrations.

It's not quite the same as Iran, because in this case the dictator wasn't installed by the United States. Still, things are not looking too stable for Hosni Mubarak.

[…]

It's almost impossible not to identify with the demonstrators in the street, to say, as a friend of mine just observed, we are all Egyptians now.

If you're old enough you remember the same feeling watching the students in Tehran, risking murder by Pahlavi's SAVAK. I sure did. In fact, when I was in law school I had the chance to represent an Iranian student who was arrested on campus at the University of Michigan for wearing a mask at an anti-Pahlavi demonstration.

[…]

Is there any chance that Mubarak can be escorted out without creating and Iranian-style Islamic dictatorship?

Tenho a sensação de já ter visto esse  filme antes. Um ditador que é amplamente favorável aos Estados Unidos e a seus objetivos em política externa está em apuros, sacudido por manifestações massivas de rua.

Não é bem o mesmo que o Irã, porque neste caso o ditador não foi instalado pelos Estados Unidos. Ainda assim, as coisas não estão parecendo muito estáveis para Hosni Mubarak.

[…]

É quase impossível não se identificar com os manifestantes na rua, quer dizer, como um amigo meu acabou de observar, somos todos egípcios agora.

Se você tem idade suficiente, se lembra do mesmo sentimento assistindo os estudantes em Teerã, arriscando serem mortos pela SAVAK [antiga polícia secreta iraniana – Nota GV] do [Xá] Pahlavi. Eu com certeza lembrei. Na verdade, quando eu estava na faculdade de direito, tive a oportunidade de representar um estudante iraniano que foi preso no campus da Universidade de Michigan por usar uma máscara durante uma passeata anti-Pahlavi.

[…]

Existe alguma chance de que Mubarak possa ser escoltado para fora sem criar uma ditadura islâmica ao estilo iraniano?

Geoffrey Mock, citado acima, tem a resposta [en]. “Este foi um protesto que  transcendeu classe, ideologia e religião, e é isto que assusta o governo.”

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